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De massa, para as massas e das massas. É assim que se pode descrever o desporto. Durante os anos, o desporto foi ganhando uma importância fulcral no quotidiano das pessoas. O futebol, e é deste que nos vamos cingir, é um dos exemplos de como o desporto modifica e faz parte da vida das pessoas.

Fonte: Coimbra Jornal
Ao longo dos séculos, principalmente no século XX, este desporto afirmou-se na Europa, na América do Sul e mais tarde no continente asiático e na África. A letra da música “É uma partida de futebol”, da banda brasileira Skank, é um espelho do futebol, não só no Brasil, mas no mundo todo. Nesta lê-se:
“Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”
O futebol tornou-se um veículo de expressão da identidade de cada membro da nossa sociedade e de cultura ganhando importância nos media ao redor do mundo. Como é que o futebol representa cada um de nós? Vamos pensar no caso de Portugal. Em Portugal temos os 3 grandes clubes: SL Benfica, FC Porto e o Sporting CP. Os adeptos destes clubes são catalogados como: os adeptos do Sport Lisboa e Benfica como sendo parte do clube mais popular, os do porto fazem parte apenas de implantação a nível regional e os adeptos do Sporting com “elitistas”, porque possuem pertenças sociais próximas das classes de maiores literacias e rendimentos. No entanto, se viajarmos por Portugal à procura de outros exemplos vemos o caso do Vitória de Guimarães que ser adepto é quase que uma célula do ADN, ou seja, inerente a quem aí vive. Dessa forma a opinião, ideais e outros aspetos vão estar formatados consoante a pertença esse clube.
A nível nacional acontece o mesmo. E neste caso os media acabam por ter um papel fundamental na implantação do futebol como forma de cultura. A afirmação identitária nacional comprova-se através do que aconteceu durante o Europeu de 2004 e no Mundial de 2006 em Portugal. Segundo um estudo relacionado com o telepatriotismo de Eduardo Costa Torres, Durante o Europeu de Futebol de 2004 mais de 85% da população portuguesa viu jogos da selecção nacional na televisão e 30% passou a seguir com mais regularidade, nos anos seguintes, os jogos transmitidos (Cardoso, Espanha & Gomes, 2006).
O elemento mais comum dessa afirmação identitária pública foi, e é, a colocação de bandeiras portuguesas em janelas, varandas e carros. Cerca de 60% dos portugueses colocou bandeiras em diferentes locais da sua casa e 18% colocou bandeiras ou vestiu-se com as cores nacionais. As ruas foram palco para mais de dois milhões de portugueses celebrarem as vitórias e, pelo menos, 10% assistiram ao jogo nos diferentes espaços públicos criados para o evento. Esta afirmação identitária deixou traços marcantes na sociedade portuguesa pois, antes do início do Mundial da Alemanha de 2006, entre os portugueses 52% afirmavam pensar colocar uma bandeira nacional no exterior da sua casa durante os jogos de Portugal (Cardoso, Espanha & Gomes, 2007).
O futebol é um espectáculo de massas. Não é apenas jogado dentro das quatro linhas dum campo. O futebol é um espetáculo de bairro, de rua e de escola, de colegas de trabalho e de torneios universitários, joga-se e vibra-se pela televisão e na rádio, entre amigos ou vizinhos, nos restaurantes, nos cafés e no emprego. Não há separação de raça, nem cor ou religião. O futebol vai muito além dos 90 minutos. O futebol ultrapassa níveis sociais, escolaridade ou qualquer outro tipo de diferença que possa haver entre pessoas.

Fonte: Bola na Rede
Muitos seriam os exemplos de países que levam o futebol a outro nível. Podíamos referir países como Inglaterra, França ou até Espanha. No entanto, saindo um pouco do habitual vamos ver o exemplo de Angola, mais propriamente da Ilha Maurícia.
Devido ao seu passado histórico, a Ilha Maurícia é influenciada por diversas culturas. Desde a sua comida, literatura e até ao desporto, pode-se encontrar influências crioulas, chinesas, francesas e indianas. E é nesse último caso que nos vamos focar. No desporto.
Foi no começo do século XX, relativamente recente, que o futebol chegou a este país através de colonos britânicos. Algum tempo depois, começaram a surgir alguns clubes nas universidades, nomeadamente: “Royal College” e o “Saint-Joseph College”, e também no centro das comunidades da sociedade mauriciana.
Ao sentir a necessidade de se organizar o futebol do país, foi fundada a Federação Mauriciana de Futebol (“Curepipe Spors Committee”), que mais tarde se tornaria “Maurítius Football Associations”, e que em 1962 se filiaram à confederação Africana de Futebol (CAF) e em 1964 à FIFA. Clubes como “Dodo Clube”, “Falcon Club”, foram fundados nesta altura.
A história do futebol na Ilha Maurícia não foi algo que se destacou. Nas classificações para a copa do mundo nunca conseguiram ser classificados, o que fez com que em 2014 desistissem de jogar por questões financeiras.
Devido à falta de patrocínios, as equipas nacionais não têm muito sucesso no que toca a competições internacionais. Apesar de haver algum destaque em algumas modalidades, a emancipação do desporto nesta República não é algo conseguido.
No futebol, nomeadamente nas competições da FIFA, a Maurícia teve um maior destaque no ano de sua estreia contra a seleção das Ilhas Reunião em 1947 em que venceu por 2-1 e , mais tarde, em 1950 que venceu essa mesma seleção por 15-2. Em1966 o país participou pela primeira vez no “campeonato Africano das nações” e em 1974, pela primeira vez, classificou-se para a fase final da “copa das nações africanas”.
Apesar de ter pouco destaque a nível nacional, o que se vive nas ruas é o futebol no seu estado puro. De manhã até ao cair da noite, jovens e menos jovens procuram se divertir com uma bola improvisada ou remendada, ou num campo coberto de terra. O importante é jogar, o importante é ser feliz.

Fonte: Depositphotos Br
É num ambiente imaculado, em que não há maldade, não há o fervor da constante competição, que surge a humilde paixão nas crianças. Estas aproveitam qualquer circunstância para “dançar” com a bola nos pés, é o retrato duma paixão singela.
A paixão que aqui se vive, transmite a identidade do país. Mesmo não sendo um país que está no TOP do mundo do futebol, não há nada que os deixe desistir. A Maurícia é uma região empobrecida, que sofreu, que se viu afligida em certas circunstâncias, mas não desistiu. Maurícias mostra que desistir é para quem não acredita naquilo que possui. Desistir de algo que faz quem neste local mágico vive sentir-se feliz, bem disposto- como o futebol-é algo impensável.
Pode não juntar milhões de adeptos num estádio quase todos os fins de semana, pode até não entrar em competições mundiais, mas uma certeza é que o futebol está no coração de quem aí vive. E isso ninguém os pode tirar.
Como forma de conclusão e como forma de fazê-lo pensar, deixamos as palavras do escritor Umberto Eco, que admitiu ser adepto do “desporto rei”: “É como a úlcera, atinge tanto o rico como o pobre.”.
Foto de Capa: Bola na Rede











