A CRÓNICA: VITÓRIA INÉDITA DOS ALGARVIOS

Não há quem vença o FC Barcelona por 3-0 e não defronte o adversário seguinte do alto de um pedestal. No caso, o SL Benfica revelou, diante do Portimonense, sofrer de vertigens.

Jorge Jesus bem que tinha avisado que o Portimonense SC podia ser melhor que a equipa espanhola a defender. Não foi só a defender que o Portimonense foi melhor que o FC Barcelona. Também o foi a atacar, pois conseguiu fazer o único golo que o Estádio da Luz, sem limite de lotação, viu no jogo.

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A equipa do Algarve conquistou uma vitória inédita no reduto do Benfica e continua sem perder fora de casa. Cai assim por terra a invencibilidade do líder que mudou o chip no que ao campeonato diz respeito e perde os primeiros pontos.

A ressaca nem sempre deixa os boémios desenvolverem as suas ações em conformidade com as suas intenções. Desta forma, o divertimento da noite europeia atrasou o Benfica na imposição do seu jogo.

O Portimonense esteve razoavelmente bem nos primeiros vinte minutos. A ousadia em termos de pressão anulou os encarnados. Ao mesmo tempo, ia encontrando espaços para se chegar à frente. Que o diga Vertonghen que não fosse o bom tratamento da relva do Estádio da Luz e tinha esfolado os joelhos a impedir que Aylton lhe escapasse.

Empenhadas em emendar o que tinha corrido menos bem numa fase inicial, as águias tentaram, por Yaremchuk e Darwin, meter o dedo nas feridas que até então não se tinham aberto na defesa algarvia. Samuel ia-se agigantando.

A defesa do guarda-redes do Portimonense a um remate de livre de Grimaldo deu-lhe a moral que precisava para se sair a um Rafa isolado e brilhar de novo. O duelo (Samuel) Portugal/Espanha estava intenso. O defesa espanhol teve nova tentativa de cabeça que teve o mesmo resultado que a primeira.

Quase que a segunda parte começava em beleza para o Benfica. O VAR detetou uma posição irregular no ataque, invalidando o golo a Yaremchuk e rapidamente trouxe as águias de volta à terra.

Se Rafa agitava, Darwin era incapaz de entornar o caldo e meter água num Benfica a ferver. O escaldão foi maior quando Lucas Possignolo desviou um canto e, este golo sim, subiu ao marcador.

O assédio à baliza do Portimonense acentuou-se. Quando não estava Samuel para segurar a vantagem, estava um colega em personificação da solidariedade demonstrada pelo conjunto alvinegro que não mais deixou fugir a vantagem.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Samuel Portugal – Foram quatro defesas brilhantes aquelas que fez no término da primeira parte. Segurou aí as maiores oportunidades do Benfica.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Darwin NúñezEsta época, ou bisou ou não marcou. É certo que um avançado nem sempre tem que marcar para jogar bem, mas o uruguaio teve oportunidades vantajosas para o fazer e nem finalizar conseguiu.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

Jorge Jesus disse que não era preciso estudar muito a matéria para este jogo. No entanto, alguém faltou às aulas em que se deram novos conteúdos. O sistema de três centrais do Portimonense causou problemas aos encarnados.

Rafa continua a ser o fator surpresa do ataque benfiquista. No 3-4-3, o camisola 27 apareceu mais vezes sobre a direita, mas mudou com facilidade de coordenadas. Foi o maior impulsionador do ataque, embora tenha definido mal em várias situações.

Quanto a Darwin Núñez e Roman Yaremchuk, o Benfica ofereceu o ucraniano às referências defensivas do Portimonense e o uruguaio teve mais liberdade de movimentos. A dupla, Julian Weigl e João Mário, passou despercebida.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Odysseas Vlachodimos (5)

Gilberto (5)

Lucas Veríssimo (5)

Nicolás Otamendi (5)

Jan Vertonghen (5)

Álex Grimaldo (6)

Julian Weigl (5)

João Mário (5)

Rafa Silva (7)

Darwin Núñez (5)

Roman Yaremchuk (5)

SUBS UTILIZADOS

Gil Dias (5)

Adel Taarabt (6)

André Almeida (5)

Gonçalo Ramos (-)

Everton (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTIMONENSE SC

Paulo Sérgio jogou um trunfo valioso. A adição de um central ao onze, abdicando de um avançado e jogando em 3-5-3, não poderia ter sido mais acertada.

Os três homens de meio-campo tinham superioridade sobre os do Benfica. Tal situação beneficiou o Portimonense que foi capaz de ligar o jogo por dentro e sair para o ataque. Em simultâneo, blindou o corredor central onde o seu adversário tem por hábito ser letal.

Aylton e Fabrício, a jogarem em cunho na frente, não se cansaram de solicitar passes nas costas da defesa. Mesmo desapoiados foram sendo capazes de deixar os defesas em sentido sem que a equipa deixasse espaços atrás.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Samuel Portugal (8)

Fahd Moufi (5)

Lucas Possignolo (6)

Willyan Rocha (5)

Pedrão (6)

Fali Candé (6)

Pedro Sá (7)

Carlinhos (6)

Lucas Fernandes (5)

Aylton Boa Morte (6)

Fabrício (5)

SUBS UTILIZADOS

Iván Angulo (5)

Wilinton Aponza (5)

Filipe Relvas (-)

Henrique Jocu (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 

SL BENFICA

Não foi possível colocar questão ao treinador do SL Benfica.

PORTIMONENSE SC

Bola na Rede: No 3-5-2 que a equipa apresentou hoje, manteve três homens no meio-campo e teve superioridade nessa zona em relação ao Benfica o que permitiu ligar o jogo por dentro e, em certos momentos, até ser mais ousado na pressão. Era aí que considerava estar a chave tática do jogo?

Paulo Sérgio: Sim, mas, em dados momentos do jogo, estava preparado não para uma superioridade, mas para uma igualdade. Neste sistema de jogo, o Benfica vai variando. É completamente diferente defender o Benfica com o Rafa por dentro ou defender o Benfica com o Rafa por fora. Ainda na primeira parte, o Jorge [Jesus] alterou, porque o Rafa não estava a conseguir ter bola dentro. Fomo-nos adaptando com quem tínhamos dentro do campo. Quando se escolhe um onze tem que se pensar nessas coisas. Se o adversário fizer esta nuance tática, como é que reagimos? Estávamos preparados para uma coisa e estávamos preparados para outra. A equipa reagiu e adaptou-se muito bem. O Pedro Sá fez um jogo, taticamente, impressionante. Quando o Rafa abriu na direita, o Pedro Sá complementou muito bem as costas do Fali [Candé] para o Fali poder manter a pressão alta na saída do lateral do Benfica. Os dois homens da frente fizeram um trabalho muito desgastante a pressionar o mais alto possível para permitir que a equipa não se encostasse atrás. A ideia era manter o Benfica o mais longe possível da nossa baliza. Obviamente que muitas vezes não o conseguimos e recorremos à solidariedade e entreajuda. Fizemos um bom jogo de coberturas e de compensações para limitar ao máximo as potencialidades do Benfica.

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