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O futebol moderno evoluiu a todos os níveis e nem as características dos defesas laterais escaparam. Os simples defesas direito ou esquerdo adquiriram uma importância como nunca haviam tido nas manobras ofensivas das equipas. Sim, porque mais do que defender, os defesas laterais passaram a atacar muito mais do que anteriormente e a contribuir significativamente para a produção da sua equipa, quer com golos, quer com assistências.
Independentemente do desenho tático da equipa e das suas pretensões de cada jogo e campeonato, nenhum treinador dispensa pelo menos um bom defesa lateral. Um que “suba” e “desça” o corredor lateral incansavelmente ao longo de todo o jogo e que, com maior ou menor técnica, consiga servir os extremos contrários e o avançado na área. Ainda que o meio campo seja ocupado por mais do que um bom estratega, com os tão desejados “bons pezinhos”, ou pelos médios de grande porte físico e que seguram o jogo, o apoio do defesa lateral é fundamental. Nem que seja para fazer circular a bola, abrir linhas de passe e refrescar o jogo.

Fonte: FC Porto
O mais comum é olhar para o plantel dos “grandes” e deles tirar as principais conclusões e exemplos. Assumindo apenas a classificação atual e, por isso, começando pelos dragões, a época de Alex Telles tem sido, até então, melhor que a anterior. Com o mesmo nome e da mesma posição, o FC Porto já contou com um Alex parecido e o seu futuro confirmou-se brilhante; o Sandro. Ainda que Ricardo Pereira tenha conseguido o seu lugar no onze, enquanto defesa ou médio, e agradado os adeptos azuis e brancos, é o brasileiro quem mais tem colhido não só o carinho dos aficionados, mas a confiança do seu treinador e colegas. O entrosamento com os seus companheiros de equipa é já inquestionável em qualquer discussão, mas é na sua qualidade individual que residem as razões desta distinção. É, sem dúvida, um dos melhores, senão o melhor, defesas laterais do nosso campeonato e para isso contribuem a forma destemida com que avança pela linha lateral e a qualidade com que serve os seus companheiros mais ofensivos. As assistências contabilizadas na época passada (8, só no campeonato) fizeram dele um dos mais presenteadores da Primeira Divisão. Assume ainda alguns dos pontapés de canto e livres laterais da sua equipa, de forma a tirar proveito precisamente dessa sua qualidade.
Embora com menos expressão nos golos das suas equipas, Piccini e Grimaldo são também dois exemplos da qualidade inequívoca e que em breve, inevitavelmente, abandonarão o nosso campeonato. O italiano, Cristiano Piccini, chegou pela mão de Jorge Jesus ao Sporting CP e apesar de não trazer consigo lances de génio, que não lhe são pedidos para a posição que ocupa, desde cedo captou a atenção e aprovação dos adeptos e o seu lugar nunca esteve em perigo. Aliás, com a sua chegada, iniciou-se uma revolução nas laterais leoninas que atiraram Jefferson para fora do clube, por exemplo. E nem mesmo Stefan Ristovski, que chegou por empréstimo, abala ou belisca a solidez do italiano.
Também Álex Grimaldo (que boa relação, esta do nome “Alex” e as laterais…) se destaca no seu clube. O SL Benfica, de há uns tempos para cá, tem vindo a disfarçar as dificuldades que sente naquela posição do terreno e na qual tanto dinheiro já gastou, principalmente com Fábio Coentrão e Nélson Semedo. Mas encontrou neste espanhol contratado à equipa secundária do FC Barcelona um excelente defesa lateral. A sua qualidade é clara e inquestionável. Parte, sem qualquer problema, para cima do adversário, com uma técnica acima da média para a sua posição e é uma excelente arma nas bolas paradas; não só no cruzamento, mas principalmente no remate à baliza contrária.
Fonte: Sporting CP
E como há vida para além dos “grandes”, importa ainda destacar o trabalho que Yuri Ribeiro tem conseguido no Rio Ave FC. Emprestado pelo SL Benfica, o jovem internacional português encontrou nos vilacondenses o clube perfeito para evoluir e se mostrar ao seu clube. O futebol praticado pela equipa de Miguel Cardoso em tudo beneficia o jovem lateral; conseguindo aliar o estilo de jogo às suas qualidades, Yuri tem, de certo, chamado a atenção dos responsáveis benfiquistas para o trabalho que tem vindo a desenvolver. Frequente e constante nas subidas no terreno, o SL Benfica tem aqui uma solução para longo prazo. Pelo menos enquanto o conseguir manter.
Todas as posições do terreno de jogo são importantes e indissociáveis. E o defesa lateral é um exemplo básico dessa dependência dos colegas de equipa; para que a sua progressão seja segura, alguém tem de compensar o espaço que deixa atrás durante essa ação. Muitas vezes é o clássico “trinco”, ou o médio interior desse lado, ou até o extremo, em casos mais particulares. Em casos de desespero, é um dos centrais, normalmente, quem é substituído para atacar a área contrária e reside nos dois laterais a esperança de uma assistência de ouro no famoso “chuveirinho”. Tudo depende do treinador e do esquema tático que este adotou.
Foto de capa: Facebook oficial de Yuri Ribeiro












