Lucas Veríssimo em “A Estreia Promissora”

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O dia 18 de fevereiro de 2021 ficará marcado na carreira de Lucas Veríssimo como a data de estreia do central brasileiro com a camisola de uma espécie de encarnado do Sport Lisboa e Benfica. É indubitável. O que é questionável é se esta data ficará marcada na outra face da moeda: ficará esta data marcada na história do SL Benfica como a estreia de Lucas Veríssimo pelo clube?

Uma questão presente que só no futuro terá resposta, com naturalidade. Apenas especulações e jogos de adivinhação se podem levantar num momento tão precoce para responder a uma questão complexa, ainda que de simples apresentação.

O século XXI, em especial, tem demonstrado que qualquer jogador pode envergar o Manto Sagrado, por menos qualidade futebolística que lhe assista. Todavia, o século XX, em particular, reserva em si uma história benfiquista na qual, pela sua grandiosidade, só se encontram intrincados futebolistas verdadeiramente especiais, que talvez não perfaçam uma dezena.

Lucas Veríssimo terá que se revelar um futebolista de características e capacidades superlativas, se pretende cimentar o seu nome na história do clube. Colocam-se duas novas – mais concretas – questões: consegui-lo-á? E pretenderá? Duas perquisições, de novo, sem decifração imediata – e, quiçá, mediata.

Podemos, reitero, enveredar por recreações de adivinhação, procurando sustentação para as mesmas no passado de Veríssimo no seu país natal e na sua estreia no Olímpico de Roma. Não será suficiente, mas, na falta de melhor, arrisquemos. Coloquemos sob observação a personalidade, o carácter mais visível e a determinação que o paulista há já espelhado dentro e fora dos “gramados” brasileiros.

O central de 25 anos tem construído a sua carreira sobre pilares de valores importantes para o sucesso no futebol: determinação, dedicação, liderança, respeito, trabalho e fidelidade. Fiel, que o Dicionário Infopédia da Porto Editora define como o “que é exato ou verdadeiro em relação àquilo que pretende refletir”, é para mim o mais importante traço psicológico de Lucas Veríssimo.

O central de 1,88m conhece no SL Benfica apenas a sua segunda casa como futebolista sénior, aos 25 anos de idade. Pelo Santos FC, realizou cinco temporadas, não abandonando o clube mesmo após o anúncio oficial da sua aquisição pelas “águias”, mantendo-se como um dos alicerces da equipa paulista até final da Libertadores 2020/2021.

No momento da saída, conservou respeito para com o Santos FC e, no momento da chegada a uma nova realidade, apresentou vontade de representar o emblema da Luz. Caso não se dissipe essa vontade e Lucas decida vestir de águia ao peito durante largos anos, poderá dar um passo significativo no que respeita à inscrição do seu nome nos pergaminhos do clube.

Num momento interno tão conturbado, poderá revelar-se uma tarefa hercúlea. Contudo, pela perseverança de Veríssimo, arrisco adivinhar que Lucas pretenderá cimentar o seu nome na história do clube. Uma das questões está, então, “adivinhada”. Remanesce outra.

Conseguirá Lucas Veríssimo mostrar-se um futebolista de excelência no contexto encarnado – sobretudo neste horrendo contexto encarnado? Não se adivinha de fácil adivinhação, se a redundância me é permitida. No entanto, as primeiras impressões deixadas na derrota disfarçada de empate frente ao Arsenal FC foram positivas.

Na sua primeira noite em serviço, o central de Jundiaí revelou uma frieza emocional tremenda, um sentido posicional imenso, uma capacidade de leitura e antecipação extraordinária e uma inteligência de desarme e no um para um bastante apreciável.

Pelo demonstrado no Brasil e pelo espelhado no relvado do Olímpico de Roma, adivinho que Lucas poderá, de facto, ser um futebolista superlativo no seio da sua posição, seja em sistema dual ou triásico de centrais.

Todavia, convém aguardar mais provas, que, por certo, não tardarão. Que jogador será Lucas Veríssimo ao serviço do SL Benfica? O tempo o ditará.

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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