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Por que é que não há pontas de lança a sair do Seixal?

Gonçalo Batista · 3 min

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Gonçalo Guedes, João Félix, Renato Sanches, Gedson Fernandes, Tiago Dantas, Tomás Tavares, Nuno Tavares, Nuno Santos (os dois), Pêpê, Lindelof, Ederson…. Poderia continuar quase infinitamente a enumerar jogadores de elevada qualidade, espalhados por toda a Europa, que saíram da academia do Seixal.

Analisando com um olhar mais analítico os nomes que saíram da academia dos encarnados, é fácil notar uma tendência: a ausência de pontas de lança puros. A que é que se deve este défice posicional na frente de ataque? É apenas uma característica da academia encarnada ou será algo mais geral?

Todas as posições têm características e certas qualidades que podem ser treinadas e aperfeiçoadas. Um extremo pode melhorar a sua qualidade no um-para-um e aumentar a sua facilidade de cruzamento. Um médio pode apurar a sua qualidade de passe e compreender melhor as movimentações táticas das duas equipas.

Isto também se aplica, obviamente, aos pontas de lança. A qualidade no momento de finalização é algo que pode sempre ser aperfeiçoado. O trabalho tático de desmarcação e posicionamento é também uma importante skill no leque de habilidades de um ponta de lança. Contudo, o nível exibicional de um atacante estará sempre dependente de um importantíssimo fator: os golos.

Independentemente do quão exímia seja a exibição do atleta a nível técnico e posicional, o golo ou mesmo as oportunidades podem nunca surgir. O trabalho defensivo ou a criação de jogo para os colegas são capacidades muitas vezes menosprezados por adeptos e mesmo treinadores.

É impossível ensinar um jovem jogador a fazer golos: o faro de baliza ou está presente ou não está. Ao longo da sua carreira, os avançados atravessam picos e baixas de forma, estando estas sempre relacionadas com o golo. A falta de golos pode levar um atleta promissor à estagnação total.

Zé Gomes sofreu do mal de muitos avançados: a falta de golos
Fonte: SL Benfica

Voltando à academia do Seixal, a última grande promessa dos encarnados na frente de ataque foi Zé Gomes. O ainda jovem português foi sendo sucessivamente o melhor marcador em todos os escalões de formação pelos quais passou. Os golos que apontou, que lhe valeram a atribuição da alcunha “Zé Golo”, levaram o avançado português à equipa principal das águias.

Desde a oportunidade de Zé Gomes na equipa principal do Benfica, o rendimento do português tem vindo a decair de época para época. Os golos começaram a ser cada vez mais raros e as oportunidades tanto nos encarnados como nas seleções nacionais desapareceram. A esperança em Zé Gomes é já muito pequena. Um jogador que prometia tanto, mas que de um momento para o outro deixou de fazer abanar as redes.

Esta situação leva-nos à questão de se o nível exibicional do avançado sobe quando a equipa está num momento positivo ou se, pelo contrário, são as exibições e os golos dos avançados que elevam o nível da equipa. Eu viro-me mais para a segunda opção. Um grande avançado irá marcar golos independentemente do contexto, mas um avançado com menos qualidade poderá prosperar num sistema bem montado.

O ponta de lança é uma das posições mais respeitadas e adoradas pelos adeptos do desporto-rei, mas por vezes é uma posição muito ingrata. Formar pontas de lança é um processo incrivelmente difícil, sujeito a variados fatores. No entanto, no Seixal há vários jogadores que podem vir a dar grandes pontas de lança, mas teremos que espera para saber.

Foto de capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

Gonçalo Batista

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