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O final da época 2019/2020 trouxe inúmeras mudanças no banco de suplentes da Primeira Liga. Ora por acabar um ciclo, ora por bater recordes, ora por se ficar aquém das expectativas, foram vários os clubes a mudar de treinador, de forma a atacar a nova época com unhas e dentes. Sendo o cargo de treinador absolutamente fulcral para qualquer equipa, é de esperar que as mudanças a que assistimos nas últimas semanas se reflictam numa maior competitividade do campeonato português; com todas as equipas a se proporem a voltar em força na nova época, após um final de campeonato conturbado, nas circunstâncias excepcionais que vivemos, todos querem fazer melhor; resta saber quem será melhor liderado para atingir os ambiciosos objectivos a que se propõem. Vejamos, assim, cinco novos treinadores com “mãos para o Ferrari”.
5.
Luís Freire (CD Nacional) – Não há promessas apenas entre os jovens jogadores. Há treinadores que, pela sua idade, demonstram já uma maturidade e uma astúcia que permite auspiciar um futuro risonho. Luís Freire é um destes treinadores (e a falta que fazem ao futebol português!). Quem acompanhava a Segunda Liga aquando do seu término, reparava na solidez, na qualidade e na garra do CD Nacional, que se destacava num campeonato tão competitivo como é a segunda divisão do futebol português; com Luís Freire ao leme, a equipa ocupava o primeiro posto da competição, o que lhe valeu a subida à Primeira Liga.
Quem é o obreiro desta subida? Luís Freire tem subido a pulso no futebol português. Em 2017/2018, conseguiu operar a subida do CD Mafra à Segunda Liga; no ano seguinte, comandou o GD Estoril Praia até à 18.ª jornada do campeonato, tempo insuficiente para garantir o acesso aos lugares de subida de divisão, mas, ainda assim, conseguiu atingir o terceiro lugar e operar uma melhoria significativa no rendimento e na qualidade exibicional dos estorilistas. Agora, após conquistar a Segunda Liga, terá a oportunidade de se mostrar no escalão máximo do futebol nacional. Com os madeirenses apostados em ficar na Primeira Liga e cimentar aí o seu lugar, o jovem treinador tem a missão de mostrar o seu futebol ao país e garantir que é suficiente para atingir os objectivos do clube; quanto a mim, julgo que estão em boas mãos.
4.
Equipa técnica 20/21 🔴⚪
➡️ Treinador Principal: Daniel Ramos
➡️ Treinador Adjunto: Renato Pontes
➡️ Preparador Físico: Tiago Sousa
➡️ Observador: Pedro Gonçalves
➡️ Treinador de Guarda-redes: José Serrão
➡️ Observador: Rodrigo Quaresma
➡️ Treinador Adjunto: Danildo Accioly pic.twitter.com/mx7SLErm3N
— cd.santaclara (@CD_SantaClara) July 31, 2020
Daniel Ramos (CD Santa Clara) – Nas duas épocas que sucederam a subida à Primeira Liga, o Santa Clara igualou e bateu o recorde de pontos conseguidos na divisão cimeira do futebol nacional, com João Henriques no comando. No final desta época, treinador e direcção, considerando que se havia fechado um ciclo, decidiram dar por terminada uma aventura que deixa muito boas recordações. O clube de São Miguel precisa agora daquele tipo de treinadores que dê continuidade ao projecto desportivo e o nome escolhido foi Daniel Ramos, que já conhece bem os cantos à casa, uma vez que já orientou o clube açoriano durante cerca de dois meses, em 2016/2017. O treinador já deu cartas em Portugal, ajudando o CS Marítimo a chegar ao sexto lugar (que deu acesso à Europa) e ao sétimo posto em 2017/2018 e o Rio Ave FC à mesma posição no ano seguinte. Na época transacta, orientou o Boavista FC, que terminou a época em 12º lugar. O estilo de jogo de Daniel Ramos é semelhante ao do seu antecessor e, caso o plantel seja bem reforçado, creio ser uma excelente escolha para dar continuidade à consolidação dos Bravos Açorianos na divisão de elite do futebol nacional.
3.
📸 Mário Silva foi hoje apresentado à Comunicação Social, no relvado do Estádio do Rio Ave FC, ao lado do presidente António da Silva Campos. Cerimónia oficial de apresentação do novo treinador do Rio Ave FC. pic.twitter.com/JSi9dChOMM
— Rio Ave FC (@RioAve_FC) August 3, 2020
Mário Silva (Rio Ave FC) – O final da época transacta foi impróprio para cardíacos; tal como as descidas de divisão, também os lugares de acesso às competições europeias só ficaram decididos na última jornada do campeonato, com Carlos Carvalhal a liderar os vilacondenses rumo ao quinto lugar, com acesso à Liga Europa, batendo o recorde de pontos da equipa e deixando o comando técnico da equipa no final da temporada. Com a possibilidade de disputar a Liga Europa e com a responsabilidade de continuar o assédio aos “grandes”, o Rio Ave precisava de um treinador com cartas dadas, mas que garantisse a irreverência característica dos vilacondenses nos últimos anos.
