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O Novo Apito Dourado: Uma realidade ou um medir de forças?

Joana Libertador · 4 min

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sl benfica cabeçalho 1Depois de o caso Apito Dourado ter ficado além no tempo, o Benfica usou na passada noite o programa “Chama Imensa”, da BTV, para fazer denuncias acerca do Futebol Clube do Porto e trazer à tona aquilo a que resolveram chamar “O Novo Apito Dourado”.

Todos sabemos o escândalo ou vergonha que foi este processo, todos nos recordamos das escutas e nenhum esquecerá a decisão da juíza que teria, alegadamente, ligações (indiretas) a Pinto da Costa. Não há dúvidas que existiu, de facto, corrupção. A população teve, na sua posse, escutas e só duvida delas um qualquer alucinado. Portanto: sim, existiu o apito dourado; sim, existiram escutas ilegais perante o tribunal; sim, há provas de corrupção e sim, este caso ficou lá atrás.

A questão que coloco, no entanto, é a seguinte: Porquê o “Novo Apito Dourado”? E porquê agora?

Os supostos envolvidos no caso "Novo Apito Dourado" Fonte: BTV
Os supostos envolvidos no caso “Novo Apito Dourado”
Fonte: BTV

Ninguém achou que Pinto da Costa já não se tentava impor. Jamais alguém acreditou que Jorge Nuno Pinto da Costa iria deixar de ser influente no futebol português. Então, isto não surge por se descobrir, ou se suspeitar, que o presidente do FC Porto tenta ainda coagir árbitros. Honestamente, a única resposta que me ocorre é uma medição de forças que concentram os esforços fora das quatro linhas.

A que ponto chegámos? No auge de um dos piores momentos do futebol português, o Benfica, o único que não ia em palhaçadas, cai na pior de todas. Cede às pressões, aos “e-mails” e a Francisco J. Marques e cai no ridículo, criando um novo caso, com um “diz que disse” e numa aparente tentativa de desviar as atenções para o norte. Ora, por que quer o Benfica desviar as atenções? Ou foi só o timming que deu esta sensação? “Investigue-se”

Por acaso, o “Chama Imensa” poderia passar o seu nome para “Investigue-se”. Mas, investigue-se? Investigue-se aquilo que se diz para o ar? Em que mundo estamos?  Talvez seja o meu lado feminino e maternal a falar, mas a vontade que tenho é de pegar em Luís Filipe Vieira, José Marinho e todos os seus amigos que alinham nestas brincadeiras e senta-los à volta de uma mesa enquanto lhes olho com ar de desilusão e lhes pergunto pausadamente o que raio se passa nas suas pequenas cabeças.

Sempre julguei ser mais e melhor por ser diferente. Sempre julguei ser mais e melhor por não alinhar em boatos, em circos, violência, acreditar em especulações e  não concentrar-me no extra quarto linhas para tentar vencer dentro de campo (ou pelo menos distrair os outros).

Para quê? No fim, o “podre” e a violência dominaram todo o futebol português. A partir do momento em que o último grande alinha em novelas, tudo morre. Imaginemos agora que os verdadeiros queixosos, os clubes do terceiro lugar para baixo, resolviam todos também cuspir para o ar, ameaçar e fazer barulho em todos os programas desportivos: o que era de nós? É necessário, com a máxima urgência, combater este ambiente pesado e ameaçador no qual todos apontam o dedo uns aos outros, como se algum fosse, de facto, melhor que o outro.

Falou-se aqui de Sport Lisboa e Benfica e Futebol Clube do Porto, mas como foi dito (e talvez a única coisa realmente importante a reter) no mais ridículo programa da BTV, estas instituições são centenárias e prestigiadas, o problema é quem está à frente destes clubes, quem os representa na comunicação e todos os “avençados” que usam qualquer tempo de antena livre para “cuspirem para o ar”.

De que importa o “novo apito dourado”? De que importam os rumores se dentro de campo ganhar o melhor?

O Chama Imensa passará a ser apenas mais um programa de especulações e acusações Fonte: BTV
O Chama Imensa passará a ser apenas mais um programa de especulações e acusações
Fonte: BTV

É, sim, necessário criar condições para que os árbitros possam realizar a sua função sem medo ou pressão. É, sim, necessário criar condições para que se respire um ar saudável num desporto de tanta importância em Portugal. E essas condições não vão ser criadas com programas de televisão e acusações mal fundamentadas. Não podemos permitir (nem eu quero acreditar) situações como “a uma hora de se realizar um jogo, um árbitro” receber “uma chamada da esposa” a dizer que  lhe “tinham tocado à campainha de casa a perguntar pela filha e a oferecerem-se para a levar ao colégio no dia a seguir”, revelada por José Marinho. É necessário combater estas ameaças e aqueles que as expões sem provas e factos concretos.

Na minha humilde opinião não existe um “novo apito dourado”. Existe apenas e tão somente um agravamento do estado de miséria do desporto rei de Portugal. E, neste auge, todos se revelam o mesmo: algo que mancha tudo o que acontece dentro das quatro linhas, algo que mancha tudo o que deveria ser bonito.

Quero deixar, por fim, um pequeno apelo a todos os envolvidos no futebol, desde jogadores a adeptos, passando por dirigentes: Parem de estragar o espetáculo, parem de incitar ao ódio; Parem de odiar e passem a amar o mais maravilhoso desporto do mundo.

Foto de Capa: SL Benfica

Joana Libertador

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