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SL Benfica | E depois do adeus das modalidades, qual é o futuro?

Márcio Francisco Paiva · 3 min

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Na passada quarta-feira, dia 29 de abril, foi anunciado o cancelamento do remanescente calendário desportivo referente às principais modalidades de pavilhão. As diferentes federações deram por terminados os campeonatos nacionais sem atribuição de títulos. Exceção feita à Federação de Andebol, que já indicou o FC Porto para a EHF Champions League, ainda não há novidades no respeitante aos participantes nas provas europeias.

Aliada à pandemia em curso, a ausência do SL Benfica das principais provas europeias de modalidades pode significar um menor investimento nos plantéis, e uma menor capacidade de planeamento da época que se avizinha – e, por consequência, das seguintes. Num momento em que se afigurava previsível um recrudescimento do investimento nas modalidades encarnadas masculinas e femininas, importa atentar no futuro próximo das mesmas.

Em primeiro lugar, não me parece que a estrutura encarnada deixe cair por completo qualquer projeto. Acredito que a ideia geral e principal seja a de tentar assegurar a continuidade de todos os planos previamente traçados. No entanto, não será estranho se as modalidades menos consagradas das águias sofrerem um pouco mais do que as restantes.

As equipas femininas de voleibol, que lutavam pela subida ao primeiro escalão, de basquetebol, em projeto de crescimento para começar a gladiar pelo título nas épocas vindouras, e de andebol, criada na época passada e que nesta época lutava pelo pódio, poderão ser mais afetadas pelo expectável plano de contenção encarnado. Isto numa perspetiva de investimento nas mesmas. Por outro lado, será mais fácil manter estes plantéis do que outros, uma vez que são das equipas menos dispendiosas do ecletismo benfiquista.

Por sua vez, acredito e desejo que não sofram um grande baque as modalidades que, nos últimos anos, têm feito do ecletismo das águias um triunfo. Não será fácil, de maneira alguma, investir em todas elas, mas o esforço deve ser feito. As equipas femininas de futsal e de hóquei em patins, ambas na cimeira europeia das respetivas modalidades, e as equipas masculinas de voleibol, basquetebol, futsal e hóquei devem ver o seu crescimento nas recentes épocas salvaguardado.

Domingos Almeida Lima, vice-presidente para as modalidades, mostrou-se dececionado pelo término das competições, mas concordou com a decisão
Fonte: SL Benfica

No plano nacional, é imperativo continuar a montar equipas competitivas e capazes de verdadeiramente batalhar pelos títulos. No plano europeu, importa não deixar fugir o comboio. Seguramente não será o SL Benfica a locomotora, mas é fulcral que os encarnados estejam nas carruagens da frente.

Não será fácil fazê-lo em certas modalidades. No futsal, por exemplo, SL Benfica e Sporting CP, que já se sagraram campeões europeus da modalidade, vão deparar-se com um campo mais competitivo do que em anos anteriores, que inclui Inter Movistar FS, FC Barcelona Lassa, El Pozo Múrcia, ACCS FCA 92, Kairat, entre outros, a partirem como favoritos, sobretudo pela superior capacidade financeira.

Todavia, as águias precisam de continuar a apostar na competitividade europeia das suas modalidades, acreditando que essa aposta será recompensada num futuro não muito longínquo. Naturalmente, não importa entrar em loucuras, mas não pode a famosíssima estrutura encarnada deixar cair, por exemplo, os projetos do voleibol e do basquetebol masculinos, que, na época agora terminada, participaram em competições europeias não desbravadas por clubes portugueses. Não podem cair as equipas femininas de futsal e de hóquei em patins, que hão provado época após época estarem no topo da Europa nas suas modalidades.

Isto não quer dizer que outras equipas possam ser ostracizadas. Apenas rogo por uma meritocracia: caso escolhas tenham que ser feitas, que se priorize consoante o mérito e não consoante quaisquer outros fatores. O ideal, contudo, seria apostar “à grande”, mesmo nas modalidades que hão fraquejado nos anos recentes. Felizmente, acreditando nas notícias recentemente veiculadas, esse ideal poderá concretizar-se. Porquê?

O andebol masculino tem sido das forças menos pujantes dos encarnados. Para o colocar na contenda com FC Porto e Sporting CP pelo título nacional, teria que existir uma aposta quase monstruosa, quase descabida na referida modalidade. Como tal, seria expectável que a equipa masculina de andebol do SL Benfica sofresse um pouco no pós-pandemia. No entanto, as notícias recentes vão em sentido contrário.

Chema Rodríguez, espanhol de 40 anos prestes a terminar a carreira de jogador, que conjuga com a de técnico-adjunto da seleção húngara, será o novo homem do leme. O plantel será reforçado – não é reformulado, é REFORÇADO – como nunca foi, com a chegada de jogadores de calibre internacional verificado. O andebol masculino das águias prepara-se, dessa forma, para dar um salto qualitativo, mesmo após um cenário de pandemia.

Se assim é com o andebol, acredito (ou gosto de acreditar) que assim será com todas as modalidades que fazem do Sport Lisboa e Benfica um clube eclético.

Artigo revisto

Márcio Francisco Paiva

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