Agora a sério…o que se passa, Benfica?

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Mais uma exibição miserável. Foi ao que se pôde assistir hoje, no Estádio da Luz, de um Benfica amorfo, desinspirado e, mais uma vez, com muita falta de atitude.

Começando pelo início a verdade é que o cenário não se avizinhava fácil. Com as fracas exibições dos últimos jogos, e com algumas peças influentes de fora, como são os casos do já habitual Sálvio ao qual se juntaram os sérvios Sulejmani, Fesja e Markovic as opções de Jorge Jesus, principalmente nas asas, ficavam muito limitadas. Apesar disso, o clube da Luz apresentou um 11 forte com Artur na baliza, Siqueira, Luisão, Garay e André Almeida a formarem o quarteto defensivo, os já habituais Enzo e Matic no meio campo, apoiados nas alas por Ola John e Nico Gaitán e na frente dois avançados com Lima e Cardozo, prontos para atacar a baliza do nosso velho conhecido Roberto.

Ainda assim, como era pedido, o Benfica nem começou mal com um livre de Cardozo a levar Roberto à única coisa boa que fez em toda a partida. Uma bela defesa para canto numa bola muito bem colocada pelo internacional paraguaio. A partir daqui, não se viu mais Benfica. O meio-campo grego com Maniatis, Samaris, mais fixos, com Dominguez no apoio e Weiss e Fuster muitas vezes, principalmente na construção, a descaírem para o meio, deixando os flancos para Salino e Holebas, manietou por completo Enzo e Matic e baralharam por completo Lima, que demorou uma eternidade para acertar as marcações a meio campo. Aliada a esta vitória tática de Michel, o jogo mostrou-nos um Olympiacos bem mais acutilante e pressionante na segunda fase de construção do Benfica, o que levou os médios a perder muitas bolas ainda no meio campo defensivo dos encarnados. Foi, por isso, sem surpresa, que depois de um mau passe de Matic (não vou cometer o cliché de dizer que está uma sombra do que foi, porque acho que nem a sombra do Matic do ano passado, jogava tão pouco) a bola seja colocada em Mitroglu que com um toque subtil isola Dominguez e com a maior calma do mundo tira Garay da frente e bate Artur. Tudo mal feito pelo Benfica, tudo bem resolvido pelo Olympiacos que chegou ao intervalo com uma vantagem justa, dada a nulidade da exibição do seu adversário.

Quando perto do intervalo o terreno começa a ficar “empapado” devido à chuva torrencial que se abateu durante a tarde em Lisboa, pensei que aquela era a pior coisa que podia acontecer ao Benfica. Na teoria, uma equipa de jogadores tecnicamente evoluídos e pouco dotados fisicamente, perderia para outra em que tirando Weiss, todos pareciam ser bastante robustos. Mais me assustei quando vi o miúdo Ivan Cavaleiro ser lançado aos lobos em condições muito pouco favoráveis ao seu jogo. Puro Engano! A verdade é que sem um aumento de atitude gritante, o Benfica soube ser um pouco mais inteligente do que os gregos e percebeu bem mais cedo as “manhas” do relvado e que a bola não poderia ser jogada rasteira, contrariando por completo o ADN da equipa. Mas o que é facto é que o domínio mudou de lado e o Benfica a jogar, feio, muito feio foi metendo o jogo, cada vez mais na área do inseguro Roberto, que aos poucos foi dando sinais de que poderia compensar os adeptos do ano desastrado que teve de águia ao peito. Não obstante da melhor oportunidade do jogo ter sido desperdiçada  pelo Olympiacos, nesta fase (Jorge Jesus ainda agradece ao Pai, pela chovada com que “abençoou” a noite de hoje) o Benfica acabou por chegar ao golo por intermédio do inevitável Óscar Cardozo. Canto batido na direita pelo recém entrado Rodrigo, bola ao segundo poste, Roberto ao seu estilo falha por completo a saída e a intercepção e Luisão só tem de assistir o paraguaio que de baliza aberta não perdoou, colocando de certa forma alguma justiça no resultado.

Nemanja Matic / Fonte: http://www.sportsworldnews.com/
Nemanja Matic
Fonte: sportsworldnews.com

Este resultado, manteve-se até ao final sem que grandes motivos de interesse existissem e salvam Jorge Jesus de mais uma onde de contestação que iria colocar o técnico novamente em xeque para a recepção ao Nacional, no Domingo. No entanto, alguns reparos. Foi claramente vencido taticamente na 1ª parte(única altura em que existiu tática no terreno de jogo), apesar de gostar muito de ver o Benfica com dois pontas de lanças, penso que fez com o Benfica fosse dominado na primeira parte. Uma solução com Djuricic ou mesmo Ivan de início, remetendo as funções de 10 e de apoio a Matic e Enzo a Gaitán, poderiam ter sido mais aconselháveis. A entrada ao intervalo de Ivan Cavaleiro, com um relvado impraticável para um jogador que faz da técnica e velocidade as suas principais armas, foi um tiro no escuro, sem qualquer sentido, apesar de a saída de Ola John se justificar há muito. Para finalizar a entrada de Ruben Amorim e principalmente Rodrigo aos 81 minutos são ridículas e mais do mesmo do treinador português. Mais uma vez demorou uma eternidade a ler e mexer no jogo.

Para finalizar, 4 notas importantes. Ainda não tive oportunidade de ver todos os lances do encontro e friso bem que, apesar de tudo, não teve qualquer influência no resultado. No entanto, a arbitragem deste senhor, Undiano Mallenco (continuo sem perceber como se nomeiam árbitros da mesma nacionalidade dos treinadores dos clubes intervenientes) foi lamentável. Extremamente tendencioso e com alguns lances que, a olho nú da bancada, me parecem claros. Teve um desempenho fraco. A segunda nota vai para o comportamento da equipa grega na segunda parte. Se há coisa que odeio no futebol é anti jogo. Quando o meu clube tem este tipo de comportamentos, sou o primeiro a levantar-me e assobiar, por isso não posso tolerar do outro lado, inadmissível.  Em terceiro lugar, destacar o sistema de drenagem do estádio da luz, fantástica a forma como o relvado, mal a chuva abrandou, conseguiu escoar os lençóis que se foram criando, pode parecer pouco importante mas foi impressionante. Para finalizar, impressionante foi também a moldura humana na Luz. Quarta-Feira, à noite, um autêntico dilúvio que se abateu sobre a capital, péssimas exibições e quase 40.000 pessoas no estádio não está alcance de qualquer um.

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