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Jiménez abre as portas dos oitavos

Tiago Caeiro · 4 min

Jiménez abre as portas dos oitavos

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As contas estavam feitas: uma vitória colocava o Benfica imediatamente nos oitavos de final da Champions. Contudo, o cenário adivinhava-se difícil, com a equipa a ter de enfrentar uma viagem de mais de 6000 quilómetros, temperaturas negativas, um relvado sintético e uma equipa que ainda não tinha perdido em casa esta época na prova milionária. Num jogo decisivo para o Astana, que tinha de ganhar para ainda manter viva a remota possibilidade de apuramento, Rui Vitória voltou a surpreender tudo e todos, lançando Renato Sanches no onze inicial – aposta arriscada num jogador que ainda só tinha cumprido um jogo pela equipa principal dos encarnados, diante do Tondela. Foram, desta forma, cinco (!) os jogadores portugueses que alinharam a titulares, o que, num jogo das competições europeias, já não se via há muitos anos.

O Benfica entrou bem na partida, com uma boa circulação de bola entre os vários setores e com Gonçalo Guedes a deixar dois avisos à baliza adversária ainda antes do quarto de hora – numa das jogadas o português ganha espaço, vem para dentro e remata forte com o pé direito, o que pode ser uma indicação para o treinador o coloque a jogar mais vezes a extremo-esquerdo. O Astana foi equilibrando o jogo e chegou ao 1-0 num lance onde ficaram bem visíveis as fragilidades dos dois defesas laterais encarnados. Kabananga, um possante avançado congolês que foi uma dor de cabeça para o Benfica durante todo o jogo, desmarcou-se na esquerda (Sílvio não acompanhou) e tirou um cruzamento milimétrico para Twumasi encostar sem dificuldades – perante a passividade de Eliseu. Não me canso de dizer: Eliseu não tem qualidade para jogar no Benfica. Pode ter raça e entrega ao jogo mas não começa a ser por demais evidente a falta de capacidade física e o deficiente posicionamento em campo. Quando o mercado reabrir, Vieira tem de dar prioridade a duas posições: uma é a de defesa-esquerdo e a outra é a de número 8, ou seja, um médio box-to-box para jogar à frente de Samaris e dar apoio aos avançados (que falta fazes, Enzo!).

Talisca tarda em convencer Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Talisca tarda em convencer
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

A equipa cazaque desdobrava-se bem no contra-ataque, tirando partido da rapidez e assertividade dos seus avançados. À passagem da meia hora, surgiu o segundo golo. Livre marcado de forma tensa e, mais uma vez, a defesa do Benfica não mostrou reação. Não o posso garantir, mas se Luisão estivesse em campo a comandar a defesa, este golo dificilmente teria acontecido. Que falta fez o nosso capitão, tantos foram os erros de posicionamento defensivo. Os encarnados até não tinham grandes dificuldades em chegar junto da área contrária mas faltava sempre clareza no último passe, na tabela, na triangulação. Até que Jonas decidiu descomplicar: veio até à ala, fugiu pelas costas do lateral e fez um cruzamento perfeito para um bom cabeceamento de Jiménez. Jogada dos livros, simples e eficaz e o jogo estava relançado (2-1).

Uma segunda parte bem menos interessante foi sinónimo de menos oportunidades de golo em ambas as balizas. O jogo de paciência ia-se prolongando: o Benfica não estava disposto a arriscar demasiado cedo com medo de se desequilibrar e de poder sofrer um terceiro golo; ao Astana interessava-lhe manter a vantagem diante do líder do grupo. Mas como no futebol não existem pactos de não-agressão, Jiménez voltaria a fazer mexer o marcador aos 72 minutos. André Almeida, que tinha entrado pouco antes para a saída por lesão de Sílvio – as queixas no joelho podem significar um regresso a uma lesão antiga (é muito azar para o próprio e para uma equipa que não pode contar com Luisão, Nélson Semedo e Salvio) – , cruzou para a área e o mexicano, com alguma sorte à mistura, rematou para o fundo das redes. Até ao apito final, nenhuma das equipas fez o suficiente para merecer os três pontos, portanto o empate acaba por ser justo. Premeia o atrevimento e a concentração do Astana e a boa resposta do Benfica a uma desvantagem de dois golos num jogo fora de casa. Nota ainda para a boa exibição de Renato Sanches, que mostrou em alguns momentos a sua capacidade de acelerar o jogo através de imprevisíveis mudanças de velocidade no miolo.

Depois da mais recente derrota com o Sporting (injustificável a derrota, a eliminação da Taça, a mediocridade da equipa nesse jogo, a arbitragem de Jorge Sousa) , o Benfica fica, assim, muito perto do apuramento para a próxima fase da Champions. Os jogadores saberão se o conseguiram já hoje apenas no avião de regresso a Lisboa. Depois de várias épocas de boas campanhas na Liga Europa (com duas finas até), fechou a hora de voltarmos a ser presença assídua na fase a eliminar da Liga dos Campeões. A nossa história e a qualidade do plantel assim o exigem.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica

Tiago Caeiro

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