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Sporting Clube de Braga | O impacto inicial de Rúben Amorim

João Pedro Ferreira · 4 min

Sporting Clube de Braga | O impacto inicial de Rúben Amorim
Foto: SC Braga

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Numa altura em que restam pouco mais de 10 meses para a celebração do seu centésimo aniversário, o Sporting Clube de Braga surge como emblema perfeitamente consolidado no panorama do futebol português. Não obstante esta realidade, a sociedade bracarense tem procurado avidamente elevar o nível, essencialmente por meio da «formação e [da] valorização de jogadores», como de resto ficara declarado no último Relatório de Contas tornado público pela SAD bracarense.

Ora, consta que, para além dos resultados pouco convincentes na Primeira Liga, outro dos motivos a precipitar a saída de Ricardo Sá Pinto, no dia anterior à véspera de Natal, terá sido a reduzida aposta na formação – à data, meramente residual. A título de exemplo, atente-se ao caso de Francisco Trincão, um dos poucos atletas formados no clube a integrar o plantel principal e que havia somente disputado quatro encontros como titular, em três competições – Taça da Liga, Taça de Portugal e UEFA Europa League -, tendo totalizado, ainda assim, um golo e quatro assistências.

A sucessão no comando técnico do SC Braga passaria por Rúben Amorim, 34 anos e ex-internacional português e futebolista do clube que, até então, acumulara apenas uma experiência como treinador principal – precisamente, no comando da equipa B arsenalista. Por conseguinte, esperava-se que esta mudança se pudesse traduzir numa aposta mais expressiva em atletas provenientes das formações secundárias. Assim, e sob esse prisma, a promoção ao conjunto principal afigurava-se um desafio de exigência acrescida para o jovem técnico natural de Lisboa, na medida em que, paralelamente à obtenção de resultados positivos, seria necessário conjugá-los com a rentabilização de alguns jovens futebolistas da «casa».

 

A CHAVE PARA O ÊXISTO ESTAVA MESMO DENTRO DE PORTAS

A fim de tirar o máximo proveito das caraterísticas dos atletas que tinha à sua disposição, Rúben Amorim introduziu algumas alterações na disposição tática do Sporting Clube de Braga, desde logo a começar pelo adiantamento no posicionamento dos dois laterais, Ricardo Esgaio e Nuno Sequeira.

O emblema bracarense passava, então, a alternar entre um esquema-tático (3-4-3), no momento ofensivo, e um (5-4-1), a defender. Em virtude das alterações procedidas, o conjunto arsenalista começou a evidenciar uma maior serenidade na construção, o que se comprova pelos cerca de (63,45) % relativos à percentagem média de posse de bola, obtida ao longo dos últimos 10 encontros disputados (Liga e UEFA Europa League, à exepção do último para o campeonato), sendo que a média anterior se situava nos (46,95)%.

Para além disso, registaram-se, até ao momento, e também sem contar com o jogo de domingo, ligeiras melhorias no capítulo defensivo, com a equipa a conceder, em todas as competições (Taça da Liga, Primeira Liga e UEFA Europa League), uma média de um golo por partida, por oposição aos cerca de (1,2) consentidos sob a orientação de Sá Pinto nas mesmas três provas.

Por outro lado, no que respeita à aposta na formação, o treinador nascido na capital portuguesa também acabou por sobressair, concedendo mais tempo de utilização a Trincão, extremo internacional sub-21 por Portugal, que tem vindo a ganhar preponderância no onze, depois de acumular excelentes exibições nos derradeiros encontros.

Francisco Trincão, camisola número 77 do Braga, foi um dos mais beneficiados pela entrada de Rúben Amorim
Fonte: SC Braga

Ademais, Rúben Amorim tem vindo a lançar gradualmente outros futebolistas que passaram pela equipa B arsenalista, casos do defesa central David Carmo, também ele internacional sub-21 luso, do lateral esquerdo Pedro Amador (efetuou a sua estreia no fim-de-semana passado, ante o Vitória FC) e, também, do central Bruno Wilson, que regressou ao Minho, depois de, durante a primeira metade da época, se ter evidenciado, ao serviço do CD Tondela. Nota ainda para as convocações do médio defensivo internacional sub-20 português Samuel Costa (equipa sub-23) e do central Anthony Correia.

No que concerne a resultados práticos, estes fruíram de imediato, com os Gverreiros do Minho a lograrem uma série de cinco vitórias consecutivas na Liga, a qual os catapultou para o terceiro lugar da prova. A isso acresce os dois triunfos alcançados ante o Sporting Clube de Portugal e FC Porto, na semi-final e final da Taça da Liga, respetivamente.

Na verdade, desde que o jovem técnico ascendeu ao comando dos Gverreiros do Minho que estes se mantêm invencíveis na principal competição de clubes a nível nacional, sendo que, apenas por uma ocasião não averbaram os três pontos – diante do Gil Vicente FC, à passagem da 20ª. jornada.

Em suma, e ainda que o Sporting Clube de Braga não tenha conseguido transpor esta série de bons resultados para a UEFA Europa League – a formação minhota fora recentemente eliminada da prova, após duas derrotas ante os The Rangers FC. Não há dúvidas de que Rúben Amorim tem feito um trabalho notável e, se é certo que «o futebol é o momento», acredito que os responsáveis Bracarenses não estejam arrependidos de lhe terem confiado o destino da equipa principal.

Foto de Capa: SC Braga

 

 

João Pedro Ferreira

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