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João Valente · 3 min

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Desde algum tempo até esta data que existe uma discussão, em tom de burburinho diga-se, sobre qual a equipa que mais e melhor forma em Portugal. Recordo-me de ouvir as pessoas do tempo dos meus avós dizerem que o FC Porto sempre deu os melhores defesas, mas lembro-me ainda melhor, porque cresci com isso, que o Sporting é a grande fonte de alimentação da equipa das Quinas.

Certo, se olharmos para os últimos anos são vários os bons jogadores dentro desse saco. Personalidades como Figo, Futre, Ronaldo, ou Patrício, jogadores cujo peso é inquestionável, e no caso dos últimos dois, ainda sentimos isso nestes dias. Mas as coisas mudaram, não foi?

Vejamos os últimos onzes de Portugal. Estão lá nomes como o de João Cancelo, de Renato Sanches, que foi sem sombra de dúvidas uma das figuras no Europeu de França, André Gomes, ou de Bernardo Silva. Calma! Isto não é em tom de “campanha”, é a mera constatação de um facto, que é: Aparentemente o Benfica está a dar à seleção os jogadores mais determinantes.

Cédric é um excelente lateral-direito? Sim, é, mas Cancelo é nesta altura o lateral em melhor forma para aquela zona do campo. Aliás, ele tem estado tão bem ao ponto de já se falar num ato de sedução da parte do Barcelona para o adquirir ao Valência. Olha, nem de propósito! Falando de um jogador que migrou do sul de Espanha para a Catalunha, André Gomes. Sabem onde é que ele nasceu para a bola? No Benfica. Todo o bom benfiquista lembra-se daquele golo que ele apontou no Estádio da Luz frente ao FC Porto que deu uma vitória por 3-2 e o apuramento para a final da Taça. De águia ao peito é de facto das poucas coisas boas que nos lembramos dele, mas no Valência cresceu a olhos vistos e a sua ida para o Barça foi a prova disso.

Bernardo infelizmente mal vestiu de águia ao peito. Rumou logo ao principado dos ricos e dos sorteios da UEFA, mas sejamos honestos, ele é ou vai ser, com João Mário, um dos patrões do meio-campo de Portugal. E para acabar de falar dos bons exemplos, Renato foi o pulmão da seleção no Euro, só espero que no Bayern não perca fulgor.

Guedes e Horta, o futuro do Benfica Fonte: SL Benfica
Guedes e Horta, o futuro do Benfica
Fonte: SL Benfica

Claro que nesta altura podem perguntar: Mas tem sido tudo assim? Tudo rosas? Não. Há maus exemplos, como aliás, todos têm. No caso do Benfica podemos falar de Nélson Oliveira, de Ivan Cavaleiro, ou de Hélder Costa, malta que parecia prometer muito, mas que depois não esteve à altura.

Contudo e, com o passar do tempo, uma coisa parece ficar bem latente, já não é só o Sporting que dá cartas à seleção, já não são o “único” clube formador neste país, de onde vêm todos os grandes craques. Isto não é, mais uma vez, menosprezar o que nos deram, bem pelo contrário, é apenas uma forma de salientar que nisso as coisas estão cada vez mais equilibradas, ao ponto de pudermos dizer que já não é só o Barcelona que dá grandes craques ao mundo do futebol. Nisso tanto Sporting como Benfica têm estado bem e têm feito frente ao colosso do futebol espanhol.

Do ponto de vista patriótico queremos muito que qualquer uma das equipas do nosso campeonato dê jogadores a Portugal, mas dá-nos particular gosto a nós benfiquistas, ver que nos estamos a safar particularmente bem nesse capítulo, e o futuro parece cada vez mais risonho, basta para isso olhar para Gonçalo Guedes e André Horta.

Foto de capa: SL Benfica

João Valente

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