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Rafa e a importância da sorte

Pedro Manuel Magalhães · 3 min

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Há jogadores que, por variadíssimos motivos, não conseguem chegar ao patamar que o início da carreira perspetivava. Há questões relacionadas com o físico, com falta de atitude competitiva ou com o sucumbir à pressão de ser profissional. Há também outras de natureza indominável como a falta de oportunidades que resulta numa ausência de regularidade para o jogador se poder fazer mostrar.

Olhemos para o exemplo do Barcelona. Os Blaugrana têm, porventura, os melhores jogadores jovens do mundo. Mas quantos dos que chegam a idade senior têm hipótese de mostrar valor na equipa principal? Piqué e Busquets, para referenciar apenas dois, já são donos e senhores dos seu lugares há dez anos. A qualidade é tal que por muito que os produtos La Masia queiram, a chance de entrar é quase impossível.

Muitos destes jovens teriam o potencial, à partida, para fazerem carreira no Barça mas, face ao travão inicial, os índices de confiança baixam e o percurso desportivo torna-se, invariavelmente, mais curto do que o esperado. Num exercício relativamente fácil depreende-se que jogadores como Cuenca, Jeffrén, Sandro, Oriol Romeu, entre outros, tiveram um percurso descendente na carreira. A excepção será talvez Pedro Rodríguez, que, mesmo assim, nunca se afirmou como indiscutível no Chelsea.

A qualidade e o profissionalismo podem estar lá mas se não houver minutos, não há confiança e, por consequência, pode perder-se um jogador. Rafa, do Benfica, é um destes exemplos. O percurso do ex-Braga no Benfica não é tão linearmente mau como muitos querem fazer crer: quando Rafa se estreou pelos encarnados na época passada, em Arouca, foi o melhor jogador em campo.

Rafa Silva parece estar, finalmente, a dar cartas
Fonte: SL Benfica

Receções orientadas, definição exímia ou progressão em velocidade com bola foram algumas das qualidades que evidenciou. Só pecou num momento do jogo, o da finalização. Mal terminou a partida, o percurso de Rafa estancou: apanhou o vírus de lesão que assolava, à época, o plantel do Benfica e esteve várias semanas parado.

A partir daí, Rui Vitória cimentou um onze e Rafa, recuperado, encontrou obstáculos para entrar. Um jogador com as características do português é para jogar sempre. É aquele tipo de jogador arrogante, que se acha demasiado bom para estar no banco. E quando entra, entra desmotivado, sem crença.

São jogadores que se não estiverem com o mínimo de confiança não rendem. Têm medo de arriscar, de partir para cima do defesa, e definem mal. Foi mais ou menos isto que se passou com Rafa. O seu caminho tinha tudo para ser o esperado, não fosse a lesão.

O infortúnio de uns, é a benesse de outros. A lesão de Salvio, no início de fevereiro, converteu-se numa oportunidade derradeira para Rafa demonstrar o seu potencial. Iniciou timidamente, e numa posição onde nunca antes tinha jogado – fez carreira no Braga sempre à esquerda – mas agora é quase unânime que é um dos melhores jogadores do Benfica. Envolve-se com os colegas de forma inteligente, chega bem ao último terço – partindo, com segurança, para o drible – e define com a classe dos predestinados.

As recentes vitórias do Benfica, e subsequente melhoria de qualidade de jogo, estão em muito relacionadas com a entrada do extremo natural do Barreiro no onze. Rafa, em simultâneo com Jonas, Zivkovic, Cervi, Grimaldo e Pizzi, faz a equipa melhor e ganhar.

Rafa ilustra que a sorte é um dos fatores mais importantes na carreira de um jogador. Agora compete-lhe aproveitar e fixar-se, definitivamente, como titular indiscutível.

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Manuel Magalhães

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