O mês de Dezembro deu nova vida ao alemão Julian Weigl. Da desconfiança generalizada à retoma da titularidade que tinha perdido aquando da chegada de Jorge Jesus, foram surgindo de forma persistente notícias do interesse do SL Benfica noutros talentos, com William Carvalho à cabeça, que puseram o seu lugar em risco.

De Sevilha pediram 18 milhões, e Julian Weigl aproveitou a deixa para elevar o nível e obrigar o técnico português a admirar as suas qualidades – quando marca de fora da área, ao Lech Poznan na Luz, a reacção de Rui Costa, que segredou ao ouvido de Jesus, parece agora premeditação clara do que se seguiria.

A poucos dias do mercado de Janeiro, ganha nova vida o trinco moderno que o BVB Dortmund deixou fugir há exactamente um ano, por 20 milhões.

(3:30, Rui Costa e Jesus)

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2020-21 começou com a aposta insistente em Gabriel como primeiro elemento do meio-campo, num recuo já esperado dadas as características contrastantes do brasileiro com as dos habituais box-to-box do 4-4-2 jesuíta.

Conjugou bons pormenores com dificuldades posicionais, nunca dando a segurança necessária ao sector mais recuado da equipa com a sua apetência excessiva para o passe longo desordenado.

Weigl afundava-se entre os suplentes, bode expiatório que era da má segunda volta de 2019-20 – o estilo perfumado não ajudou à sua aceitação numa cultura futebolística ainda ultradependente dos varredores na posição.

O alemão só seria titular à quinta jornada, na vitória (2-0) frente ao Belenenses SAD na Luz; na jornada seguinte, entrava ao intervalo no descalabro do Bessa e já não participaria na derrota frente ao SC Braga de Carvalhal. Depois, foi infetado pela COVID-19, problema apenas ultrapassado nos finais de Novembro.

A lesão de Gabriel no último mês propiciou a consolidação de Julian ao lado de Taarabt no miolo e as indicações têm sido positivas: o culminar da sua evolução aconteceu em Barcelos, em jogo dificil frente ao Gil Vicente FC – onde os 97,3% de sucesso no passe durante os 82 minutos jogados o aproximaram dos seus melhores tempos, ainda que não tenha libertado completamente o génio criativo, faltando ainda assumir-se a tempo inteiro como o primeiro municiador dos artistas da frente.

Mas, a sua timidez em campo talvez seja compreendida através de um paralelismo com o final da sua primeira época na Alemanha. Depois de 51 jogos em 2015-16, Weigl explicava nesse Verão os processos simples do seu jogo: «O ano passado foi o meu primeiro, nem sempre á fácil confiar em mim mesmo para tentar o último passe. Assegurando a mesma forma do ano transacto, talvez consiga dar o próximo passo na minha evolução, tirar mais jogadores do jogo com os meus passes e ser mais atacante», dizia em Setembro, referindo um dos aspectos que muita da imprensa e, consequentemente, a massa adepta, aponta ao seu futebol: a pouca verticalidade das suas acções com bola, argumento impaciente que até José Cid fez questão de extrapolar.

No seguimento, confirmou todas as intenções. 2016-17 foi o ano da afirmação de Julian em contexto internacional, na boa caminhada do entusiasmante Borussia de Tuchel na Liga dos Campeões, onde só caíria aos pés de outra equipa-sensação – o Mónaco de Leonardo Jardim (na Bundesliga foram terceiros e venceriam a DFB Pokal). Weigl funcionava com o pêndulo responsável pela estabilidade de um bloco ultra-ofensivo, onde Kagawa, Reus, Aubameyang, Dembéle e Gotze confiavam na sua capacidade de equilibrar taticamente a equipa para dinamitarem as defensivas adversárias – os 113 golos durante toda a temporada comprovam-no, particularmente os 21 na fase de grupos da Champions.

(1:10, início das referências ao papel de Weigl)

No Benfica, o impacto tem sido muito aquém do esperado. Apesar da grande confiança de Bruno Lage no seu talento e da boa opinião do Jorge Jesus, tem demorado a convencer o novo treinador sobre as suas competências defensivas.

As boas indicações da sua promissora carreira não chegaram para assegurar o lugar nos novos projectos e Weigl teve que ultrapassar vários obstáculos para encontrar o seu espaço na equipa e nas graças da generalidade da massa adepta – transformou-se em alvo da comunicação social, que aproveitou a instabilidade desportiva para divagar sobre as causas de tanta demora na consolidação do alemão no onze encarnado.

Desde o suposto desentendimento com Jesus antes do jogo em Salónica, até à vontade do próprio em voltar à Bundesliga, muitas foram as motivações para as persistentes manchetes com os nomes na lista de sucessão, stock ilimitado de argumentos a favor da contratação de William ou Arão.

Resta saber o que se seguirá no próximo mercado de transferências, onde esta sequência de jogos a titular torna a dúvida geral numa pergunta em forma de encruzilhada: será real a aparente definitiva aposta de Jesus em Weigl como dono da posição ‘6’ ou, pelo contrário, estas titularidades servirão apenas como isco para algum tubarão morder na Luz, desembolsando bom (e necessário) dinheiro pelo passe do médio alemão?

A resposta será dada a partir de dia 1, numa janela que promete muitas movimentações no plantel e que ditará o sucesso da época encarnada. A ficar, não há dúvidas de que Julian Weigl será um dos esteios do onze benfiquista na procura de todos os títulos que disputa.

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