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As 10 adaptações mais estranhas do Seculo XXI no Futebol Português

Diogo Soares Loureiro · 8 min

Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Há vários anos que existe uma enorme dúvida no futebol, nomeadamente como identificamos que um jogador está a jogar “fora” da sua posição sofrendo adaptações. Por definição, a posição de um jogador é-lhe “atribuída”. Caso seja um polivalente, acaba por ser mais associado à posição original da carreira ou na posição em que o jogador se associa quando questionado. Por definição, o posicionamento inicial de um jogador em campo é definido pela região que ele mais ocupa durante uma partida e onde ele se posiciona inicialmente no esquema tático da equipa.

Se algumas adaptações foram um verdadeiro sucesso e fizeram certos jogadores “explodir” e melhorar o seu rendimento, outras foram um verdadeiro desastre, porquanto obrigaram jogadores a fazer coisas para as quais simplesmente não tinham capacidade ou caraterísticas. Vamos então fazer uma viagem por algumas das adaptações mais estranhas do século XXI em Portugal, sendo que existe claramente uma posição fetiche para adaptações: as laterais.

10.

Maicon a lateral direito (FC Porto) – Época 2011/2012. Vítor Pereira herda um plantel do FC Porto que vinha com uma enorme bagagem de títulos, mas cheio de problemas físicos e de balneário.

Fruto desses problemas que assolaram a defesa azul e branca e fruto também de um certo desnorte devido aos resultados menos conseguidos da equipa, o treinador Português decide optar por uma estranha solução para o lado direito da defesa, colocando Maicon como titular naquela posição no jogo em Olhão a contar para a décima jornada. O jogo no Algarve deu um empate a zeros e a exibição do Brasileiro acabou por passar mais ou menos despercebida (preocupou-se essencialmente em defender o seu flanco), motivo pelo qual Vítor Pereira decidiu repetir a dose no jogo seguinte contra a Académica OAF a contar para a Taça de Portugal.

O FC Porto perdeu com estrondo por 3-0 e acabou eliminado da prova, ficando patentes as insuficiências e incapacidades do jogador em assumir a posição de lateral direito. Ter Maicon como lateral não ajuda quando somos uma equipa que precisa de alguém com velocidade e capacidade de elaborar cruzamentos para a área, características que não eram claramente o forte do Brasileiro.

Felizmente para a sua carreira, voltou ao centro da defesa em definitivo.

9.

Nuno André Coelho a trinco (FC Porto/Sporting CP) – A nove de março de 2010, o FC Porto deslocou-se ao terreno do Arsenal FC em jogo a contar para os oitavos-de-final da UEFA Champions League. A equipa Portuguesa trazia do Estádio do Dragão uma vantagem de um golo, fruto de um triunfo por 2-1, o que parece ter dado uma falsa sensação de que bastaria defender bem em Londres para seguir em frente.

No Emirates Stadium, Jesualdo Ferreira, então treinador dos azuis e brancos, privado de um lesionado e absolutamente fundamental Fernando, resolveu surpreender. Tudo indicava que seria o argentino Tomás Costa a ocupar a posição de trinco, como vinha sendo habitual ao longo da temporada sempre que era necessário descansar Fernando ou quando era preciso reforçar o meio campo. Jesualdo acabou por colocar nessa posição o central Nuno André Coelho (que se estreava na Champions League e não tinha naquela época qualquer minuto acumulado na Liga portuguesa), tentando conferir maior poder defensivo aéreo e na zona central, opção que saiu totalmente furada e que obrigou o treinador Português a retirar o jogador ao intervalo quando os gunners já venciam por 2-0, sendo que Nuno André Coelho teve responsabilidades diretas num dos golos.

Mais tarde, quando o jogador se mudou para Alvalade, o treinador Paulo Sérgio voltou a testar o jogador na posição de trinco, mas uma vez mais as coisas acabaram por não correr muito bem. O chamado chover no molhado.

8.

David Luiz a lateral esquerdo (SL Benfica) – “Quando cheguei, o David Luiz era lateral-esquerdo. fui eu que o meti a central”, afirmou Jorge Jesus. Não é essa a informação que temos, mas se de facto assim era, em boa hora Jorge Jesus tomou tal decisão. Os jogos que o Brasileiro fez a lateral esquerdo foram quase todos a roçar o sofrível (incluindo na Liga Europa), com especial destaque para o FC Porto 5-0 SL Benfica, na época 2010/2011, em que o carismático central foi absolutamente destruído pela velocidade e capacidade de desequilíbrio do extremo Hulk.

O próprio jogador entendeu cedo que aquele nunca seria o seu lugar, tanto que na pré-época de 2009/2010 já teria transmitido a Jorge Jesus que não pretendia ser lateral. David Luiz sentia-se desvalorizado por atuar numa posição que não era a sua, depois de, no entender do próprio, ter justificado a titularidade no centro da defesa.

7.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Marega a lateral Direito (FC Porto) – Um FC Porto muito ‘remendado’ sucumbiu por 2-0 em fevereiro de 2016 frente ao Borussia Dortmund, em jogo dos ’16 avos’ da Liga Europa.

Sem Maxi Pereira, Marcano e Danilo, José Peseiro foi obrigado a ‘remendar’ a defesa quase toda, apostando num quarteto defensivo com Silvestre Varela a lateral direito, Miguel Layún como central (onde realizou uma surpreendente boa exibição ao lado de Martins Indi), ainda com José Angél na lateral esquerda. Mais tarde acabou por entrar Marega, sendo que a avalanche ofensiva dos Alemães pelo lado direito da defesa era de tal maneira intensa, que por forma a manter o seu posicionamento defensivo, José Peseiro acabou por montar uma linha defensiva composta por cinco homens, com Marega a assumir a lateral direita, com Varela a reforçar a zona central.

