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Quem leu esta primeira linha, saberá, a partir daqui, qual o teor deste artigo, mas vamos por partes e estruturando a ideia de forma eloquente.
Fui contra a criação do Campeonato Nacional de sub-23 pelo simples motivo de não ver, e contínuo sem ver, a sua real necessidade. Tínhamos um modelo de formação muito bem conseguido e que já originou grandes resultados no futebol português, que é a integração das equipas B na Segunda Liga. Felizmente, apenas o Sporting CP decidiu acabar com a sua equipa B para aderir à nova Liga sub-23, mas houve um real perigo de se acabar com este modelo de sucesso para passarmos para um modelo que tem tudo para correr mal.
Dirão os mais otimistas: “lá está ele, só sabe criticar e dizer mal”. Não, não se trata de criticar ou só dizer mal, neste caso. Continuo é sem entender qual foi a necessidade que nos levou à criação desta Liga sub-23. Como diria Ricardo Araújo Pereira: “equipa que ganha não mexe”. Neste caso eu diria: “modelo que dá sucesso não mexe.” É por isto que sou um grande critico desta nova Liga sub-23.

Fonte: FPF
Mas, tudo bem, já que a Federação decidiu mesmo levar esta ideia avante, porque não lhe dar uma oportunidade? Talvez até se venha a revelar uma boa surpresa e um bom complemento entre o escalão de juniores e a equipa B. Pois bem, foi isso que eu fiz, e estive muito atento a estas três primeiras jornadas para tirar os “meus” primeiros apontamentos.
Primeiro que tudo, esta denominada “Liga Revelação2 tem o nome corretíssimo. Consigo ver que, em vários planteis sub-23, muitos agentes desportivos viram nesta liga a oportunidade perfeita de revelar e divulgar os seus jogadores. Só assim se explica o facto de termos algumas equipas que possuem um elevado número de estrangeiros para uma competição que partiu do plano teórico de ser um complemento à formação do jogador português.
Para as pessoas não pensarem que eu estou a falar apenas por falar, vamos aos números e aos factos que estes sustentam.
Existem cerca de 129 jogadores estrangeiros espalhados pelos 14 clubes que integram esta Liga sub-23. Os casos mais flagrantes disso são o Portimonense SC, com 54% do plantel estrangeiro, e o CD Feirense, com 47%. No lado oposto temos o CS Marítimo com o plantel mais português: 88% do plantel verde-rubro é português. No entanto, os números preocupantes não se ficam por aqui. Na segunda jornada foram titulares 44 jogadores estrangeiros, ou seja, quatro onzes iniciais de estrangeiros.
Depois de observadas estas estatísticas preocupantes e ao estarmos a falar de uma competição que foi criada pela Federação, sob a bandeira da formação do jogador português, pergunto eu, não estamos nós a falar de uma competição desvirtuada e que serviu o único pressuposto de ser como uma montra para os agentes colocarem os seus jogadores?

Fonte: FPF
De que serviu todo aquele “barulho” que abanou o sistema das equipas B na Segunda Liga? Felizmente, equipas como o FC Porto e o SC Braga viram a sua “asneira” a tempo e continuaram com as suas equipas B. No caso portista, a mudança de comportamento foi ainda mais surpreendente tendo em conta que o FC Porto acabou por nem se inscrever na Liga Sub-23 depois de ter demonstrado interesse nisso mesmo.
A única equipa francamente “lesada” por toda esta situação foi o Sporting CP, que extinguiu a sua equipa B para criar a equipa sub-23. E digo lesada porque o nível competitivo desta liga sub-23 não tem nem metade da qualidade que a Segunda Liga possuiu e isto para uma academia como a leonina é muito preocupante a longo-prazo.
Honestamente, pela (pequena) amostra que obtive nestas três primeiras jornadas, não vejo um grande futuro para esta Liga Sub-23. Talvez apenas “casmurrice” da Federação consiga continuar a estender a vida a uma liga que já começou desvirtuada do seu pressuposto. Acho que se a Federação está tão preocupada com os seus modelos competitivos, deveria olhar mais urgentemente para o Campeonato Nacional de Seniores e o seu modelo “estranho”.
Não querendo continuar a bater no “ceguinho”, finalizo apenas com o meu modesto conselho para Fernando Gomes e a sua administração na Federação: Mais calma e ponderação. Lembre-se, modelo de sucesso, não mexe!
Foto de Capa: SL Benfica












