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Os 5 melhores estrangeiros que vi jogar no Glorioso

Bruno Costa · 5 min

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A minha geração faz parte de uma época em que só a partir da segunda década do novo milénio é que os jogadores estrangeiros chegavam ao Sport Lisboa e Benfica para fazer realmente a diferença. Antes disso, só aos anos 80 e 90 é que podemos ir buscar nomes vindos lá de fora, com qualidade suficiente para figurar na História do SL Benfica.

Como, infelizmente, ainda não andava por cá na década de 80 (e a minha memória só vai buscar a parte final dos anos 90), deixo-vos um top muito focado nos anos mais recentes, mas, ainda assim, com jogadores que irão para sempre figurar na nossa História, seja pela sua classe, entrega ou contribuição para com o Glorioso Manto Sagrado vestido.

5.

Fonte: SL Benfica

Óscar Cardozo – Na temporada de 2007/2008 chegava a Lisboa um ponta-de-lança paraguaio que acabaria por ficar na História Benfiquista como o melhor marcador estrangeiro e o 8.º melhor marcador de sempre do Clube. “Tacuara” nem sempre deteve uma opinião consensual entre os adeptos, que muitas vezes perderam a paciência para com o mesmo, sublinhando a sua falta de velocidade e de entrega. É um facto que, devido à sua estatura (1,93m e 88kg), Cardozo não era propriamente rápido. Contudo, não podíamos acusá-lo de falta de entrega. Não sendo um portento em termos de agilidade, a técnica que tinha era toda canalizada para a execução. Finalizador de excelência, bastava apanhar a bola a jeito e, de qualquer parte do campo, lá ia uma “castanhada” fulminante direta ao fundo das redes. Ficou conhecido pela sua apetência por marcar ao Sporting CP, fazendo as delícias dos adeptos encarnados nos dérbis lisboetas. Ao todo foram 172 golos, em 293 partidas disputadas, durante as sete temporadas de Águia ao peito.

4.

Fonte: SL Benfica

Axel Witsel – Não imaginam o quão contente fiquei quando este internacional belga assinou pelo SL Benfica, na temporada de 2011/2012. A qualidade de Witsel era já sobejamente conhecida – ou não fosse ele um dos mais promissores médios da altura. Médio de enormíssima qualidade, aliava o seu poderoso físico a uma inteligência fora do comum, encaixando no modelo de jogo de Jorge Jesus que nem uma luva. O belga parecia estar sempre em todo o lado, fazendo valer o seu pulmão e o seu alargado raio de ação. A sua capacidade de decisão estava também largamente acima da média, aproximando a equipa do golo a cada ação tomada. Era facilmente constatável que Jorge Jesus considerava Witsel um elemento preponderante, pois foram 49 as aparições do belga logo na temporada de estreia. Toda esta importância e qualidade não passaram despercebidas ao Futbolny Klub Zenit, que não hesitou em pagar, em agosto de 2012, a cláusula de rescisão cifrada em €40 milhões de euros.

3.

Fonte: SL Benfica

Michel Preud’homme – “Saint Michel” chegou ao SL Benfica em 1994, depois de uma excelente performance no Mundial dos Estados Unidos da América ao serviço da Bélgica, que lhe valeu o “Lev Yashin Award”, isto é, o prémio de melhor guarda-redes da máxima competição de Seleções. O que poderia ser melhor do que ter o melhor guarda-redes do Mundo a atuar no melhor Clube do Mundo? A minha memória de Preud’homme no SL Benfica prende-se mais aos seus últimos anos de Águia ao peito; ainda assim, não deixa de ser o mais impressionante guarda-redes que pude ver a defender as balizas da Luz. Com uma boa elasticidade, reflexos e elegante como um felino, “Saint Michel” salvou o Glorioso durante jogos a fio, evitando muitas mais humilhações durante a penosa segunda metade dos anos 90. Foi um dos jogadores que chegou ao nosso clube na altura errada. Cumpriu um total de 199 jogos ao longo de cinco temporadas.

2.

Fonte: SL Benfica

Pablo Aimar – Pára tudo! Vamos fazer o favor de voltar àquele dia de verão em 2008, com “Pablito” Aimar a chegar a Lisboa num avião privado, ao lado de Rui Costa. O sucessor do Maestro foi, a léguas, uma das transferências mais bombásticas da nossa História. Chegou ao SL Benfica já com um estatuto impressionante, depois de atuar em equipas como o CA River Plate, o Valencia CF e o Real Zaragoza, e de jogar ao lado de tantos jogadores de qualidade, como Javier Saviola (que viria a reencontrar na Luz, na temporada seguinte), Ariel Ortega, Santiago Cañizares, Roberto Ayala ou Patrick Kluivert. Não são todas as temporadas que um jogador deste calibre (que claramente faz a diferença) chega à nossa realidade. Inteligência, visão de jogo, técnica, drible, passe… Tudo isto estava em Aimar. O simples pisar o corte de relva era de craque. Cumpriu cinco temporadas com a Gloriosa vestida, deixando Lisboa como um ídolo aos olhos dos adeptos. Um dia, Diego Armando Maradora disse que “Pablito” era “o único jogador por quem valia a pena pagar bilhete”. Quando um dos melhores jogadores de todos os tempos diz isto, quem sou eu para acrescentar algo mais? Foi, simplesmente, um privilégio ter visto Aimar entrar no Estádio da Luz como jogador da casa.

1.

Fonte: SL Benfica

Jonas Gonçalves – Ah, o “Pistolas”… Ou, como gosto de dizer, “o João Vieira Pinto dos tempos modernos”. Um era o “Menino de Ouro”, o outro nasceu em Bebedouro, portanto qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência. Penso que Jonas é um jogador que já dispensa apresentações. A par de João Vieira Pinto é, quanto a mim, o melhor jogador dos últimos 30 anos. O vasto talento que possui fá-lo carregar uma equipa inteira às costas, sendo tremendamente decisivo quando necessário. Alto nível de finalização, técnica, decisão, visão de jogo, critério, execução, passe… Jonas é um predestinado que teve o azar de nunca ter chegado a um clube que soubesse como aproveitar da forma correta toda a sua qualidade, que o fizesse sentir como o ídolo que merece ser e que lhe desse toda a confiança para rentabilizar a 100% os seus pontos mais fortes. O camisola dez é já o segundo melhor marcador estrangeiro do SL Benfica, com 122 golos, e o 14.º melhor de sempre, mas a sua marca ficará na História muito para além dos números apresentados, ou não representasse de forma mítica o jogador “à Benfica”. Um dia, contarei aos mais novos como era ver Jonas jogar pelo SL Benfica. E, tal como quando falo com o meu avô sobre Eusébio, entenderei a mágoa que sentirão por não terem coincidido com o tempo com ele.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Bruno Costa

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