A vitória por 3-0 ante o FC Barcelona veio acicatar a discussão sobre o que falta para que o SL Benfica volte, de forma consistente, a brilhar na Europa.

Apesar da noite de gala no Estádio da Luz, naturalmente é pretendido que “brilhar na Europa” seja algo mais do que vencer um jogo – ainda que frente a um rival histórico que sempre colocou imensas dificuldades aos encarnados.

Já em modo campanha, Rui Costa tocou neste sensível ponto e reiterou o desejo de ver de novo o SL Benfica numa final europeia. Ainda que a vaguidade desta expressão – uma “final europeia” pode ser a final da Liga Conferência – dê margem de manobra a quem a remete, os sócios e adeptos do clube entendem por tal que a vontade é estar na final da Liga dos Campeões pela primeira vez desde que a prova assim é designada.

Anúncio Publicitário

E a vontade é muito importante, mas não chega. É preciso mais, muito mais para alcançar tal desiderato. Primeiro, mas não necessariamente mais importante, é imperativo ter individualidades de craveira europeia e, se possível, com experiência na alta-roda do futebol do Velho Continente. O plantel atual – e em particular o onze que iniciou a partida – já conta com algumas figuras próximas do protótipo desejado.

Todavia, é preciso ir gradualmente “limpando” o excesso e aumentando a qualidade do plantel. Para o fazer, talvez faça sentido colocar por fim em prática a tão apregoada e tão pouco materializada aposta na formação.

Não haverá no clube encarnado capacidade, jamais, para contratar os melhores do mundo. Poderá, no entanto, usufruir de alguns dos melhores jovens do mundo, tendo-os em casa (ou tal se tem narrado).

De seguida e ato contínuo, será preciso que os grandes jogadores formem um grande grupo e que o grande grupo forme uma grande equipa. Terá que existir no seio do grupo união, raça, crer e ambição. E até uma certa arrogância e preponderância de quem sabe – mais do que acredita – que vai ser feliz.

SL Benfica
As águias seguem imbatíveis esta temporada, com apenas um empate em nove jogos
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

No entanto, e acima de tudo, terá que haver um SL Benfica com mentalidade “à Benfica”. O “chip” tem de ser alterado e tem que estar programado para conquistas à imagem do passado glorioso do clube. E essa retornada mentalidade deverá permear o clube de “alto a baixo” – do presidente ao adepto mais desconectado.

Todavia, para que regresse tal mentalidade há algo de fundamental que terá que ocorrer: a exigência dentro (e fora) do clube tem que subir. O descontentamento positivo (porque “ser descontente é ser homem”, já dizia Fernando Pessoa) tem que ser uma constante. Nada que não o melhor pode ser suficiente. E, claro, isso inclui a vitória sobre o FC Barcelona.

Por mais importante, por mais emotiva, por mais rara, esta vitória não pode ser suficiente. É preciso mais. É exigido mais. É preciso exigir mais. E apoiar ainda mais do que se exige. Aí, talvez, com todos os fatores conjugados, se possa voltar a brilhar na Europa. Aí, talvez, se possa voltar a falar… do Glorioso.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome