SL Benfica | Há 60 anos, a Europa foi encarnada!

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60 anos, velas sopradas no passado 31 de maio. Nesse dia, em 1961, o SL Benfica resistiu heroicamente a um cerco avassalador: três claríssimas bolas de golo salvas sobre a linha e quatro bolas nos postes – quadrados ainda, à época, redondos a partir daí pelos contornos caricatos da derrota espanhola.

Nada, porém, que desmereça o sentido prático português e a capacidade de sofrimento dos onze mágicos que entraram num Wankdorf à pinha (28 mil espectadores) para lutar contra o favoritismo culé. Com a camisola do FC Barcelona surgia uma das linhas avançadas mais afamadas – Kubala, Evaristo, Suárez, Czibor e Kocsis.

Os dois últimos, participantes no ‘Milagre de Berna’, de 1954 – quando Adi Dassler, fundador da Adidas, garantiu o Mundial para a Alemanha Ocidental com recurso à sua tecnologia pioneira de chuteiras com pitons amovíveis -, ocorrido nesse mesmo recinto, entravam pois já desconfiados, com a superstição à perna: e confirmou-se a maldição daquele estádio para a geração de ouro Magyar, prova irrefutável da Lei de Murphy, gerando-se derrota traumática para o FC Barcelona, que só seria vingada em… 1992, no pontapé de Koeman à UC Sampdoria.

O SL Benfica entrava nessa edição da Taça dos Clubes Campeões Europeus sem grandes perspetivas. Só por uma vez um clube lusitano tinha ultrapassado a primeira eliminatória – em 58-59, quando o Sporting CP caiu na segunda ronda frente ao Standard Liège – e os favoritos estavam no país ao lado.

Béla Guttmann foi o obreiro do título do SL Benfica
Béla Guttmann foi o obreiro do título do SL Benfica
Fonte: SL Benfica

O Real Madrid CF, vencedor das cinco primeiras edições, e FC Barcelona, campeão espanhol e que tinha acabado de despedir o mago Helenio Herrera, por queixas da afición relativas ao aborrecido cattenaccio que conquistaria a Europa anos depois. Numa fase de domínio latino do futebol continental, a Juventus FC de Sívori era outra das candidatas.

O SL Benfica não era protagonista nas casas de apostas e foi com surpresa que se assistiu à eliminação do Hearts FC, campeão escocês. A 29 de Setembro, o Portugal desportivo surpreendia-se com a vitória benfiquista por 1-2 no Tyne Castle Park. Na Luz, o 3-0 fazia igualar o recorde leonino. Seguia-se o Ujpest, representante húngaro e antigo clube de Béla Guttmann, onde fora campeão em 1946-47. Espaço para sonhar?

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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