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Liga Europa: ambição, sonho ou ilusão?

Márcio Francisco Paiva · 3 min

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No intervalo da eliminatória da Liga Europa, abordamos a postura do SL Benfica na competição e tentamos calcular qual será o ponto de rutura dos encarnados na mesma. A possibilidade de cair já nos 16 avos-de-final é bem real, mas nada está já perdido. A um dia da primeira decisão europeia para as águias em 2020, a pergunta que se impõe – ou que impomos – é a presente no título: para este Benfica, a Liga Europa é uma ambição, um sonho ou uma ilusão?

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Naturalmente, de momento o que podemos fazer é conjeturar, antever, prever, calcular e pouco mais. O que as águias pretendem fazer na segunda competição europeia de clubes ainda não é totalmente claro – o único suporte de análise é o jogo na Ucrânia. No entanto, já nessa partida foram deixados alguns apontamentos que poderão indiciar falta de comprometimento (pelo menos total) para com a competição.

A titularidade de Chiquinho e Seferovic, relegando Rafa e Vinícius para o gelado banco de suplentes, pode ser um indicador de que a Liga Europa será disputada com cuidado e em gestão, indo as águias com pouca sede ao pote. Claro que poderá ter sido uma situação pontual e estratégica – mas se o foi, saiu bem ao lado.

A contratação de Weigl levou-me a crer que o clube da Luz se preparava para assumir a Liga Europa como uma ambição para esta época. No entanto, essa crença cedo se desmoronou quando o mercado de inverno cerrou sem que um central fosse contratado para o principal plantel encarnado.

Ferro é um de apenas dois centrais à disposição de Bruno Lage para o ataque a duas competições e tem demonstrado dificuldades
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Encarar a segunda metade da época apenas com Rúben Dias (em sobrecarga de jogos), Ferro (em clara baixa de forma e com patentes dificuldades no seu jogo) e Jardel (mais fora do que dentro) foi, para mim, o assumir de que a Liga Europa não era, afinal, uma ambição, nem sequer um sonho, mas sim uma ilusão.

De momento, parece-me que o objetivo único do SL Benfica na competição é manter o equilíbrio – difícil – entre fazer os adeptos acreditar que se está nela para ganhar e fazer os possíveis para que ela não seja um empecilho na conturbada estrada para o “38”. Na primeira mão, já se notou essa tentativa, mantendo peças importantes no onze, mas fazendo descansar Rafa, Vinícius e até Samaris (que, acredito, seria titular já nesse jogo se fosse uma partida do campeonato).

E notou-se na própria abordagem ao jogo na Ucrânia. Se a ambição fosse grande, não haveria porque entregar a iniciativa de jogo à equipa de Luís Castro. Se, de facto, o SL Benfica tivesse viajado até à Ucrânia para vencer, teria procurado ter bola e imprimir um ritmo de jogo que não pudesse ser acompanhado por uma equipa vinda de dois meses de paragem.

Não o fez. Na primeira mão, vimos um SL Benfica de serviços mínimos. Veremos o que sucede na Luz, na quinta-feira, mas o primeiro embate não dá tranquilidade aos adeptos. Não pela falta de qualidade (que foi gritante), mas pela falta de vontade, de crença espelhada em campo. Está nas mãos do grupo de trabalho provar o contrário, provar que querem conquistar a Liga Europa. Caso o façam, cá estarei para me retratar, reponderar, reanalisar e, claro, celebrar.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Márcio Francisco Paiva

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