Assim sendo, o escolhido foi Mário Silva, que regressa ao futebol português, depois de estar ao serviço do UD Almería, em Espanha. Apesar de poder ser pouco conhecido da maioria dos adeptos no lote de treinadores portugueses, Mário Silva é um treinador com história, sobretudo no que toca aos juniores. Pelos juniores do FC Porto, já conquistou a UEFA Youth League e o Campeonato Nacional Juniores A da 1ª Divisão; essa experiência com jogadores mais jovens permitir-lhe-á apostar na prata da casa do Rio Ave, utilizar a experiência europeia que já tem dos tempos dos dragões e começar a traçar o seu caminho nos escalões cimeiros do futebol nacional. A responsabilidade é grande, mas, com certeza, a vontade de vencer também o é.
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Os primeiros passos 👣 de um ciclo que hoje se renova 💫
Qual a tua mensagem para o mister @carloscarvalha2 ? 📲 pic.twitter.com/D7XkkVGFXd
— SC Braga (@SCBragaOficial) July 29, 2020
Carlos Carvalhal (SC Braga) – Que Carlos Carvalhal será um dos melhores treinadores portugueses da actualidade, creio ser ponto assente. Que o Braga tem feito aproximação aos habituais “três grandes”, outrossim. Estes dois factores juntos, mais os nomes apontados ao clube bracarense, tornam-no num sério candidato ao título e numa ameaça à hegemonia de SL Benfica e FC Porto. A experiência e a perspicácia de Carlos Carvalhal, aliado ao facto de ser natural da cidade dos arcebispos, tornam-no no homem certo no lugar certo e, possivelmente, no tempo certo.
Com passagens por vários clubes históricos do país, como Vitória FC, CF “Os Belenenses”, Sporting CP, Rio Ave FC (com a fantástica temporada transacta), mais a experiência do futebol inglês, com passagens por Sheffield Wednesday FC e Swansea City AFC, Carlos Carvalhal reuniu experiência de clubes de paradigmas diferentes, divisões diferentes e países diferentes; sabendo utilizá-la na próxima época, com todas as comodidades que o clube tem para lhe oferecer, faz-me crer que para o ano o título disputa-se a quatro. Dificilmente, os bracarenses poderiam fariam melhor escolha com outros treinadores neste momento da sua história.
1.
📸 Apresentação de Jorge Jesus para acompanhar em direto, a partir das 17h00! pic.twitter.com/znNQZMuYM9
— SL Benfica (@SLBenfica) August 3, 2020
Jorge Jesus (SL Benfica) – Desde o conturbado Verão de 2015, em que Jorge Jesus trocou as águias pelo rival da Segunda Circular, que a relação entre o treinador e o Benfica tem sido como uma daquelas comédias românticas da Fox Life; cheia de calinadas, mas com um final perfeitamente previsível: no fim do filme, eles ficam juntos.
Jorge Jesus será um dos treinadores portugueses mais conceituados da actualidade. Com passagens por vários clubes com diferentes objectivos, nomeadamente, o próprio SL Benfica, o Sporting CP, até às aventuras no estrangeiro, no Al-Hilal FC e, mais recentemente, a passagem estrondosa pelo CR Flamengo, que fez dele um Deus vivo no país-irmão.
A experiência própria da idade, o palmarés invejável e o namoro antigo, fazem com que esta segunda passagem pela luz seja talvez um dos momentos mais importantes da carreira; JJ, o Mister, tem nos ombros a responsabilidade gigante de pôr o clube a praticar bom futebol e a ganhar jogos, já, como exigem os adeptos; a isso, acrescem as ambições europeias de Luís Filipe Vieira, que pretende um Benfica Europeu à força toda (embora nos últimos anos, o mais perto que esteve disso foi mesmo com o Estádio da Luz a ser palco da final da Champions League) e a vontade dos adeptos de vingar as duas finais da Liga Europa perdidas, com Jorge Jesus.
Além de tudo isso, o Mister tem de reconquistar os adeptos que ainda não lhe perdoaram a traição de 2015. A tarefa de Jesus adivinha-se hercúlea; ainda bem que tem nome bíblico no nome, pois o Benfica bem precisa de um milagre. Vejamos se, tal como nos filmes que eu já referi, a relação tem um final feliz. Vejamos se Jesus ainda tem mãos para o tal “Ferrari vermelho”
Artigo revisto por Joana Mendes








