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O futebol é um universo infindável por onde gravitam, numa desordem anárquica, incontáveis astros, de tamanhos e brilhos variáveis, capazes de se deformarem, na forma e no feitio, ao ritmo do segundo, sem aviso prévio ou razão aparente. Surgem-nos de repente, fixamo-los como queremos ou conseguimos, para, pouco tempo depois, os esquecermos para sempre – e apenas nos casos mais raros, distintos, normalmente, pela qualidade (ou pela falta dela) os guardamos num lugar especial da memória e do coração. O problema deste universo infindável é que, a par essencial, vagueia também em maioria esmagadora uma quantidade de lixo espacial, tóxico e aborrecido, que embora essencial na construção do todo – como causa e consequência da dimensão e popularidade da modalidade –, conquista, em vagas recorrentes e temporárias, um protagonismo injustificado à conta da paixão benevolente do adepto comum.

As últimas duas semanas foram exemplo disso mesmo. Vejo e ouço parte significativa da modesta fatia universal que me diz respeito – o Benfica e os benfiquistas (numa linguagem mais simples) – muito alvoroçada; e tudo devido a uma chuva de meteoritos, daquelas que prometem colapsar o planeta num mês, que justificam comentários cansados e dissonantes de leigos e especialistas, para, a 48 horas do impacto, tudo se desfazer em pó microscópico a mil milhões quilómetros de distância, nas vizinhanças das luas dos outros, sem deixar o mínimo vestígio, nem para saciar a curiosidade dos mais crentes, de olhos apontados ao alto, desejosos por qualquer novidade que quebre a monotonia de um céu encoberto por um manto cinza (este país tem péssimas vistas para fenómenos astronómicos).

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