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Lendas do universo encarnado: Pablo Aimar

Pedro Manuel Magalhães · 2 min

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“Pablo, Pablito Aimar, que la gloria volverá, como Kempes y el Piojo, otro Pibe inmortal”, entoava-se no Monumental quando um novo pibe chegara para maravilhar.

Um pibe pequeno, franzino, de cabelos longos, que fazia lembrar, por muito que os adeptos do River não quisessem admitir, uma lenda do Boca, o génio Maradona. A cabeça levantada, a facilidade no drible, a classe no passe e no remate não deixava grande margem para dúvidas: Aimar era o sucessor de El Pibe de Oro.

Depois de apaixonar as bancadas em Belgrano, Aimar rumou a Espanha, ao Valência. Com Rafa Benítez no comando dos laranjas, Aimar foi figura maior no título conquistado pelo Valência em 2001/2002. Claro está que o Mestalla rapidamente adotou o cântico do River e imortalizou o dez argentino. Trocou-se Kempes e el Piojo [Claudio Lopez] por Kily [González] e Milito. A intensidade do futebol europeu era outra e as lesões começaram a assolar a carreira do pequeno dez. Esteve perto do Real, para se juntar a Ronaldo, Zidane ou Figo, mas Florentino Perez desconfiou da sua capacidade física e desistiu da sua contratação.

Depois de Valência, seguiu-se Zaragoza, onde o percurso foi em quase tudo semelhante ao de clubes anteriores. Só que as lesões estavam para ficar e a felicidade do menino de Córdoba esmorecia. Uma notícia, no entanto, pô-lo sorridente. A ele e a mais de seis milhões espalhados pelo mundo: Pablo Aimar assinava pelo Sport Lisboa e Benfica. Nem um mês e a Luz rendia-se ao génio argentino: no lugar de Kempes, El Piojo, Kily e Milito, entravam para o cântico Eusébio e Rui Costa, dois dos maiores símbolos do Benfica. Foi rápido porque Aimar é a essência do jogo e até o mais incauto assimila todo o seu talento.

Pablo Aimar “herdou” o 10 de Rui Costa
Fonte: SL Benfica

Na Luz pôde vislumbrar-se toda uma expressão do futebol que não antes se tinha visto em Portugal. Este cantinho à beira-mar já presenciou variadíssimos craques. Todos eles singulares no seu futebol e cada um com as suas qualidades. Mas como Aimar… como Aimar não houve ninguém. O movimento, o toque e sobretudo a pausa. Quem se esquece daquelas rotações que, com um toque, deixavam os adversários no relvado? Ou as receções que mudavam, de repente, todo o rumo de uma jogada? Sem a velocidade de passada que entusiasmou as bancadas do Monumental e do Mestalla, Aimar ficou no coração dos benfiquistas pela velocidade de pensamento, pela classe. Até apetece dizer que mesmo de muletas valia o bilhete.

Para os amantes do jogo, Aimar foi um dos precursores do futebol moderno. O futebol que valoriza a mente sobre o atlético. Guardiola e Messi, dois dos maiores génios de sempre, queriam-no na dream team do Barça. E que melhor elogio se poderia dar a Aimar?

“Pablo, Pablito Aimar, que a glória voltará, como Eusébio e Rui Costa, outro 10 imortal…”.

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Manuel Magalhães

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