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O Campo da Mata, nas Caldas da Rainha, engalanou-se para a recepção do clube local, segundo classificado do Grupo F do Campeonato Nacional de Seniores, ao primodivisionário Estoril, em jogo da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Foi muito o público que assistiu, numa tarde chuvosa, a um jogo não muito bem jogado, também fruto do estado do relvado, em que a luta se sobrepôs à técnica.

O treinador da equipa estorilista, Fabiano Soares, não brincou em serviço e fez alinhar grande parte dos habituais titulares, perante um Caldas muito aguerrido e que nunca deu uma bola que fosse por perdida. Os canarinhos revelaram ter a lição bem estudada, já que os centrais Yohan Tavares e Mano controlaram quase sempre o matador do conjunto oestino, o brasileiro Diego Zaporo, que já leva seis golos na conta pessoal na actual temporada. A fase inicial do desafio foi marcada pelo equilíbrio, até que aos 22’, no primeiro lance de real perigo para uma das balizas, o Estoril apontou o golo decisivo através de um cabeceamento de Dieguinho. Galvanizado por jogar em casa, o Caldas SC tentou chegar-se perto das redes estorilistas, mas normalmente mais com o coração do que com a cabeça, pese embora fosse notória a excelente organização táctica dos comandados de Ricardo Moura. Nalguns lances de bola parada os alvinegros ainda causaram frisson, mas ficou sempre a sensação de que o Estoril tinha a situação bem controlada.

Luta no relvado e muito público na bancada, eis o espelho da partida Fonte: Joel Ribeiro
Luta no relvado e muito público na bancada, eis o espelho da partida
Fonte: Joel Ribeiro

No segundo tempo a toada de jogo manteve-se. Imensos duelos a meio-campo, um Estoril mais experimentado não entrando em grandes correrias, a juventude e bravura dos caldenses a não deixar morrer a partida. E para a indefinição do resultado final muito contribuiu o penálti falhado pelo médio estorilista Mattheus, filho de Bebeto, que permitiu a defesa de João Guerra aos 66’. O Caldas entusiasmou-se a partir desse momento e tentou um assalto final à baliza de Georgemy – substituiu o habitual titular Kieszek – mas faltou sempre alguma clarividência no último terço do terreno, situação que foi piorando com o desgaste físico dos jogadores.

Em suma, vitória do Estoril que acabou por se revelar natural, apesar da equipa do Oeste ter lutado muito para chegar ao prolongamento. Numa ronda da Taça de Portugal em que algumas das principais equipas do futebol nacional ficaram pelo caminho, o Estoril conseguiu o seu objectivo perante um Caldas que justificou a posição que ocupa no seu campeonato, tendo todas as condições para realizar uma excelente época, sendo de destacar os muitos jovens do seu plantel, alguns deles formados no clube.

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No final da partida, o técnico Fabiano Soares afirmou ao Bola na Rede que a equipa acalenta o sonho de chegar à final da Taça de Portugal – o Estoril apenas por uma vez chegou ao Jamor, tendo perdido por 8-0 frente ao Benfica, em 1944 – não esquecendo a vaga na Liga Europa que uma vitória na competição/simples presença na final poderá oferecer. Porém, o treinador brasileiro pautou sempre o discurso pela calma e prudência, deixando ainda elogios para o Caldas. Já o seu congénere dos alvinegros, Ricardo Moura, mostrou-se muito satisfeito com o rendimento dos seus jogadores, convocando as suas tropas para a deslocação a Alcanena, no próximo fim-de-semana.

A Figura :

Festa da Taça – A muita chuva que caiu nas Caldas da Rainha não impediu um excelente ambiente no Campo da Mata. Muitos adeptos do Caldas, excelente apoio ao Estoril, festa na zona envolvente do recinto desportivo. Regresso ao passado de um clube prestes a completar 100 anos e que marcou presença na Primeira Divisão entre 1955 e 1959.

O Fora de Jogo:

Estado do relvado – As difíceis condições climatéricas tiveram a sua influência no relvado do reduto caldense. Muita lama, terreno irregular, dificuldades acrescidas para os jogadores num jogo que muito devido a esse factor se tornou de enorme luta.

Foto de Capa: GD Estoril-Praia