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Pelo nome bem podíamos estar a falar de um filme que envolvesse questões do foro psiquiátrico com reminiscências a Freud. Não é. Mas também não está muito longe. Desde o início da temporada foram registados oito casos de treinadores que foram despedidos dos seus clubes na Primeira Liga. Cabe-nos agora perceber os efeitos que estas “chicotadas psicológicas” acabam por ter no desempenho das equipas e no desfecho final do campeonato.
Desde o início da época foram oito (!) os casos de treinadores despedidos na Primeira Liga. Antes de começar esta análise, importa dizer que não incluo aqui o caso de José Gomes, que saiu do Rio Ave FC para o Reading em Inglaterra, não sendo despedido. Adiante. As chicotadas psicológicas encontram sempre os maus resultados como a sua principal razão de existir. É cliché continuarmos a afirmar que há pouca paciência para esperar por resultados, há pouca paciência para acreditar nos métodos de treino dos técnicos, quando não se vislumbram resultados positivos mas apesar de cliché corresponde à realidade.

Fonte: Sporting CP | SL Benfica
É esta a triste sina dos treinadores, é com ela que têm e devem conviver. E, pelo menos para já, não há grandes melhorias à vista quanto a esse aspeto. No ano passado, na mesma altura, já tinham sido oito os treinadores a serem dispensados dos seus cargos, número idêntico ao que se regista nesta fase.
Na temporada passada acabaram por descer duas equipas que tiveram três treinadores durante a temporada (Estoril e Paços de Ferreira FC), em sentido inverso, mantiveram-se equipas com um só treinador (Vitória SC e CD Feirense) ao longo da época e outras que mudaram a tempo de descer (CD Aves, Boavista FC e Moreirense FC).
Não há nenhuma regra que defina que uma chicotada psicológica terá efeitos positivos ou negativos numa equipa. Sobretudo, existem contextos. Ora vejam. O Sporting CP despediu José Peseiro, contratando Marcel Keizer para o seu lugar. Houve uma melhoria significativa nos primeiros tempos com o holandês ao comando da equipa mas, depois do efeito psicológico ter perdido força, a equipa passa agora por um período mais negativo. Vide também o caso do SL Benfica que, com a mudança de Rui Vitória para Bruno Lage, conseguiu catapultar uma temporada que parecia, até então, estar completamente perdida. Depois, na cauda da tabela classificativa, existem outros casos.
O Boavista que iniciou a época com Jorge Simão, homem que até então tinha feito bons trabalhos, acabando a temporada passada em oitavo lugar, a melhor classificação, após o regresso do Boavista ao convívio com os grandes, acabou por despedir o seu técnico, contratando Lito Vidigal. A equipa boavisteira é uma das que têm maior massa adepta e, por isso, também crítica do país. A saída de Jorge Simão aconteceu numa altura em que a equipa praticava um futebol pouco atrativo, não conseguindo somar pontos. A entrada de Lito Vidigal na equipa significou seis pontos em três jogos e uma subida de dois lugares na tabela classificativa, ainda assim, e há que dizê-lo, o futebol continua a não encantar.

Fonte: Boavista FC
O Vitória FC, que até começou bem a temporada, foi acabando por perder fulgor, com essa perda a culminar no famigerado caso dos salários em atraso que assolou o plantel vitoriano. A equipa começou a temporada com Lito Vidigal e, apesar do futebol praticado não ser propriamente encantador, nunca faltou garra e agressividade aos jogadores da equipa do Sado. Sandro, ex-atleta do clube, surgiu como interino frente ao Sporting CP e o precioso empate conquistado frente aos leoninos fez com que a direção vitoriana passasse Sandro de interino a técnico principal até final da época.
Pese embora os jogos difíceis que a equipa do sado teve desde a chegada de Sandro, a verdade é que o Vitória desceu um lugar, comparativamente ao desempenho que a equipa obteve com Lito Vidigal. A equipa soma já 13 jogos consecutivos sem vencer e tudo indica, à semelhança dos últimos anos, que este Vitória lute até final para garantir a permanência.

