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Estamos acostumados a ouvir que a Taça de Portugal está muitas vezes associada a uma festa – “Festa da Taça” – que representa as surpresas que esta prova reserva e o espírito familiar que promove juntos dos adeptos de futebol em Portugal. No entanto, a grande maioria de nós só refere a tão conhecida expressão “Houve Taça” quando um clube menos favorito surpreende e elimina um clube com responsabilidades na conquista da prova. Não concordamos muito com esta visão. Ontem houve espectáculo, houve muitos golos, houve magia e, por isso, houve taça.
Quanto ao jogo propriamente dito, poderíamos dizer que mudou aos três e acabou aos seis, numa partida em que o SL Benfica praticamente começou a ganhar com o golo de Cervi, aos dois minutos, que, assistido por Salvio, inaugurou o marcador.
E foi esse o mote para um jogo de domínio avassalador dos encarnados, que “apenas” aumentaram a vantagem aos 39 minutos, através de um remate bem colocado de Pizzi, muito por responsabilidade de um insipirado Gottardi, que, numa noite bastante ingrata, foi sustendo como pôde a desvantagem mínima, negando o golo a Gonçalo Guedes ao minuto 12 e a Salvio ao minuto 24.

Fonte: SL Benfica
Mas esta era a noite dos comandados de Rui Vitória. Perto do final da primeira parte, uma fantástica arrancada de Nelson Semedo – é impressionante vê-lo ganhar os lances dando dez metros de avanço a qualquer jogador – evitou que um passe de ruptura de Samaris se perdesse pela linha final e, com a “finta de Zidane”, ganhou espaço para cruzar, à segunda, para finalização fácil de Mitroglou. 3-0 ao intervalo.
Mas, se esperavam um abrandamento da turma da Luz pensando no jogo da Turquia, enganaram-se! A segunda parte começou com a mesma intensidade e com o mesmo marcador. Mitroglou a passe, in extremis, de Gonçalo Guedes bisou na partida. Corria o minuto 53.
Tinha a palavra Rui Vitória, e, ao minuto 57, substituiu Mitroglou por Jiménez. que acabaria por assinar a folha de marcadores, ao minuto 69, através da conversão de uma grande penalidade por mão na bola cometida pelo jogador maritimista Samuel, que acabaria expulso.
O jogo encaminhava-se pacificamente para o final – é de registar o regresso de Rafa Silva aos relvados, estreando-se na Luz com a camisola do Benfica – mas não poderia terminar sem o golo da noite da autoria de Gonçalo Guedes, que coroou, aos 88 minutos, uma exibição de luxo do jovem jogador made in Seixal.
Resultado final: 6-0. Exibição de gala do Benfica antes da deslocação ao terreno do Besiktas.
A FIGURA

Gonçalo Guedes – Também poderia ser Nelson Semedo ou Pizzi, mas o camisola 20 das águias está numa fase de crescimento fantástica e, não só pela assistência e pelo golo que marcou, merece este reconhecimento pela vontade, pela garra e pela intensidade que imprime no seu jogo. Se conseguir aprimorar a decisão no momento do passe e do remate podemos fazer-lhe as malas porque não fica por cá muito tempo.
O FORA-DE-JOGO

Samuel – Na verdade o título é atribuído em representação da equipa insular. Levou um cartão vermelho por mão na bola, tal como o Marítimo recebeu ordem de expulsão da taça por falta de intensidade na disputa da bola, falta de ideias de construção de jogo, e pelos inúmeros erros defensivos que foi somando ao longo da partida. Salva-se Gottardi. Não merecia nada disto.
Foto de Capa: SL Benfica












