Rafa e a importância da sorte

- Advertisement -

Há jogadores que, por variadíssimos motivos, não conseguem chegar ao patamar que o início da carreira perspetivava. Há questões relacionadas com o físico, com falta de atitude competitiva ou com o sucumbir à pressão de ser profissional. Há também outras de natureza indominável como a falta de oportunidades que resulta numa ausência de regularidade para o jogador se poder fazer mostrar.

Olhemos para o exemplo do Barcelona. Os Blaugrana têm, porventura, os melhores jogadores jovens do mundo. Mas quantos dos que chegam a idade senior têm hipótese de mostrar valor na equipa principal? Piqué e Busquets, para referenciar apenas dois, já são donos e senhores dos seu lugares há dez anos. A qualidade é tal que por muito que os produtos La Masia queiram, a chance de entrar é quase impossível.

Muitos destes jovens teriam o potencial, à partida, para fazerem carreira no Barça mas, face ao travão inicial, os índices de confiança baixam e o percurso desportivo torna-se, invariavelmente, mais curto do que o esperado. Num exercício relativamente fácil depreende-se que jogadores como Cuenca, Jeffrén, Sandro, Oriol Romeu, entre outros, tiveram um percurso descendente na carreira. A excepção será talvez Pedro Rodríguez, que, mesmo assim, nunca se afirmou como indiscutível no Chelsea.

A qualidade e o profissionalismo podem estar lá mas se não houver minutos, não há confiança e, por consequência, pode perder-se um jogador. Rafa, do Benfica, é um destes exemplos. O percurso do ex-Braga no Benfica não é tão linearmente mau como muitos querem fazer crer: quando Rafa se estreou pelos encarnados na época passada, em Arouca, foi o melhor jogador em campo.

Rafa Silva parece estar, finalmente, a dar cartas
Fonte: SL Benfica

Receções orientadas, definição exímia ou progressão em velocidade com bola foram algumas das qualidades que evidenciou. Só pecou num momento do jogo, o da finalização. Mal terminou a partida, o percurso de Rafa estancou: apanhou o vírus de lesão que assolava, à época, o plantel do Benfica e esteve várias semanas parado.

A partir daí, Rui Vitória cimentou um onze e Rafa, recuperado, encontrou obstáculos para entrar. Um jogador com as características do português é para jogar sempre. É aquele tipo de jogador arrogante, que se acha demasiado bom para estar no banco. E quando entra, entra desmotivado, sem crença.

São jogadores que se não estiverem com o mínimo de confiança não rendem. Têm medo de arriscar, de partir para cima do defesa, e definem mal. Foi mais ou menos isto que se passou com Rafa. O seu caminho tinha tudo para ser o esperado, não fosse a lesão.

O infortúnio de uns, é a benesse de outros. A lesão de Salvio, no início de fevereiro, converteu-se numa oportunidade derradeira para Rafa demonstrar o seu potencial. Iniciou timidamente, e numa posição onde nunca antes tinha jogado – fez carreira no Braga sempre à esquerda – mas agora é quase unânime que é um dos melhores jogadores do Benfica. Envolve-se com os colegas de forma inteligente, chega bem ao último terço – partindo, com segurança, para o drible – e define com a classe dos predestinados.

As recentes vitórias do Benfica, e subsequente melhoria de qualidade de jogo, estão em muito relacionadas com a entrada do extremo natural do Barreiro no onze. Rafa, em simultâneo com Jonas, Zivkovic, Cervi, Grimaldo e Pizzi, faz a equipa melhor e ganhar.

Rafa ilustra que a sorte é um dos fatores mais importantes na carreira de um jogador. Agora compete-lhe aproveitar e fixar-se, definitivamente, como titular indiscutível.

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Manuel Magalhães
Pedro Manuel Magalhãeshttp://www.bolanarede.pt
Mal sabia andar e já ia ao estádio ver os jogos do Gil Vicente, clube da terra natal. A paixão pelo relvado, pelos golos e pelas fintas, agarrou-se como uma doença e não mais saiu. Depois aprendeu a ler e a escrever e como não tirava más notas nas composições, aventurou-se na criação de blogues de bola. Mais tarde, na inconsciência dos seus dezoito, frequentou Ciências da Comunicação. Mantém vivo o sonho de ser jornalista desportivo, de derrubar chavões e fazer parte de uma nova era que pensa o futebol como um jogo para os criativos e inteligentes.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Rafael Obrador e a chegada ao Benfica: «Passei de jogar na segunda divisão para um clube de Champions League»

Rafael Obrador relembrou a chegada ao Benfica e a importância do capitão Nicolás Otamendi para a sua adaptação.

Futuro de Vinícius Júnior esclarecido: «Está resolvido»

Vinícius Júnior deve renovar o seu contrato com o Real Madrid nas próximas semanas. O jogador está feliz no clube espanhol.

Mercado: Benfica quer 2 reforços no verão para a mesma posição

O Benfica quer contratar dois reforços para o centro da defesa no próximo mercado de transferências: Nicolás Otamendi está de saída.

Real Madrid escolhe treinador para 2026/27: jogadores têm um preferido

Os jogadores do Real Madrid querem que Álvaro Arbeloa se mantenha no comando da equipa principal dos merengues na próxima temporada.

PUB

Mais Artigos Populares

Pedro Gonçalves chama a atenção: há 2 clubes a analisarem o craque do Sporting

Pedro Gonçalves pode vir a ser a próxima grande venda do Sporting. Aston Villa e Bayer Leverkusen estão interessados.

Benfica garante continuidade de Daniel Banjaqui: jogador vai renovar até 2031

Daniel Banjaqui vai continuar a ser jogador do Benfica. O lateral prepara-se para assinar um novo contrato com o emblema encarnado.

Filho de Maradona elogia McTominay: «Se o meu pai foi Deus, McTominay é Jesus»

Scott McTominay, estrela do Nápoles, voltou a receber elogios marcantes, desta vez comparado a Jesus por Diego Maradona Jr.