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Falta de vontade ou falta de qualidade: qual é o verdadeiro problema do SL Benfica?
Se tivéssemos de recorrer a uma cópia da presente época do SL Benfica até à data de hoje, a da temporada passada poderia bem ser o melhor exemplo. Entrada a todo o gás no início, com o ponto alto a ser a brilhante vitória frente ao FC Barcelona por 3-0, e quebra de rendimento com o aproximar do final do ano.
O objetivo principal, o Campeonato Nacional, está cada vez mais longe e a Taça de Portugal só na PlayStation. Resta fazer o melhor possível na Liga dos Campeões (chegar às meias-finais já seria uma proeza) e a Taça da Liga que, diga-se, será o título que o SL Benfica terá de se agarrar com unhas e dentes para salvar uma temporada que começa a ser penosa.
Mas, sejamos sinceros, não vai ser a conquista dessa competição, a qual os encarnados já venceram por sete vezes, que irá deixar os adeptos felizes da vida. Estamos apenas em Janeiro e o fracasso de mais uma época é já bem evidente. E, desta vez, já nem o fator Covid pode ser servir de desculpa como serviu o ano passado.
Mas afinal, o que se passa com esta equipa do SL Benfica, que parece ter levado com o célebre pau de Jorge Jesus, quando este quis exemplificar a fita que alguns jogadores faziam quando sofriam uma falta? Bem, o técnico português já não está na Luz mas parece que deixou lá o pau para quem quisesse usá-lo. Uma coisa é certa e nisso a opinião geral é unânime.
Não é a falta de qualidade do plantel que está em causa, embora alguns jogadores já tenham demonstrado que não têm estofo para vestir o manto sagrado. Soualiho Meité é um desses casos mas podemos também incluir Everton “Cebolinha”, um jogador com grande potencial mas que tarda em “explodir” e que pode ser transferido já neste mercado de Inverno.

Fonte: Zito Delgado/ Bola na Rede
Analisando de uma forma geral o plantel encarnado, existe boa matéria-prima para trabalhar mas o motor da equipa não está a carburar como devia. E se nos cingirmos ao onze que costuma ser titular, facilmente percebermos que existe ali muita qualidade.
Tanto que alguns jogadores já provaram isso em épocas anteriores, fazendo parte das últimas conquistas do SL Benfica. Jogadores como André Almeida, Alex Grimaldo, Pizzi, Rafa ou Haris Seferovic, já deram provas do seu real valor no passado.
Com a saída de Jorge Jesus, os encarnados voltaram ao sistema de quatro centrais e a apostar em tácticas como o 4-4-2. A equipa esteve mais de um ano rotinada a jogar em 3-4-3 e é bem possível que ainda não tenha assimilado na totalidade as ideias do novo treinador, Nélson Veríssimo.
Mas o que salta à vista de todos é o desnorte que alguns jogadores apresentam em campo, motivando perdas de bola de forma infantil. Na última jornada diante do Moreirense FC, isso ficou bem evidente. Mais, o meio campo das águias tem sido demasiado macio para os adversários, pois falta ali um jogador que preencha na totalidade aquela área do terreno e que saiba sair a jogar.
Julian Weigl não chega para tudo e João Mário não é propriamente um recuperador de bolas. Essa solução poderá estar “dentro de casa”, com a inclusão de Paulo Bernardo no onze encarnado, mas nota-se que o “menino” ainda tem de ganhar alguma estaleca até se tornar num titular absoluto.
No que diz respeito ao ataque, o SL Benfica até é a equipa do campeonato com a melhor marca (50 golos) mas temos de ter em consideração que um dos jogos em que o clube lisboeta facturou mais, foi no polémico triunfo (0-7) frente ao Belenenses SAD, que começou a partida com nove jogadores, sendo que dois eram guarda-redes.
Mesmo tendo o melhor ataque, o SL Benfica tem revelado em alguns jogos, uma gritante falta de oportunidades de golo e de concretização. Neste último, os encarnados remataram 17 vezes mas só quatro é que foram na direcção da baliza.
Desses quatro, apenas um golo marcado. Muito pouco para quem quer ser campeão nacional pela 38.ª vez. Darwin Nuñez e Rafa têm sido os melhores na frente de ataque e esperava-se mais de Seferovic e Roman Yaremchuk, dois internacionais com provas dadas pelos seus países.
A falta de eficácia paga-se caro e tem custado vários pontos às águias, porque na defesa a coisa também não tem corrido lá muito bem e prova disso, é o golo sofrido frente ao Moreirense FC, num lance digno dos apanhados. Entre os três grandes, o SL Benfica é a equipa do campeonato que sofre mais golos, num total de 16.
Nos últimos três embates frente aos dois rivais, ficou bem patente que a maior parte dos golos sofridos pelos encarnados resultaram de falhas graves de marcação. Uma situação difícil de compreender, quando o SL Benfica tem, provavelmente, a dupla de centrais com mais qualidade e experiência do futebol português, Nicolás Otamendi e Jan Vertonghen.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
É certo que perdeu por lesão para o resto da temporada outro central de qualidade, Lucas Veríssimo, mas isso não explica tudo.
Toda essa irregularidade tem impacto direto nos resultados da equipa, pois uma boa sequência de vitórias aliada a exibições convincentes, são dois fatores que fazem um jogador motivar-se ainda mais para os jogos seguintes.
Ora, não é isso que tem acontecido mas também seria injusto pôr em causa a falta de vontade dos jogadores que, quando entram em campo, de certeza que dão o máximo por aquela camisola que carrega um símbolo com mais de 100 anos de História.
E embora por vezes não seja isso que transpareça cá para fora, o certo é que poderá existir já alguma falta de motivação por parte de alguns jogadores, que veem o título de campeão esfumar-se cada vez mais.
A enorme pressão em conquistar os três pontos em cada jornada para que esse atraso não seja ainda mais significativo, pode também traduzir-se em mais erros cometidos devido à falta de concentração dos jogadores.
São pois, vários problemas que Nélson Veríssimo e toda a estrutura encarnada terão de resolver, quiçá, à paulada, mas que o efeito seja outro, o de acordar de vez esta equipa e que a ponha a praticar um futebol vistoso, para que esta época seja ainda de alguma alegria para todos os benfiquistas.
Artigo redigido por Rui Maria








