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Com a evolução do futebol atual e da capacidade de prospeção e observação por parte do scouting dos mais variados clubes, a qualidade do campeonato português tem tido um enorme crescente, beneficiando em muito equipas que, outrora, dada a falta de condições, não conseguiam reforçar a sua equipa de modo a surpreender não só em contexto nacional como também nas competições europeias.
Se com esta evolução se consegue ir buscar jogadores de grande qualidade a divisões secundárias do Brasil, como David Luiz, ou a divisões secundárias do Japão, como é o caso de Hulk ou até de divisões secundárias em Portugal, como o caso de Diogo Salomão, a verdade é que nem todos os jogadores, por muita qualidade que lhes seja reconhecida, conseguem singrar nos melhores clubes, dado o vasto leque de concorrência que enfrentam e tornam-se por isso “flops”. O meu texto sobre hoje será assim sobre Moussa Marega.
Marega veio do Campeonato Nacional Francês onde, após assinar pelo Espérance de Tunis, uma equipa que milita no futebol tunisiano, ingressa, nessa mesma época, no Marítimo. Após uma época com 15 golos em 34 partidas disputadas, o seu faro de golo não passa despercebido ao Sporting e Porto o que leva a que a equipa do Douro contrate o internacional maliano por um valor a rondar os 4 milhões de euros.
Como nem todos os “achados” da Primeira Liga podem singrar nos grandes clubes, ou porque não estão preparados, ou porque não têm a qualidade necessária, ou até porque o estilo de jogo não se adapta às necessidades do clube, Marega não singrou nos Dragões, numa altura de escassez de recursos técnicos e num sistema que não tinha dado resultado e que, pior ainda, não tinha recursos necessários para ser alterado. A partir daqui, Marega foi alvo de chacota imerecida a nível nacional sendo até acusado por muitos como “O maior flop que o Futebol Clube do Porto alguma vez tivera”.

Fonte: Vitória Sport Clube
O problema de Marega pode estar na falta de qualidade para representar um clube de grande dimensão pelo Mundo fora, como é o caso do Futebol Clube do Porto. Mais que isso, o Futebol Clube do Porto é a única equipa dos três grandes que joga em posse, com extremos criativos e que são normalmente dotados de grande técnica e de grande capacidade de descortinar defesas com o seu forte drible um para um.
A equipa técnica comandada por Peseiro quis assim fazer de Marega aquilo que não é, até porque é óbvio que o avançado de 25 anos nem é dotado de grande técnica, nem é um extremo desequilibrador e, por isso mesmo, nunca pode ser usado num esquema ao estilo do “tiki taka” e, muito menos, como extremo. Mas não é por isso que deixa de ser um bom jogador! Passo a explicar.
Apresentado Pedro Martins no Vitória Sport Clube, a equipa vimaranense reforçou-se bastante bem e tem uma equipa a jogar um futebol atrativo e que pode ainda vir a surpreender naquele que é o seu objetivo claro, o apuramento para o playoff da Liga Europa 2017/18. Passadas 7 jornadas, encontram-se na 6ª posição e a um ponto do 5º lugar (tendo já disputado jogos com o Sporting e o Porto) e ainda contando com o melhor marcador da competição. Quem é? Exatamente, Moussa Marega que, em 6 jogos, apontou nada mais nada menos que 7 golos (!), número que podem vir a aumentar ainda mais caso este não volte para o Futebol Clube do Porto já em Janeiro, como tem sido apontado.
O Vitória S.C que joga num estilo de bloco médio, em que existe total rotatividade entre os três elementos da frente (Soares, Hêrnani e Marega), o estilo de contra-ataque rápido e direto que coloca a bola rapidamente no último sector do terreno, nomeadamente nas costas das defesas adversárias, torna-se assim um completamento perfeito para um jogador que, podendo não ser um jogador de equipa “grande”, é um grande jogador de equipa “pequena”.
Moussa Marega é assim um dos jogadores mais verticais do campeonato e que explora da melhor forma possível a profundidade do campo, sobretudo aparecendo constantemente isolado nas costas da defesa adversária e ainda, dando uso ao seu físico e ao seu apurado faro de golo. Pecando nomeadamente por falhas técnicas e táticas (ao nível defensivo, nomeadamente na forma como compensa as investidas dos extremos adversários pelo centro do terreno ou pelo exagerado jogo “à queima” que apresenta), Marega é assim um jogador que merece mais respeito e que vai calando uma boca aqui e uma boca ali, surpreendendo apenas quem não o viu jogar no Marítimo.
Muita época falta para jogar e uma coisa é certa, continuem com cartazes “Mete o Marega” que ele bem gosta.
Foto de capa: Vitória SC













