Última horaManchester United pode provocar ‘terramoto’ no que diz respeito aos treinadores: eis o alvo dos red devils
Publicidade

SL Benfica 1-1 AFC Ajax: Pode servir, mas não mata a fome

André Maia · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O Sport Lisboa e Benfica empatou hoje com o AFC Ajax por 1-1, em jogo a contar para a quarta jornada da Liga dos Campeões, complicando assim as contas da qualificação. Com duas derrotas e uma vitória em três jogos, o Benfica não podia perder, sob consequência de ser automaticamente eliminado, mas um empate também não facilitaria as contas. Para isso, Rui Vitória fez três alterações na equipa titular face à última partida, frente ao Moreirense: entraram Gabriel, Cervi e Salvio, e saíram Pizzi, Rafa e João Félix. Novidade também para o regresso de Filip Krovinovic, mas no banco.

Uma equipa mais tecnicista nas alas poderia dar outro poder ofensivo ao Benfica e foi precisamente isso que aconteceu logo ao início da partida. E que início! Os encarnados entraram com a corda toda e aos trinta segundos de jogo já Grimaldo testava os reflexos de Onana, com um remate de longe. Ao quinto minuto foi Cervi a fazer o mesmo, com um remate cruzado depois de boa combinação com Salvio: mais uma vez Onana a defender, desta vez com a perna.

Alguns minutos depois houve “cubo de gelo” na Luz. Jonas choca com Matthijs de Ligt e fica caído, em mau estado. Saiu de maca, mas entrou instantes depois. Contudo, fica a sensação de que de Ligt deveria ter sido sancionado, por ter saltado de cotovelo levantado. Com a assistência ao avançado brasileiro, a partida parou e o ritmo de jogo abrandou.

Ainda que sem um claro dominador nesta fase do encontro, eram notáveis as diferenças entre Benfica e Ajax: os holandeses pareciam muito mais entrosados, saído mais facilmente de zonas de pressão e trocando a bola com mais qualidade, ainda que sem remates. Já o Benfica aparecia mais vezes em zonas de perigo, mas tinha bastante dificuldade em ter bola, fruto da boa gestão de posse do Ajax e da sua pressão alta.

Ao minuto 28, e num período mais lento da partida, nasce o primeiro golo! Lançamento longo de linha lateral do lado direito do ataque, Salvio põe na área e Jonas fuzila, depois de erro imperdoável de Onana. Muito mal o guardião camaronês, a sair sem critério e a falhar na bola. Jonas, na sobra, a atirar para golo. 1-0, no primeiro tento encarnado em casa e para a Liga dos Campeões desde… setembro de 2017.

O golo teve o condão de abrir o jogo e voltar a ligá-lo. E até foi o Ajax a aparecer, ainda que Jonas tenha tido mais um cabeceamento fraco logo a seguir ao golo. Os holandeses voltaram a tomar conta do meio-campo e a sair com bola controlada. Com muita presença perto da área, foi de bola parada que aproveitaram para criar perigo. E que perigo!

Ao minuto 37, Ziyech ensaiou um primeiro livre, defendido com categoria para Vlachodimos. Sabia lá o guardião benfiquista que o remate seria só um aquecimento para o momento mais perigoso do jogo, durante o período de compensação: novo livre direto, “míssil” de Lasse Schone e Vlachodimos a voar para a defesa da noite. Que parada!

Mas não acabou ali: na recarga, Ruben Dias corta a bola com as costas sobre a linha, com esta a sobrar para cruzamento holandês, não finalizado por centímetros por de Jong, com a baliza escancarada. Intervalo e suspiro encarnado: vantagem justa pela boa exibição defensiva, mas com o Benfica a precisar de corrigir algumas coisas para ter mais bola.

Na segunda parte chegou o golo do Ajax, que pôs um ponto final no resultado
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

A segunda-parte começou com contrariedades para a equipa de Rui Vitória: em sete minutos, o treinador do Benfica perdia Salvio e Jonas, por lesão. Entraram para os seus lugares Rafa e Seferovic, respetivamente, mas os encarnados ressentiram-se do revés. Ziyech avisou, com um cabeceamento, e Tadic, minutos depois, não perdoou: golo do Ajax!

Grande passe de Ziyech, a procurar Dusan Tadic na velocidade, e o sérvio a ultrapassar Rúben Dias e Vlachodimos e a encostar para o golo, já em queda. Empate ao minuto sessenta!

Apesar da imediata reação encarnada, com remate de Grimaldo no minuto seguinte, bem assistido por Gabriel, foi o Ajax que se superiorizou durante alguns minutos: sempre com pressão elevada e movimentos rápidos, a bola chegou várias vezes à área de Vlachodimos, mas sem real perigo.

Esse, só reapareceu no fim. Primeiro foi Seferovic, num remate cruzado aos 81′ minutos, para defesa de Onana e depois… depois quase caiu o Estádio da Luz. Último lance do jogo. Canto. Bola pinga na área e cai aos pés de Gabriel. O médio do Benfica atira e todos gritam golo, mas… Onana aparece no caminho da bola e defende, para desespero dos adeptos.

A partida terminava ali e, quem sabe, talvez também as esperanças dos encarnados em seguir em frente na Liga dos Campeões. A quatro pontos do Ajax, é preciso que os holandeses percam com Bayern e, pelo menos, empatem com AEK, mas com atenção à diferença de golos. Vida difícil para o Benfica e Rui Vitória, que saíram para os balneários com um mar de lenços brancos.

