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O legado do professor Abel

Diogo Pires Gonçalves · 2 min

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Abel Fernando Moreira Ferreira, 40 anos de idade, deixa a cidade dos arcebispos e aterra em Salónica para ajudar o PAOK a defender o título de campeão grego. Para trás ficam duas temporadas como treinador principal do SC Braga, três na equipa “B” dos arsenalistas e uma na do Sporting CP.

Subiu à equipa principal na temporada 2016/17 para terminar a época dos arsenalistas, depois da saída de Jorge Simão, e por lá ficou até à temporada passada. Ao cabo de dois anos, conseguiu um registo de 61 vitórias em 98 jogos disputados, distribuídos pelas várias provas em que o SC Braga se inseriu.

Apesar da percentagem de vitórias ultrapassar os 60%, Abel não conseguiu conduzir os “Gverreiros do Minho” a nenhum troféu. Intrometeu-se na luta pelo título, chegando ao primeiro posto por algumas jornadas, mas não conseguiu ir além do quarto lugar final nas duas temporadas, com 75 e 67 pontos.

Um dos principais pontos negativos do trabalho de Abel em Braga foi o desempenho europeu. O melhor que conseguiu foi chegar aos 16 avos-de-final da Liga Europa, onde caiu perante o Olympique de Marseille (3-1). Nessa edição de 2017/18, os bracarenses ultrapassaram, nas pré-eliminatórias, os suecos do AIK (2-3) e os islandeses do FH Hafnarfjordur (3-5). Já na fase de grupos, ficaram colocados no primeiro posto à frente do PFC Ludogorets Razgrad (Bulgária), Istanbul Basaksehir FK (Turquia) e TSG Hoffenheim (Alemanha). Na época seguinte, caiu logo na 3ª pré-eliminatória frente aos ucranianos do FC Zorya Luhansk.

Abel já veste as cores do novo clube
Fonte: PAOK

Um dos pontos positivos foi a superioridade que manteve em relação aos rivais do Minho. No comparativo do dérbi do Minho, os bracarenses comandados por Abel venceram duas partidas na Pedreira (2-1 e 1-0) e na cidade berço conseguiram uma vitória e um empate (1-1 e 0-5). Foram, em dois anos, três vitórias, um empate, nove golos marcados e apenas dois sofridos.

Por outro lado, a distância para os crónicos grandes do futebol português até foi encurtada, mas nunca ameaçada. O SC Braga terminou sempre atrás de “águias”, “dragões” e “leões” no campeonato. Nestes dois anos, o duelo mais disputado foi contra os verdes e brancos, conseguindo duas vitórias (ambas 1-0), um empate (2-2) e uma derrota (3-0) para o campeonato e uma derrota na Taça da Liga no desempate por grandes penalidades.

Frente às “águias”, o melhor que conseguiu foi um empate a um golo para a Taça da Liga, seguido de quatro derrotas para o campeonato (4-1, 6-2, 1-3 e 3-1). No que às batalhas contra os “dragões” diz respeito, os minhotos só conseguiram evitar a derrota por uma vez, quando empataram na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal (1-1). Antes disso haviam perdido 3-0 na primeira mão e para o campeonato somaram mais quatro derrotas (2-3, 1-0, 1-3 e 1-0).

A formação do SC Braga tem tido nos últimos tempos uma relevância e visibilidade que antes não conseguia. Pelas mãos de Abel, ainda que alguns tenham poucos minutos de jogo para a qualidade evidenciada, estrearam-se pela equipa principal Francisco Trincão (8 jogos), Pedro Neto (3 jogos) e Tiago Sá (32 jogos). Chega assim ao fim a passagem de Abel Ferreira em Braga e o sucessor escolhido por António Salvador é Ricardo Sá Pinto.

Foto de Capa: SC Braga

 

Diogo Pires Gonçalves

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