SB Castelo Branco 1-1 FC Oliveira do Hospital: Empate justificado por jogo pobre

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A CRÓNICA: MUITA LUTA, MAS POUCO FUTEBOL EM CASTELO BRANCO

O Estádio Municipal Vale do Romeiro recebeu a primeira jornada da Série 5, a valer o acesso à nova competição, a Liga 3. Sport Benfica e Castelo Branco e FC Oliveira do Hospital querem lá estar e procuravam os primeiros três pontos para arrancar em vantagem no grupo.

À imagem de outros jogos nesta competição, também este começou a todo o gás e com muita emoção à mistura. O defesa-central dos visitantes, Bonilla, respondeu com acerto a uma bola para a área, aos 4 minutos de jogo, inaugurando o marcador.

Tivemos direito a uma partida digna de Primeira Liga: intensa, com golos (pelo menos um), penáltis falhados… e muita polémica à mistura, um clássico do futebol português. Na primeira parte saltou-se mais dos bancos para reclamar faltas do que para responder a livres cobrados para a área.

A bola parada prometia ser decisiva, e foi. Aos 70 minutos, Miguel Campos, mais conhecido por Kaizer, que até estava a fazer um jogo francamente mau, cobrou um livre ainda longe da baliza de forma exímia. A bola ainda bateu no poste, mas acabou por entrar, daquelas que levava selo de golo. O jogo manteve-se sempre muito na mesma toada e o empate acabou por ser o resultado mais justo, face aos acontecimentos.

Vimos uma partida de futebol na maioria do tempo mal jogada, mas com intensidade bastante alta. A confusão no final revelou bem aquilo que foram os 94 minutos: muita luta, pouco futebol.

 

A FIGURA

Julián Bonilla – O defesa-central acaba por ser a figura do jogo muito porque marcou um golo, mas não só. Ainda que não tenha valido a vitória, a verdade é que Julián Bonilla ficou, em parte, encarregue de grande parte daquela que era a construção da equipa a partir de trás. Claramente o mais esclarecido e com maior capacidade na definição do passe. Esteve também muito bem no desarme e conseguiu sempre controlar os adversários com imponência. Excelente exibição do defesa colombiano.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: SB Castelo Branco

Linha defensiva do SB Castelo Branco – O empate a uma bola acaba por não espalhar as oportunidades que o jogo teve. Muita intensidade e muita disputa, até demasiada. Mas se é verdade que houve muitas ocasiões de golo, muito se deveu à linha defensiva albicastrense, que favoreceu bastante que estas fossem possíveis. Começaram a partida “a dormir” e só melhoraram quando Babia passou a jogar no meio dos três defesas.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORT BENFICA E CASTELO BRANCO

O Benfica de Castelo Branco entrou em campo de forma diferente em relação aquilo que tem sido o esquema habitual da equipa. Pedro Barroso apostou num 3-5-2 para explorar os encaixes no sistema do adversário.

Os defesas-centrais Miguel Campos, Babia e Bruno Rafael tinham a difícil missão de travar David Silva e André Freitas, referências atacantes do lado contrário. Os defesas começaram o jogo a mostrar algumas debilidades perante a pressão adversária e por diversas vezes o perigo rondou a baliza de Jota, muito por culpa de erros na construção. Ressalva feita a Babia, que pareceu sempre o menos problemático dos três mais recuados.

Na frente, os ataques pareciam bem mais esclarecidos. Muito velozes e bastante verticais, acabavam por trocar as voltas aos robustos centrais de Oliveira do Hospital.

O jogo passava pelos pés de Iko Caetano, tecnicamente mais evoluído que os restantes, no meio, e de Dani Rodríguez, ala direito, rápido, vertical e com muita chegada ao último terço. Clayton Leite foi o elemento mais móvel e procurou recuar de zonas avançadas no terreno para rodar o jogo e fazer a equipa progredir.