Fonte: Vitória FC
O Aves, clube que na temporada passada alcançou uma inédita Taça de Portugal, começou mal a temporada com José Mota ao comando da equipa de Santo Tirso. A equipa tinha dificuldades em marcar golos, em jogar futebol apoiado e afigurava-se como uma das favoritas para descer de divisão, tal era a apatia mostrada no seu futebol. A entrada de Augusto Inácio permitiu à equipa fazer nove pontos em doze possíveis. A equipa passou a ser mais pragmática mas também mais organizada defensivamente e esta entrada de Inácio, para além dos efeitos positivos no futebol do Aves, acabou por levar a que a equipa avense subisse dois lugares na tabela classificativa.

Fonte: CD Aves
O Marítimo, clube com tradição no futebol português, começou a temporada com um desconhecido para a maioria dos adeptos. Cláudio Braga, homem ligado ao futebol holandês, com uma subida de divisão na temporada anterior mas que em Portugal só havia treinado o CD Santa Clara, ainda que sem sucesso. A equipa madeirense começou a temporada com bons resultados, somando nove pontos em quatro jogos. Ainda assim, os bons resultados foram dando lugar a exibições sofridas e a várias derrotas consecutivas.
Petit, homem renomado na arte de evitar descidas, fora o nome escolhido para liderar a nau maritimista. O início do trajeto do ex-internacional português foi mau mas acabaram por surgir três vitórias consecutivas que anteviam que a equipa verde-rubra ia conseguir ultrapassar essa má fase. Sol de pouca dura e depois das três vitórias, três derrotas. O Marítimo desceu três lugares na tabela classificativa, estando à data em lugar de descida.

Fonte: CS Marítimo
Depois de boas temporadas na Primeira Liga, esperava-se que o Chaves voltasse a fazer uma temporada tranquila. Daniel Ramos foi o homem escolhido pela direção flaviense para dar continuidade ao que havia sido feito nas últimas duas temporadas. O Chaves não conseguiu fazer grande figura no campeonato com Daniel Ramos como técnico, mas nas Taças ia conseguindo surpreender. A verdade é que a estadia de Daniel Ramos acabaria por chegar ao fim depois de algumas derrotas consecutivas e do último lugar na tabela classificativa.
Acabou por surgir Tiago Fernandes, homem que havia orientado de forma interina a equipa do Sporting CP. O filho do mítico Manuel Fernandes acabaria por não ter o melhor início possível com três derrotas consecutivas, mas começou a pontuar aqui e ali. O Chaves, pese embora a aparente melhoria com três vitórias nos últimos cinco jogos, continua com vida difícil e ocupa neste momento o penúltimo lugar no campeonato.
O Feirense é o último classificado do campeonato e passa por uma fase… negra. A época do Feirense começou com sete pontos em apenas três jogos. Parecia que a equipa de Nuno Manta poderia fazer uma temporada mais tranquila depois dos sobressaltos da anterior. A verdade é que os bons resultados dissiparam-se e este Feirense já não vence para o campeonato desde a jornada dois. Ao todo são 20 jogos sem conseguir vitórias na Liga NOS.
Nuno Manta acabou por não resistir aos maus resultados e surgiu Filipe Martins, homem que estava a realizar um bom campeonato com o Mafra, na Segunda Liga. Aqui é ainda difícil avaliar o efeito da chicotada psicológica porque a amostra é ainda curta mas Filipe Martins somou duas derrotas em dois jogos, aumentando ainda mais o fosso entre o Feirense, último classificado, e o primeiro lugar acima da linha de água.

Fonte: CD Feirense
Retira-se destas análises que as chicotadas psicológicas não seguem uma regra. Há casos e casos, como vimos. Importa, novamente, que aqueles que mandam no futebol, os que constroem planteis percebam que, pese embora a importância de um treinador para o sucesso/insucesso, não é ele o principal factor determinativo dos resultados que são obtidos. Há que analisar caso a caso, pelo todo e não só pela rama.
Foto de Capa: Bola na Rede
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro













