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João Amaral Santos · 3 min

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O ano começou confuso; nada se alterou verdadeiramente, porém, o ruído provocado por alguns dos nossos dirigentes e treinadores atingiu, neste período, níveis intoleráveis. Tais declarações – da responsabilidade dos representantes máximos de FC Porto e Sporting (onde se inclui, pasme-se!, um líder de uma claque) –, converteram-se, sem surpresa, antes como habitualmente, num ataque injustificado ao Benfica, mas também, desta vez, e principalmente, numa campanha de intimidação bem ao jeito dos infames anos oitenta sobre os principais árbitros portugueses. Uma acção que, na prática, valeu ameaças presenciais e directas às vidas dos juízes Artur Soares Dias e Nuno Almeida.

Acompanhei atentamente, desde o início, tudo o que se passou e se disse – toda esta estratégia desesperada e irresponsável. A tentativa de retirar mérito ao brilhante percurso do Benfica é já um clássico; tal como o de criar um clima desconfortável, infundindo medo e condicionando as arbitragens. Neste caso, no entanto, o principal objectivo de tamanha histeria visa, mais do que alterar uma tendência, desresponsabilizar todos aqueles que, por mais voltas que dêem, por mais que invistam – ironizem ou desenhem –, demonstram, a cada semana, perante todos os que querem (ou conseguem) ver, uma total incapacidade, ou pelo menos ineficiência, para atingirem os objectivos a que se propuseram na época corrente.

A falta de escrúpulos destes dirigentes e treinadores permitiu-lhes, neste período, não olhar a meios para se protegerem a si mesmos, aos seus actuais empregos e às suas carreiras, desrespeitando todos e quaisquer adversários (V. Setúbal e Moreirense incluídos), os restantes agentes desportivos, o próprio jogo, não hesitando em lançar cortinas bíblicas de areia contra os olhos dos cobradores, ou seja, dos sócios e adeptos dos clubes que os empregam e que, entretidos pela rivalidade, os continuam a fazer enriquecer.

Em Portugal, quem é melhor que este Benfica? Fonte: SL Benfica
Em Portugal, quem é melhor que este Benfica?
Fonte: SL Benfica

Dirigentes como Pinto da Costa e Bruno de Carvalho prolongam, assim, por mais um pouco (embora, certamente, não por muito mais), as vantagens que os seus cargos lhes garantem; treinadores como Nuno Espírito Santo e Jorge Jesus aproveitam o diapasão, fazem pelas (suas) vidas, justificando, sem excepção, as más exibições e os maus resultados, os afastamentos precoces das competições, com razões que lhes são distantes e estranhas.

Alguma comunicação social – com destaque para alguns especialistas disto e daquilo –, alinhou por quem fala mais grosso e mais esbraceja, por muito que os discursos proferidos redundem, invariavelmente, num imenso vazio. Numa jornada de Taça da Liga marcada pela inexperiência das equipas de arbitragem, da qual resultaram inúmeros erros, no Estádio da Luz o Benfica contornou um golo mal anulado e um penálti não assinalado com bom futebol, quatro golos e a consolidação do 1.º lugar do seu grupo, confirmado, de resto, com naturalidade, na visita seguinte a Guimarães.

É um bom exemplo do que um “grande” pode e deve fazer, mesmo que recorrendo aos seus jovens valores – reduzindo cautelosamente a média de idades das suas equipas, caso seja necessário –, ou jogadores menos utilizados, numa prova disputada, nesta fase, não por eliminação, como alguns convenientemente crêem, mas em três jornadas, disputadas num curto espaço de tempo, onde o sucesso se mede, sobretudo, pela regularidade de cada participante.

No dia seguinte, as primeiras páginas navegaram voluntariamente pelo lamaçal, dando eco às palavras e aos gestos de quem perdeu o jogo, a própria prova, e a decência. Tratou-se de legitimar as tristes figuras de dirigentes e treinadores, acompanhados, em idêntica escala de ridículo, por vários jogadores, dentro e fora do campo – pois o exemplo vem de cima.

Como tudo está bem no FC Porto e no Sporting, como as razões das péssimas exibições e dos péssimos resultados – pese os efeitos visíveis, neste regresso do campeonato, da pressão exercida sobre os árbitros –, se devem, exclusivamente, a factores externos, produzidos, essencialmente, por uma tal de eminência parda omnipresente e omnipotente, não se adivinham grandes alterações nas respectivas estruturas. Os sócios e adeptos do FC Porto e Sporting vão “engolindo”, dia após dia, todo este populismo e toda esta demagogia – e agora, já sabem: se pintarem paredes ou votarem nas alternativas é porque não amam verdadeiramente o vosso clube. Pior: é porque são benfiquistas, como eu.

Foto de capa: SL Benfica

João Amaral Santos

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