Onzes iniciais:

SL Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Ruben Dias, Jardel, Grimaldo, Fejsa, Gabriel, Gedson Fernandes (Pizzi, 75′), Salvio (Rafa Silva, 48′), Jonas (Seferovic, 55′), Cervi.

AFC Ajax: Onana, Mazraoui, de Ligt, Daley Blind, Tagliafico, Schone, Frankie de Jong (Wober, 86′), van de Beek, Tadic, Ziyech, Neres (Dolberg 74′).

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Jonas – Olhar para Jonas em campo é olhar para a personificação de uma lenda. O avançado dos encarnados dá tudo o que tem e o que não tem quando veste “o manto sagrado”. Com um sistema tático que o deixa muito abandonado na frente, o brasileiro tenta fazer o papel de dois pontas-de-lança. Ele corre, ele vem buscar jogo atrás ou até à ala. Com tanto esforço, só podia dar golo, o primeiro na Champions desde 2016. Acabou por não aguentar tanto trabalho e saiu lesionado. Menção honrosa também para Vlachodimos, a salvar o Benfica com defesas de classe mundial, e para Ziyech, que tem magia nos pés e criatividade sobrenatural.

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Gabriel – Sem ideias e, talvez, sem técnica para as pôr em prática. Gabriel ainda não caiu nas graças dos adeptos e percebe-se porquê. Ainda que seja merecido um período de tempo para adaptação, a verdade é que é difícil tolerar tantas falhas do médio “encarnado”. Quando tocou na bola, raramente acertou: passes, posicionamento, até o último remate! Muito trapalhão e a precisar de confiança. Referir também a falta de posse dos encarnados, o erro de Onana no golo do Benfica – ainda que corrigido durante a partida -, e o mau comportamento dos adeptos holandeses instantes antes do jogo: para quem deu tanto espetáculo durante a partida, não condiz a sua atitude, que só foi corrigida com carga policial.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

André Maia

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

A ligação do Celtic à cidade de Lisboa e a rumaria ao Jamor (1967)

A edição 2026/27 da UEFA Europa League marca o regresso do Celtic a Portugal, em especial à cidade de Lisboa. Onde já foi feliz e conquistou o maior título do seu palmarés: a Taça dos Campeões Europeus 1966/67. O momento é ainda mais histórico quando se olha para o histórico dos bhoys no nosso país. O Celtic jogou no nosso país por 13 vezes (12 contra equipas portuguesas) e venceu por três ocasiões. Duas das mesmas foram contra equipas lusas, ao Boavista (1-0 em 2002/03) e Vitória SC (2-1 em 1998/99). Na capital foi sempre derrotado por Benfica (quatro vezes) e Sporting (duas vezes). A exceção foi mesmo no dia 25 de maio de 1967.   Perante um Portugal ainda assombrado pela ditadura do Estado Novo, mas ainda assim anfitrião da final da competição, foi no Estádio do Jamor que se presenciou uma das mais épicas finais de sempre da Taça dos Campeões Europeus. Frente a frente com o Celtic estava o Inter de Milão. O estatuto de ambos não podia ser mais diferente. Enquanto os escoceses estavam numa final da Taça dos Campeões pela primeira vez, os italianos já eram bicampeões (venceram a competição em 1964 e 1965). Tal como era a primeira vez que uma equipa britânica estava na final, em contraste com os italianos que já a tinham vencido por três vezes (AC Milan em 1963 além das duas eterno rival da mesma cidade).

Jorge Afonso · 3 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Entrada à guerreiro na Dinamarca | FC Copenhaga x Braga

Tem início esta quinta-feira (dia 15 de outubro), a sexta edição da UEFA Conference League. Sinónimo de começo da caminhada da única equipa portuguesa na competição. O Braga desloca-se à Dinamarca para defrontar o Copenhaga. Duas equipas que têm um percurso semelhante na Conference League até ao momento. Ambas tiveram acesso à mesma através da passagem de três eliminatórias, os dois emblemas venceram quatro jogos e empataram dois e procuram agora entrar na competição com uma vitória. Se Copenhaga e Braga têm ambições a fazer um percurso europeu notável, o único aspeto que separa as duas equipas a nível interno. Se uma é já uma tradicional candidata ao título no seu país, a outra ainda está um patamar atrás dos tradicionais (três) candidatos. Entrar a ganhar na Conference League é muito importante para a equipa de Carlos Vicens começar um novo ciclo de bons resultados. Ocupando atualmente o sétimo lugar na Liga Portuguesa tendo mais jogos não ganhos (quatro) do que ganhos (três) e tendo tantos golos sofridos como marcados (oito cada), é relevante para os bracarenses reverter a situação o quanto antes. Dentro da própria equipa, a situação não aparenta estabilidade total. Se é verdade que o modelo tático é o mesmo desde a época passada e as próprias opções, que são múltiplas para cada posição, têm tido utilização regular, também é verdade que Vicens ainda não repetiu totalmente um onze de um jogo para outro. De jogo para jogo, tem existido praticamente uma alteração por setor, existindo sempre alguma incerteza nas opções e são poucos os que em condições normais são considerados "titulares indiscutíveis".

Jorge Afonso · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.