Muito apagados no jogo estiveram Miguel Abreu, Amadu Turé e Kalunga, os dois últimos de quem se esperava e exigia bem mais do que aquilo que foi feito.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jota (5)

Bruno Rafael (4)

Babia (5)

Kaizer (6)

Dani Rodríguez (7)

Guilherme (6)

Miguel Abreu (5)

Iko Caetano (7)

Kalunga (5)

Clayon Leite (6)

Amadu Turé (5)

SUBS UTILIZADOS

Júlio Alves (5)

André Cunha (6)

Lucas Reis (-)

Miguel Lopes (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC OLIVEIRA DO HOSPITAL

O FC Oliveira do Hospital manteve-se fiel ao seu estilo habitual. Ainda que seja difícil apontar um único esquema, diria que a equipa se organiza em 3-5-2 em construção, e em 5-4-1, a defender.

Tozé Marreco aposta nos seus três centrais, bastante semelhantes entre si. Linha defensiva robusta e imponente, mas sem grandes dificuldades em jogar com os pés. Bonilla, central pela esquerda, destacou-se logo cedo, porque marcou, mas também porque mostrou sempre bastante tranquilidade e serenidade com bola. Aos 24 anos, revela grande maturidade e capacidade para outros patamares.

O meio estava assegurado por dois médios experientes, que garantiam equilíbrios no setor intermediário. Falo de André Fontes e de Kingsley. Bob, tinha movimentos de “cima-baixo”, aparecendo mais frequentemente na frente de ataque. Os laterais, Ibra e João Mendes, a defender, juntavam-se aos defesas-centrais, e a atacar subiam bastante no terreno.

No ataque, o posicionamento de André Freitas fazia alterar o esquema em que a equipa se apresentava. Quando descia era claramente um 5-4-1, deixando David Silva isolado na frente, quando avançava era mais um 3-5-2, com os laterais a avançarem com ele.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Nando Pedrosa ()

Bonilla (8)

Hidélvis (6)

Diogo Abdul (5)

João Mendes (5)

Ibra (5)

André Fontes (6)

Kingsley (6)

Bob (5)

André Freitas (5)

David Silva (4)

SUBS UTILIZADOS

Gonçalo (5)

Franck (5)

Zé Maria (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Oliveira do Hospital

BnR: “Já falou na questão dos três centrais que não o surpreendeu, pergunto então qual foi o fator essencial que levou a que não conseguisse levar os três pontos?

Tozé Marreco: “O mesmo fator que nos fez chegar à vantagem, uma bola parada e a qualidade individual de um jogador. Foi isso que aconteceu, acho que foi um jogo com muitas chances de golo, e penso que tivemos mais. Eles (SBCB) tiveram mais bola, mas nós fomos mais assertivos na procura da baliza. O que fez diferença foi a bola parada, batido por um grande jogador e que nos roubou dois pontos.

 

Sport Benfica e Castelo Branco

Bnr: “Gostava de continuar aqui nesta questão da tática. Nunca lhe passou pela cabeça deixar a linha de três defesas e tentar chegar à área pelas laterais?”

Pedro Barroso: “Sabes que há que ver o copo meio cheio e o copo meio vazio. Nós temos três centrais, mas temos dois alas a bater na linha adversária. Mas também acabamos só com dois centrais. A partir de determinada altura abdicamos de um dos centrais e foi evidente. Nós até podemos pensar em mudar mais cedo, mas olhamos para o banco e não temos nenhum médio, por muito que quiséssemos. Acabamos o jogo com um médio amarelado e outro adaptado. Portanto, por muito que queiramos e a interpretação seja nesse sentido, se não tivermos jogadores não vale a pena colocar.

Gabriel Henriques Reis
Gabriel Henriques Reishttp://www.bolanarede.pt
Criado no Interior e a estudar Ciências da Comunicação, em Lisboa, no ISCSP. Desde cedo que o futebol foi a sua maior paixão, desde as distritais à elite do desporto-rei. Depois de uma tentativa inglória de ter sucesso com os pés, dentro das quatro linhas, ambiciona agora seguir a vertente de jornalista desportivo.

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