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Filip Krovinovic | Cansado, afastado e agastado

Márcio Francisco Paiva · 3 min

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O SL Benfica é neste momento uma casa a arder, adquirindo a expressão “Inferno da Luz” um novo e indesejado significado. Entretanto, as fugas de gás que vão acentuando a intensidade do incêndio parecem ocorrer em catadupa. Uma dessas fugas de gás surgiu na forma de uma fuga de informação privada de Filip Krovinovic.

Em conversa informal com um “amigo” (chamemos-lhe assim por conveniência vocabular), Filip Krovinovic desabafou sobre a delicada situação desportiva em que se vê inserido no SL Benfica. No áudio que tem circulado pela Internet e não só, ouve-se o médio croata a revelar ao interlocutor do outro lado da chamada que Jorge Jesus não lhe havia dado qualquer minuto de jogo na partida de pré-época frente ao SC Covilhã.

Audivelmente melindrado pela situação, o jogador de 25 anos insulta o treinador das águias de forma leviana. A punição foi imediata e o croata foi afastado dos trabalhos do plantel. Verdade seja dita, parece que antes já não estava propriamente dentro dos mesmos. Talvez importe perguntar: “a punição justifica-se ou trata-se de uma reação exagerada perante uma situação normal?”.

Antes de responder, deixo apenas a nota de que o “amigo” de Krovinovic teve uma atitude absolutamente reprovável segundo qualquer padrão moral e, acima de tudo, segundo qualquer código de amizade. No entanto, o áudio é agora público e as consequências para o médio dos encarnados já se fizeram sentir.

Mas, justifica-se a punição? Sim e não. Isto é, do ponto de vista da gestão externa do grupo (ou seja, a gestão de dentro para fora) é compreensível que se puna o futebolista, visando assim dar um sinal de que estão bem estabelecidas no grupo de trabalho as hierarquias de autoridade.

Ao castigar o jogador, o SL Benfica mostra que atitudes que possam ser nocivas para o grupo de trabalho serão alvo de escrutínio e sanção, transmitindo uma mensagem para fora (mas também para dentro) centrada na imposição de respeito para com quem, dentro do grupo, goza de mais autoridade.

Jesus, como treinador, tem mais autoridade do que os jogadores sob a sua alçada e, ao ser desrespeitado, será protegido e o desrespeitador será punido – é, no fundo, esta a mensagem. Por outro lado, numa visão meramente interna da gestão do grupo, muito provavelmente não se justificava tão dura sanção.

Haveria, natural e necessariamente, uma conversa entre treinador e jogador (eventualmente com a presença do restante grupo de trabalho), mas tudo seria sanado, acredito eu. Em condições normais, a expressão do seu descontentamento – ainda que com um insulto nada agradável – não seria suficiente para que o jogador fosse alvo de consequências desta magnitude e este continuaria, acredito eu mais uma vez, a trabalhar junto do grupo.

O problema é que as condições que circundam o caso não são normais. A conversa, idealizada por Krovinovic como privada, tornou-se pública num ato de má-fé e gerou uma onda de reações e de pressões externas que acentuaram a necessidade de haver uma reação dura da parte da estrutura e da equipa técnica encarnadas.

Posto isto, não sou capaz de dar uma resposta que não seja híbrida, considerando que talvez não fosse preciso aplicar tão duro castigo a Filip Krovinovic, mas compreendendo que quiçá essa aplicação tenha sido a única forma de manter a estabilidade da relação treinador-jogadores.

Márcio Francisco Paiva

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