Publicidade

Nuno não tirou o ‘capucho’. Será que foi mal-educado?

Inês Marques Santos · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Nuno Capucho é o reflexo dos adeptos na sua maioria. As pessoas estão cansadas deste futebol pobre que é o português. Ainda há meses escrevi que este campeonato está mesmo viciado: ‘ganham os mesmos de sempre e assim ninguém se chateia’. Lembram-se? É muito isto… Quer na Segunda, quer na Primeira Liga. O treinador do Varzim SC, por exemplo, diz que já se sabe quem sobe à primeira divisão este ano. Agora é esperar para ver… Ou será que não é preciso?

Eu estive lá quando aquelas palavras foram proferidas na conferência de imprensa e digo-vos que a revolta de Nuno Capucho era evidente para qualquer um. Dias depois do sucedido, já houve notícias que contam o seu possível afastamento como treinador de futebol.

Em relação a isto, só me consigo lembrar de outra frase que disse no mesmo texto de que falei há pouco: ‘a verdade é que a cada polémica nova, é mais um pouco da adepta apaixonada que se esmorece (…). Só espero que não chegue ao ponto de não restar mais nada’. Consigo encontrar algumas parecenças. Mesmo que indiretamente. E por isso mesmo quis falar particularmente sobre este assunto – porque também sinto essa deceção a crescer cada vez mais, porque estão a ‘matar’ algo que me dá tanto gosto viver.

Para ser sincera, acho que, no geral, o que prende os adeptos ao desporto-rei é mesmo o amor pelo seu clube e não pelo jogo em si, pelas jogadas, pelos golos, pelo espetáculo… Mas por outro lado, penso: será que é esse o ponto fulcral do problema? Irónico, não? Aquilo que ainda leva as pessoas ao estádio a ver futebol é a mesma coisa que se calhar o está a estragar. Decerto que não será a única coisa.

Nuno Capucho não poupou críticas ao futebol português depois do jogo contra o Estoril que ficou empatado 2-2
Fonte: Varzim SC

Não interessa como, o que interessa mesmo é ganhar. E será que a mentalidade dos adeptos é reflexo das entidades superiores do futebol português? Afinal, não é assim que se estuda muitas vezes a sociedade? Afinal, o comportamento dos filhos não é o reflexo da educação dos pais? Isto são só pequenos exemplos para ilustrar este meu pensamento. A minha pergunta é: de onde é que tem de partir a mudança? De baixo ou de cima? De onde não sei, mas ela tem de partir de algum lado. Como diria Gandhi, temos de nos tornar na mudança que queremos viver e acho que passa um pouco por aí.

No fundo, o treinador do Varzim SC disse o que muita gente pensa, mas não tem voz para se fazer ouvir. Se ele a tem, decidiu usá-la. Verdade seja dita: talvez não da melhor maneira. As palavras do treinador são duras e concisas e vai mesmo pagar as consequências por as ter proferido. Já foi alvo de um processo disciplinar na sequência de uma participação do Conselho de Arbitragem, mas não é nada que já não se estivesse à espera. Quando se toca na ferida, costuma arder. Só que pelos vistos há quem ainda ache que o que arde não cura.

 

Foto de Capa: Varzim SC

Inês Marques Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.