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É impossível dissociar o emblemático Boavista Futebol Clube da história do Futebol português. Fundado em 1903, o clube portuense é presença assídua no principal escalão do desporto-rei lusitano e o seu legado é indelével, possuindo no seu palmarés um Campeonato Nacional, cinco Taças de Portugal e três Supertaças.
Foi no ano de 2000/01 que a cidade Invicta se pintou de branco e preto para os festejos do inédito título axadrezado, concretizando aquilo que muitos consideravam ser um feito impossível. Após presenças em Ligas dos Campeões, percursos de louvar no panorama europeu, dois segundos lugares em Portugal, o Boavista de Jaime Pacheco transformou-se finalmente num Boavistão e alcançou a glória.
Considerada, durante algum tempo, como o quarto grande em Portugal, a pantera esteve presente em inolvidáveis noites europeias… Que, certamente, trarão saudades aos seus adeptos. Foi há mais de 18 anos anos que o Boavista discutiu ombro a ombro a presença na final da Taça UEFA (atual Liga Europa) em pleno Celtic Park, num ambiente eletrizante com 60 mil adeptos nas bancadas e muitos outros milhares a acompanhar pela televisão. Ainda na ressaca da histórica conquista do campeonato, os boavisteiros bateram equipas como o Hertha de Berlim, o Málaga ou o PSG e quase atingiram uma final histórica, que viria a ser conquistada pelo FC Porto.
Essa temporada marcaria o início de um período de decadência, com uma longa travessia no deserto por parte dos axadrezados. Com uma descida à 2ª Divisão ‘B’, por incumprimentos financeiros, o clube esteve às portas da insolvência. Contudo, anos mais tarde, as panteras viram-lhe ser devolvido um lugar na elite do futebol português.
Ainda à procura de uma maior estabilidade financeira, o Boavista vive agora uma nova fase da sua história: o aparecimento de um investidor, ainda na temporada passada, devolveu a esperança aos boavisteiros de acordar a pantera adormecida e fazer rugir, de novo, o Boavistão (ainda que a época de 2020/21 tenha sido bastante atribulada)!
O impulso do investimento externo
Boavista: Vitor Murta e Gérard Lopez: “O nosso projeto prevê a realização de um forte investimento no mercado de verão”, referiram numa declaração conjunta enviada à @Lusa_noticias pic.twitter.com/E5oDo6ZROz
— Cabine Desportiva (@CabineSport) January 30, 2021
O clube revolucionou toda a sua estrutura durante o defeso do ano anterior, em função do investimento do empresário hispano-luxemburguês Gérard Lopez. O proprietário dos belgas do Royal Mouscron e até ao final de 2020 dos franceses do Lille OSC, e com investimentos consolidados na equipa de Formula 1 da Lotus F1 Team, acordou com a direção de Vítor Murta a compra da maioria do capital social da SAD.
Uma mudança paradigmática para o Boavista. A proximidade de Luís Campos e Admar Lopes, fulcrais no último campeonato francês conquistado pelo AS Mónaco FC (2016/17) e na revitalização do Lille OSC, também foram vistos como elementos imprescindíveis no acrescento de qualidade no seio da estrutura axadrezada.
O plantel sofreu uma revolução considerável e chegaram à Invicta nomes bem conhecidos. No total foram 20 as caras novas do plantel, nomeadamente o campeão do mundo e vencedor de uma Liga Europa, Adil Rami, o ex-benfiquista Javi Garcia, o prodígio inglês Angel Gomes, emprestado pela formação capitaneada por José Fonte, ou o ex-portista Chidozie, que se afirmou como um dos elementos determinantes da formação do Bessa.
Contudo, apesar do entusiasmo que se gerou na obtenção de uma grande temporada e, quiçá, materializada com o regresso às competições europeias, o projeto acabou por fracassar e os axadrezados estiveram até ao último suspiro a lutar para não descerem de divisão.
Vasco Seabra, escolhido como timoneiro para guiar a equipa, foi substituído pelo experiente professor Jesualdo Ferreira, que numa época marcada pela irregularidade, obteve a manutenção apenas na última jornada da Liga.
Assim, a prometida época de renascimento do Boavista esfumou-se. O noivado anunciado no verão com Gérard López não teve a esperada lua de mel nem um final feliz, fruto de uma espiral de exibições não muito convincentes e resultados pouco ambiciosos.
A claque Panteras Negras chegou mesmo a anunciar a quebra de relações com a direção do Boavista, acusando os corpos sociais liderados por Vítor Murta de metas que “não passaram de promessas políticas”. Um recrudescimento boavisteiro que ficou adiado, mas que poderá mostrar os seus sinais na época que agora se inicia.
Dores de crescimento
Finalmente de regresso! 🤩
Os nossos adeptos estão de volta ao Bessa 🏁#BoavistaFC #OrgulhoAxadrezado #SouBoavista pic.twitter.com/Gl9Xz8FITU
— Boavista FC (@boavistaoficial) August 1, 2021
Face à desilusão que marcou a temporada transata, a preparação desta foi completamente diferente. Chegaram poucos, saíram muitos (e nomes importantes como Léo jardim, Devenish, Ricardo Mangas, Paulinho, Rami, Angel Gomes, e a iminente saída de Alberth Elis que estará para se confirmar) e a aposta na prata da casa está a intensificar-se. Nomes como Tiago Morais (que até já registou um bis na Taça da Liga com somente 17 anos), Tomás Reymão ou Pedro Malheiro poderão cimentar a sua posição no plantel.
Quanto ao investimento externo, mantenho a minha convicção de que Gérard Lopez e a sua equipa trazem o conhecimento e as ferramentas necessárias para potenciar os axadrezados para outro patamar e as dores de crescimento, verificadas em 2020/21, causadas pelo vendaval de mudanças que atingiram o Bessa, poderão colher os seus frutos, com uma equipa mais maturada.
A parceria que Gérard estabeleceu com o FC Girondins de Bordeaux, em junho, poderá ser outro fator benéfico para os axadrezados, com a possível vinda de jogadores repletos de qualidade para o clube português, apetrechando o plantel.
É certo que o investimento externo no Futebol tem tido, como se sabe, de tudo, desde o sucesso do FC Famalicão, às sombras do Belenenses SAD, até ao desastre do Desportivo das Aves, mas acredito no sucesso do projeto boavisteiro.
Artigo da opinião de Fábio Lopes.
Artigo revisto por Joana Mendes









