Última horaEm Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)
Publicidade

Campeonato “condensado”

David Vinagreiro · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol NacionalJá não é de hoje que, observando o mapa do nosso país, notamos que a grande maioria dos clubes que disputam a primeira liga de futebol estão sediados no norte de Portugal. Bastantes anos houveram até, em que a sul, o mapa primodivisionário terminou em Setúbal, tal como sucedeu na última temporada. Na época 2017/2018, voltaremos de novo a ter a presença uma equipa algarvia, no entanto, 10 dos 18 clubes participantes são representantes do norte do país. A zona interior é também, por tradição, escassamente representada, tendo neste momento apenas dois participantes, o Desportivo de Chaves e o Tondela. Além dos clubes já mencionados, há a somar os 4 representantes de Lisboa (Benfica, Sporting, Belenenses e Estoril), o Vitória de Setúbal, o Portimonense, e o Marítimo da ilha da Madeira.

Se recuarmos no tempo e analisarmos a totalidade dos clubes que já participaram na principal divisão do futebol português, observamos que a sul do Tejo foram poucos os emblemas a conseguir ter uma participação consistente. Além dos três maiores clubes algarvios, Farense (23 presenças), Olhanense (20 presenças) e Portimonense (14 presenças), apenas os clubes do Barreiro – Barreirense com 24 presenças e CUF (actual Fabril) com 23 – e o Lusitano de Évora (28 presenças), conseguiram uma presença que se possa denominar de mais do que pontual. Na zona interior de Portugal, apenas o Sporting da Covilhã esteve um tempo considerável no primeiro escalão (15 vezes). Quanto às ilhas, os Açores também foram somente representados por 3 ocasiões, pelo Santa Clara.

Fonte: Alfredo Manuel Castanheira‎/História do Futebol Português
Fonte: Alfredo Manuel Castanheira‎/História do Futebol Português

É fácil concluir, portanto, que esta tendência não é hodierna mas sim já histórica no panorama futebolístico nacional. Voltando a analisar o mapa do nosso “retângulo”, verificamos que esta tendência tem correspondências a variados níveis. Comparativamente ao sul (Alentejo e Algarve) e ao interior, é no norte e no litoral que se concentra a grande porção das nossas indústrias e também a maioria da população. Assim sendo, os clubes destas áreas geográficas conseguirão mais facilmente encontrar investimentos por parte da massa empresarial das suas regiões, bem como apoio humano, para conseguirem assim obter uma melhor sustentabilidade e lograrem maiores ambições. Analisando por exemplo os casos de dois clubes já acima referidos, o Sporting da Covilhã e a CUF, apenas conseguiram estar regularmente entre os grandes enquanto possuíam um considerável apoio dos tecidos empresariais das suas regiões. No caso do Covilhã, no período auge da indústria de lanifícios na sua cidade, e no caso da CUF, quando era detido por essa companhia fabril.

Percebe-se portanto que esta não será uma tendência fácil de alterar, e que o mapa da nossa primeira liga continuará a ser semelhante nos próximos tempos. Apenas poderá mudar quando surgirem politicas que vão no sentido de evitar a desertificação do interior, possibilitando que mais empresas operem nessas zonas do país, melhorando assim a sua economia, e permitindo que um maior volume humano esteja radicado nessas regiões. Só assim o futebol nessas áreas poderá crescer conjuntamente, e alargar-se então a área geográfica da nossa principal competição futebolística.

Foto de Capa:http://invitaminerva45.blogspot.pt

David Vinagreiro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.