Funcionou a defender, mas não permitiu ao FC Porto fazer chegar a bola a terrenos mais avançados, tanto mais que o primeiro remate do FC Porto à baliza adversária aconteceu apenas aos 34 minutos.

6.

Bruno César a lateral esquerdo (Sporting CP) – “Bruno César a lateral esquerdo? Esqueça isso”. O antigo jogador do Real Madrid, Roberto Carlos, foi questionado sobre as possíveis opções do Brasil para o lado esquerdo da defesa, nomeadamente Alex Telles do FC Porto e Bruno César, na altura jogador do Sporting que foi algumas vezes adaptado a lateral esquerdo por Jorge Jesus (o mestre das adaptações a lateral esquerdo!) – “O Bruno não, o Bruno é extremo. Deixa o Bruno jogar lá na frente, como atacante, que é melhor”.

A verdade é que Jorge Jesus ainda insistiu nesta “solução” algumas vezes, sendo dentro desta estranha lista talvez o jogador que melhor se adaptou à mudança. Ainda assim, eram claras as suas debilidades para o desempenho das funções, principalmente no que concerne à capacidade defensiva e à velocidade para subir no flanco.

5.

Raúl Meireles a lateral direito (FC Porto) – Outra adaptação que aconteceu num único jogo e que rapidamente permitiu deixar claro que se tinha tratado de um tremendo erro. Março de 2005, FC Penafiel recebia o FC Porto e o jogo arranca com uma surpresa operada por José Couceiro – Raúl Meireles é titular no lado direito da defesa portista.

A escolha não foi nada feliz e nos primeiros minutos de jogo, talvez no primeiro ataque feito pela equipa do FC Penafiel, Raúl Meireles facilita e permite o cruzamento que deu o golo adversário, acumulando ainda outra falha grave, minutos mais tarde, deixando o jogador Kelly isolar-se perante Vítor Baía, que só por alguma infortuna não finalizou novamente para a equipa da casa. Raúl Meireles acabou por ser substituído. Uma noite para esquecer e que felizmente não se voltou a repetir para um dos melhores médios Portugueses de sempre.

4.

Miguel Veloso a lateral esquerdo (Sporting CP/Seleção Portuguesa) Foi Paulo Bento o primeiro a tentar esta opção quando ainda era treinador dos Leões. O jogador numa primeira fase não adorou a ideia, mas o facto de existir uma enorme lacuna no lado esquerdo da defesa da seleção, dava alguma esperança ao jogador de que essa polivalência lhe abrisse as portas de uma convocatória regular. Sucede que, tendo em conta a falta de velocidade e agressividade defensiva do médio, não só o rendimento não foi o pretendido como começou a criar problemas na própria cabeça do jogador – “O Miguel não é defesa esquerdo. Nem gosta de jogar a defesa esquerdo? Não” – afirmou o atleta no seu estilo clássico de falar na terceira pessoa.

Claro que quando lhe perguntaram se via impedimentos em jogar a lateral na equipa das quinas, a resposta já foi a oposta, afirmando-se pronto para jogar a lateral esquerdo. A verdade é que o jogador tanto no Sporting CP como pela Seleção acabou por fazer poucos jogos nessa posição e voltou para a sua origem como médio defensivo. Não era claramente um jogador talhado para aquele lugar.

3.

Diego Reyes a lateral direito (FC Porto) – Em abril de 2015 o FC Porto de Julen Lopetegui saía vergado por 6-1 numa deslocação ao terreno do todo poderoso Bayern de Munique, numa noite, onde sejamos justos, o jogo não correu de feição para nenhum jogador azul e branco. No entanto, foi especialmente confrangedor ver Lopetegui cometer um erro crasso na estratégia para o jogo, quando aposta em Diego Reyes para jogar no lado direito da defesa, em vez de Ricardo Pereira, que acabou por entrar para o lugar do mexicano, aos 32(!) minutos, já os alemães ganhavam por 3-0.

Sem Danilo nem Alex Sandro nas laterais, o técnico espanhol teria sempre desculpa para qualquer resultado, se tivesse colocado o Português de início, tal a falta de alternativas e o poderio do Bayern de Munique, mas o facto de não o ter feito colocou-o à mercê das críticas. A exibição desastrosa de Diego Reyes foi uma receita que não se voltou a repetir. Estamos a falar de um jogador que ainda nem se tinha afirmado no FC Porto na sua posição de origem, dificilmente conseguiria provar o seu valor nestas circunstâncias e num jogo desta magnitude.

2.

Airton a lateral direito (SL Benfica) – Época 2010/11. Jogo que decidia matematicamente o campeonato nacional. Airton joga a lateral direito (Jorge Jesus e os laterais…). Benfica 1-2 FC Porto. FC Porto campeão na Luz. Nada mais a acrescentar.

1.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Bernardo Silva a lateral esquerdo (SL Benfica) – Esta nunca chegou verdadeiramente a acontecer, já que Bernardo Silva nunca chegou a fazer nenhum jogo oficial ao serviço do SL Benfica nesta posição, mas o rei das adaptações (Jorge Jesus) preparava-se para dar uso a um dos seus hobbies favoritos: adaptar jogadores a lateral esquerdo.

Aliás esta “quase invenção” do atual treinador do Flamengo foi decisiva para a saída de Bernardo da Luz: “Jesus pôs-me a lateral-esquerdo e fui falar com Jorge Mendes”.

A saída para o Mónaco salvou-lhe a carreira.

Diogo Soares Loureiro

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