Publicidade

Willian Arão | De patinho feio a herói, com final na Luz?

Pedro Cantoneiro · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O SL Benfica continua à procura de um número “6” que possa concorrer com Julian Weigl pela titularidade, e esse jogador pode ser Willian Arão. Depois de ter assegurado o “8” que Jesus pretendia – João Mário – e das negociações por Al Musrati se terem hipotecado nos valores pedidos pelos bracarenses, o nome de brasileiro volta a ser apontado à Luz. Florentino, à espreita mas ainda sem total confiança do técnico, também não parece, para já, solução real no planeamento do treinador.

É neste contexto que surge o nome de Willian Arão, paulista nascido em março de 1992. Noticiado pelo O Jogo, o interesse no internacional brasileiro (uma ocasião, em 2017) vem da época passada, relacionada com o regresso de Jorge Jesus a Lisboa: foi com o jogador brasileiro a estancar o meio-campo que o CR Flamengo alcançou a conquista da Libertadores em 2019, além do Brasileirão, um ano de inevitáveis sucessos que culminaram na chegada à final do Mundial de Clubes, frente ao Liverpool FC (derrota por 1-0).

Nessa época, Willian foi uma das figuras da equipa com 49 jogos realizados, nos quais apontou dois golos e sete assistências. O jogador volta ao radar da Luz, com o empresário (e pai) Flávio Arão a reagir de forma acessível aos rumores: “Não vejo qualquer empecilho se for bom para ele, bom para todas as partes”.

Arão, sem Jesus, continuou a consolidar a sua importância no onze do Mengão, ainda que noutras vertentes – se Doménec Torrent, o técnico espanhol que substituiu o português, tivesse continuado a apostar nele para trinco, Rogério Ceni fez questão de o recuar uns metros no relvado e lançá-lo como central, ao lado de Rodrigo Caio ou Gustavo Henrique.

Foi nessa posição que cumpriu a última fase do ex-guarda-redes ao comando do clube (foi despedido em junho, substituído por Renato Gaúcho), cimentando rotinas numa posição que lhe é estranha mas que, no entender do técnico, lhe permitiria aproveitar a sua saída de bola da melhor forma.  Se a equipa melhorou, pelos índices expostos adiante, é também verdade que a ausência de um verdadeiro tampão a meio-campo (onde jogavam Gerson-Diego, principalmente) se revelou como um desequilíbrio a longo prazo.


Conseguiu entusiasmar na nova posição e alavancar o rendimento do conjunto, o que só provocou ainda mais as comparações com a sua fase Jesus e a inevitável constatação: por muito que desse conta do recado, o seu rendimento anterior, como primeiro volante, era inigualável. Natural, então, que se tenham originado, aqui e ali, rumores de um possível reencontro entre jogador e técnico.

Arão começou como centrocampista puro, cumprindo etapas formativas no Juventude, Portuguesa e Grêmio Barueri antes de chegar a um gigante do seu estado, o São Paulo. Da mesma geração de Lucas Moura e Casemiro, chamou à atenção numa Copa de Futebol Júnior.

Mino Raiola, o mesmo empresário de Ibrahimovic e Pogba, foi ágil na aproximação: falou com o seu pai e facilitou-lhe a chegada à Europa, nomeadamente ao RCD Espanyol, onde exercia funções de treinador principal um tal de Mauricio Pocchetino. Contratação feita, integrou-o no seu plantel, tendo Willian desenvolvido capacidades sob alçada do atual técnico do PSG. Nunca se estreou oficialmente, acumulando apenas minutos com a equipa B – uma aventura que o marcou pelas evidentes diferenças de ritmo:

“Aprendi muito sobre o estilo de jogo, a disciplina tática e o toque de bola rápido. São coisas que até hoje tento implementar no meu jogo. Além disso, aprendi a falar espanhol”

Sete meses apenas, duraria essa aprendizagem. O fim abrupto devido a problemas burocráticos provocariam o seu regresso precoce ao Brasil. O SC Corinthians acolheu-o de braços abertos, tornando o então jovem de 19 anos como elemento da equipa principal a tempo inteiro.

Estreou-se em 2011, pertencendo à equipa que venceu a Libertadores e o Mundial de Clubes daquele ano. Ralf e Paulinho foram obstáculos à sua afirmação, sendo então emprestado sucessivamente a Portuguesa, Chapecoense e Atlético Goianense. Em 2015, o Botafogo iria aproveitar o término do seu contrato para o agarrar, tornando-o elemento preponderante do seu plantel. Na Série B de 2015 foi a estrela dos alvinegros e da competição, com grande contribuição para o título.

Atento, o CR Flamengo recrutou-o em 2016, despoletando batalha judicial – os responsáveis do Botafogo alegaram o pagamento (400 mil reais), em dois momentos distintos, de uma cláusula que prolongaria automaticamente o contrato por mais um ano, acusando no processo o Flamengo de ‘assediar’ o ativo.

Porém, foi o próprio jogador a devolver o dinheiro dessa cláusula, por entender que a sua carreira merecia esse salto competitivo. O caso chegou à FIFA e dura até hoje, mesmo que Arão já tenha sido condenado a pagar 5 milhões de reais ao seu ex-clube, transação que demora a ser feita.

No CR Flamengo seria patinho feio até à chegada de Jorge Jesus, em 2019, numa fase marcada por altos e baixos e que culminou na dispensa dos trabalhos do plantel principal em 2017, sendo remetido à equipa de reservas. Uma transferência falhada para o Olympiakos, em 2018, seria o recomeço do seu sucesso com a camisola do Mengão, evoluindo a partir daí para um bom leque de exibições que o consolidaram definitivamente no plantel principal.

Quando Jesus chegou, as suas qualidades de tackle e aprofundada compreensão do processo defensivo (além da sua capacidade física, atestada por apenas uma única lesão em cinco anos de rubro negro) fizeram-no ser olhado como principal objeto de estudo para a posição de primeiro volante – num vídeo intemporal do primeiro jogo de preparação, frente ao Madureira, são audíveis e tornaram-se virais as correções de Jesus: “Tá mal, Arão!”, algo que, atendendo aos preciosismos do técnico português, se poderia perfeitamente repetir caso fosse consumada a sua transferência para o SL Benfica.

Por agora, jogador e empresário esperam contactos vindos de Lisboa. Depois de ter estado ausente dos compromissos continentais – jogo para a Libertadores, frente ao Defensa y Justicia – o jogador volta esta noite à ação, frente ao Bahia, em jogo a contar para a 12ª jornada do Brasileirão.

Pedro Cantoneiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.