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Líder com todo o mérito

João Amaral Santos · 3 min

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Dos maiores defeitos, unanimemente identificáveis, que sempre observei de perto – e que, confesso, cheguei mesmo a experimentar –, é a dificuldade do indivíduo em reconhecer o mérito de outrem. É muito português, aliás, pois isto dos hábitos enraíza-se e generaliza-se, amplificar as lacunas de quem, por qualquer ou todas as razões, ocupa certo lugar por nós ambicionado. Tudo está bem, perfeito até, quando nos posicionamos num plano hierarquicamente superior, seja de carácter prático ou teórico, em relação ao próximo; por essa razão, mantemo-nos por perto, declaramos condescendência, camuflando convicções secretas de superioridade moral em gestos e palavras de solidariedade e, nalguns casos, actos inconsequentes de aparente amizade.

Pelo contrário, o sucesso alheio, fruto do mérito – e basta, para tal, estarmos no sítio certo –, incomoda profundamente, é desvalorizado, levando inevitavelmente à maledicência e ao afastamento, quase sempre gradual, e por fim completo e irreversível; ninguém gosta de ver os seus defeitos (ou insucessos) espelhados nas virtudes (ou sucessos) dos outros.

Assim acontece também no futebol. A paixão pelo nosso clube, a missão oficiosamente que nos cabe na defesa da sua honra, levamo-nos a compreendê-lo como parte de nós. As suas virtudes são as nossas virtudes; tal como sucede com os seus méritos e sucessos. Porém, esta forma resulta igualmente no plano inverso, aquando da derrota.

O direito ao sucesso conquista-se. E este grupo merece-o Fonte: SL Benfica
O direito ao sucesso conquista-se. E este grupo merece-o
Fonte: SL Benfica

O Benfica é líder do campeonato desde a 5.ª jornada. Venceu a Supertaça; está na final da Taça de Portugal; e apurou-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Seria fastidioso enumerar, novamente, os obstáculos, os previsíveis e todos os outros, com que esta equipa se deparou ao longo desta temporada – basta recordar, a título de exemplo, que Jonas, o melhor jogador (e goleador) em Portugal, já esteve ausente, neste período, devido a lesão, de 25 jogos do Benfica. É preciso muito mérito, muita qualidade, e, sobretudo, grandes doses de dedicação e de trabalho para se cumprir tal percurso.

Os adversários continuam, todavia, a assumir o papel do invejoso; aquele que se recusa a admitir as virtudes alheias e os defeitos próprios – por alguma razão, pese as dificuldades, alguns momentos menos bons, ninguém tenha ainda conseguido ultrapassar este Benfica; também por isso, as lacunas de FC Porto e Sporting, ao invés de corrigidas, se foram arrastando e acentuando, afastando ambas as equipas, na maioria dos casos, da luta pela vitória na prova em curso.

FC Porto e Sporting utilizam uma estratégia comum, dirigida a todos os seus adeptos. A mensagem parte dos presidentes, passa pelos gabinetes de comunicação e é difundida por órgãos próprios, através das plataformas disponíveis, reforçando-se através da repetição populista e demagógica da ideia junto das massas: o Benfica é líder sem mérito; por favores concedidos; e havendo justiça seriamos nós (aquele que no momento o afirme) a ocupar aquela posição. Esta opção, poluidora constante do nosso futebol, provou, uma vez mais, ao longo dos últimos meses, ser altamente contraproducente. Na necessidade de compor o argumento, de sobrepor a ficção à realidade, deixa-se fugir o foco daquilo que verdadeiramente importa. Existe sempre quem prefira discutir com as pedras do caminho; ao invés de trilhar as alternativas.

É por isso que a um mês do encerramento da época, é o Benfica que lidera a Liga portuguesa, dependendo apenas e só de si para conquistar o tetracampeonato. É por isso que, mesmo jogando mal – tal como o FC Porto joga –, é o Benfica que vence mais vezes nos dias “não”; e com apenas quatro jogos por disputar (e não três, ao contrário dos rivais), é o principal candidato a ganhar aquilo que resta.

Foto de Capa: SL Benfica

João Amaral Santos

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