Publicidade

O Futebol Português é fraco? Desengane-se

João Reis · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Faltam apenas duas jornadas para “fecharem as cortinas” da Primeira Liga 2018/19 e ainda há muito por decidir, com a luta pelo campeonato ainda em aberto, tal como a feroz luta pela manutenção no principal escalão do futebol nacional. Mas, além da emoção acerca do destino de várias equipas, também há algo que tem abundado especialmente neste final de época: golos, golos e mais golos.

Abriram-se as comportas e uma enxurrada de golos atingiu a Primeira Liga, com o recorde de golos atingido à 32.ª jornada, onde houve espetáculo em praticamente todos os campos em que a bola rolou, com apenas um jogo a ter menos de três tentos marcados. Os números são, realmente, brilhantes: os três grandes golearam por números pesados os seus adversários, com o SL Benfica a bater o Portimonense SC por 5-1, o FC Porto a ganhar 4-0 ao CD Aves e o Sporting CP a cilindrar o Belenenses SAD por uns incríveis 8-1 que, mesmo assim, continuam a não ser a maior goleada esta época (não esquecer os 10-0 com que o SL Benfica venceu o CD Nacional).

Mas desengane-se quem achar que só os três grandes é que dão espetáculo, já que as equipas mais “modestas” da Primeira Liga não se ficaram atrás na veia goleadora: o duelo pela manutenção entre CD Feirense e GD Chaves terminou num estonteante 4-4, com voltas e reviravoltas e um empate dramático no último minuto. Já o Santa Clara foi a Tondela bater os locais por 3-1, enquanto o Vitória SC sofreu um dramático empate 2-2 frente ao penúltimo CD Nacional, com o golo da igualdade aurinegra marcado já no período de descontos.

O dérbi lisboeta entre Sporting CP e Belenenses SAD foi o jogo com mais golos da jornada 32, com nove golos marcados
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Sei que o leitor se perguntará já pelo jogo de segunda-feira em Setúbal e a vergonha que, certamente, mostrou. São acontecimentos, sem dúvida, tristes, condenáveis e que nunca podem acontecer num estádio de futebol exigindo-se punição severa para o Vitória FC e respetivos adeptos. Mas preferia olhar para o copo meio-cheio, esquecendo as dramáticas visões de que o “futebol português é um circo” e olhar mais para as oito partidas recheadas de golos e emoção que vimos esta jornada, que mostram as qualidades que também temos no futebol nacional e deixar de parte os episódios mais vergonhosos (que, infelizmente, não são um exclusivo do nosso país) protagonizados por pessoas que não acrescentam nada ao futebol.

Mas quero eu com isto dizer que o futebol português é perfeito? Claro que não. As desigualdades são evidentes na Primeira Liga, no tratamento da imprensa para com os três grandes e restantes emblemas, além de grandes problemas estruturais que requerem uma solução pensada, mas serve para o comum-adepto perceber que há matéria-prima de qualidade em Portugal, que os jogos dos ditos pequenos também merecem ser vistos e seguidos.

O futebol é feito de golos e se há coisa que esta jornada nos mostrou é que as “outras” equipas da Primeira Liga também sabem fazer golos, que os jogos sem os ditos três grandes não são um desfile de “pontapé para a frente e no final fica 0-0” e, acima de tudo, que há bom futebol no nosso país.

Cabe a nós, imprensa, divulgar o que de bom há no ludopédio nacional e ao adepto apreciar a qualidade fora dos três grandes. Há muito para desfrutar no futebol português.

 

Foto de Capa: Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

João Reis

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.