Publicidade

Uma nova política

Tiago Serrano · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sl benfica cabeçalho 1

Neste Verão, o Sport Lisboa e Benfica tem-se mostrado bastante activo no mercado de transferências. Ao todo, foram contratados 6 jogadores que já estão a trabalhar sob as ordens de Rui Vitória.

Haris Seferovic e Filip Krovinovic foram de longe, as aquisições mais sonantes até ao momento. O médio croata foi uma das figuras de porá de um Rio Ave FC que se destacava pelo seu futebol de nota artística elevada. O avançado suíço vem da muito competitiva Bundesliga, tendo também experiência no futebol espanhol e italiano, embora os seus registos a nível de golos não sejam propriamente atractivos (situação que não me preocupa).

Destaque também para o regresso de Bruno Varela, que após uma época no Vitória FC em que mostrou as suas qualidades, regressou ao clube que o formou a troco de 100 mil euros. As restantes foram as aquisições de Martin Chrien, Chris Willock e Cristian Arango, três jovens com potencial, mas cuja presença na equipa principal na nova época não é certa.

No entanto, ao analisar os jogadores contratados, verificamos que todos eles têm poucas ou nenhumas possibilidades de serem titulares no Benfica de forma imediata, ao contrário do que se tem verificado no Sporting CP com as contratações de Mathieu, Fábio Coentrão e Doumbia.

Ederson foi resgatado ao Rio Ave FC há dois anos Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Ederson foi resgatado ao Rio Ave FC há dois anos
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Dadas as circunstâncias, eu creio que neste mercado tem havido a afirmação de um novo critério de contratações do clube encarnado, um critério assente na contratação de jovens jogadores para preparar o futuro. Um critério que começou a ser aplicado nos últimos dois anos, mas vamos por partes.

Nos seis anos de Jorge Jesus no comando técnico do Benfica, o clube sempre fez fortes ataques ao mercado, gastando milhões em jogadores de relevo. Nesse período, o Benfica recolocou-se na rota dos títulos e destacou-se também pela potencialização e valorização de vários jogadores que deram o salto para outros patamares competitivos.

Ora, em 2015, com a substituição de Jorge Jesus por Rui Vitória, a afirmação da nossa academia como uma das melhores do mundo, e uma relação com o BES cada vez menos saudável, apostou-se em algo que ficou apelidado de “mudança de paradigma”. Na minha opinião pessoal, não houve mudança de paradigma nenhuma, porque para mim, o paradigma do Benfica é só um: ganhar!

Foto de Capa: SL Benfica

Nesse período, deu-se sim o início de uma mudança no critério das contratações do clube: colocar um travão nos gastos, menos reforços sonantes e uma maior aposta na juventude. E só para se ter uma ideia dessa aposta, dos jogadores contratados para a equipa principal nos últimos dois anos, Mitroglou é o único contratado com mais de 25 anos.

Mas vejamos melhor os efeitos do rejuvenescimento do plantel na última época. Ederson, Nelson Semedo, Lindelof, Grimaldo, Zivkovic, Rafa e Franco Cervi: o que têm estes jogadores em comum? Todos eles foram opções regulares no onze inicial da equipa (uns mais que outros) e todos eles tinham no máximo 23 anos (Rafa fez 24 no dia 17 de Maio).

Mas mesmo assim, a média de idades do plantel principal do Benfica era a quarta mais elevada do último campeonato, muito graças a jogadores como Luisão, Júlio César e Paulo Lopes. Onde é que eu quero chegar com isto? Quero demonstrar que a aposta na juventude levada a cabo pelo nosso clube deve ser bem doseada com a experiência. E nesse aspecto não nos podemos queixar, visto que o plantel do Benfica está repleto de jogadores experientes e/ou conhecedores da casa que servem como referências do clube, que integram, apoiam e orientam os jogadores jovens e recém-chegados ao clube, dentro e fora de campo. Este é um aspecto em que levamos clara vantagem sobre os rivais.

Chris Willock corresponde ao perfil de jogador que o clube procura Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Chris Willock corresponde ao perfil de jogador que o clube procura
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

E quanto ao futuro? Neste mercado, o Benfica já vendeu três jogadores que são frutos colhidos da nova política do clube. Há dois anos atrás, ninguém acreditava que Ederson, Nelson Semedo e Lindelof se tornassem jogadores de topo em tão pouco tempo. Agora está na hora de outros jogadores como Bruno Varela, Pedro Pereira, Rúben Dias e Kalaica começarem a seguir as suas pisadas. E quem acha que eles não servem para a equipa, lembre-se que, há dois anos atrás, também ninguém dava nada pelos três jogadores vendidos.

É esta a nova política do clube, uma política que, por exemplo valeu ao AS Mónaco a conquista da Ligue 1 e a chegada às meias-finais da Champions. Ultimamente, o Sport Lisboa e Benfica tem sido bastante referenciado pela imprensa internacional (que não liga a e-mails e bruxos), pela forma como recuperou a hegemonia do futebol português, mantendo uma equipa forte e competitiva perdendo jogadores influentes ano após ano, apostando sobretudo em jogadores jovens.

Por isso acho que estamos no caminho certo. Nem todos serão vendidos, alguns serão também as futuras referências do Benfica. Será cada vez menos frequente contratar craques feitos como o Aimar e o Saviola, mas a partir do momento em que um jovem jogador assina contrato com o Sport Lisboa e Benfica, passa a ter tudo para se tornar num craque. Compete aos jogadores trabalharem no duro e aproveitarem as oportunidades para confirmarem o seu potencial.

artigo revisto por: Ana Ferreira

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Jorge Jesus chegou e Portugal voltou a jogar como uma grande seleção

Quatro jogos, quatro vitórias e um lugar nos quartos de final da Liga das Nações já assegurado. Dificilmente Jorge Jesus poderia ter imaginado um arranque melhor enquanto selecionador nacional.  Mais importante do que os resultados, porém, é aquilo que começa a acontecer dentro de campo. Ainda estamos perante uma pequena amostra, e existem problemas por corrigir (sobretudo defensivamente), mas Portugal parece finalmente uma equipa disposta a explanar todo o potencial que tem.Há mais velocidade, mais movimentos sem bola, mais jogadores a aparecerem entre linhas e menos posse estéril. Depois de uma seleção demasiadas vezes previsível sob o comando de Roberto Martínez, os primeiros sinais da nova era são refrescantes.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.