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É caso para dizer: há neve na Serra! Numa Segunda Liga repleta de “tubarões”, ansiosos por regressar o mais rápido possível aos palcos da Primeira Liga, é no distrito de Castelo Branco, na pequena e acolhedora cidade da Covilhã, que mora o líder isolado do campeonato. Os serranos contam com cinco vitórias e apenas uma derrota nestas primeiras seis jornadas. Vem daí conhecer o SC Covilhã!
Começo precisamente pelo novo comandante dos “Leões” da Serra: Ricardo Soares. O treinador felgueirense de 44 anos é já um nome bem conhecido entre os técnicos da Segunda Liga tendo estado inclusivamente no escalão principal do futebol português por duas ocasiões, embora sem grande sucesso em termos pessoais.
Ao serviço do GD Chaves, em 2016/17, substituiu a meio da temporada Jorge Simão, que havia saído para o SC Braga. Apesar da temporada estável dos flavienses, Ricardo Soares alcançou apenas seis vitórias em 23 jogos realizados, tendo saído no final dessa mesma temporada para o CD Aves. Regressados à Primeira Liga, a época não começou bem para Ricardo Soares, que saiu do comando técnico dos avenses ao final de apenas nove jogos. Não parou. Coimbra foi o seu destino, onde abraçou o projeto de subida da Académica OAF e em que lutou até às últimas jornadas pelo regresso da briosa ao convívio dos grandes do futebol nacional.
Após uma temporada em branco, sem orientar nenhum clube, Ricardo Soares voltou ao ativo para orientar este SC Covilhã e tem tido muito sucesso. Seis jogos, cinco vitórias e apenas uma derrota num campeonato tão competitivo e imprevisível como é o da Segunda Liga. Se juntarmos isto ao facto de os Serranos estarem na fase de grupos da Allianz Cup após derrotarem o primodivisionário FC Famalicão por 2-0, o foco neste excelente arranque é ainda mais evidente. O bom futebol praticado e a dinâmica de vitória que o Covilhã tem vindo a construir estão perfeitamente aliados à competência e à capacidade estratégica que sempre reconheci em Ricardo Soares. Os “Leões” da Serra.

Fonte: SC Covilhã
Mas a história não começa exatamente nesta temporada. A época passada foi já verdadeiramente impressionante. O SC Covilhã terminou num espetacular sexto lugar do campeonato quando em janeiro ocupada o 16º lugar! A evolução dos serranos está a ser confirmada esta época com a liderança isolada do campeonato, tendo apenas sofrido uma derrota, frente ao Leixões SC, por 3-2.
A maior surpresa começou, porém, em julho. Estávamos no final do mês e num início de competição oficial muito aguardado pelo FC Famalicão, na Allianz Cup onde, a jogar em casa e com um plantel renovado e com muita qualidade (como se comprova pela sensacional liderança isolada no campeonato), se afirmava como favorito a chegar à fase de grupos da competição. E pela frente teve este Covilhã, que se apresentou em Famalicão muito personalizado, com muito critério na saída para o ataque e, acima de tudo, com um equilíbrio emocional e tático muito grandes para a fase tão prematura da época. Foi com um 2-0 que os serranos esfriaram a euforia famalicense, numa vitória justa e que foi fruto da maturidade competitiva que apresentou em campo.

Fonte: SC Covilhã
E é precisamente esse o Covilhã que temos visto ao longo destas seis jornadas. Uma equipa que sabe o que quer, que faz do coletivo a sua maior arma tendo um plantel com muita experiência de Segunda liga, o que também contribui para uma forma de jogar assente no equilíbrio e na gestão (de qualidade, porque tem sempre de haver qualidade para levar estas tarefas a cabo) dos vários momentos do jogo. Quando o coletivo funciona, as individualidades também têm mais facilidade em “soltar-se”.
Adriano Castanheira foi mesmo considerado o melhor jogador do mês de agosto (tem já quatro golos apontados) mas também a qualidade de Kukula ou do experiente Gilberto saltam à vista. Porém, é notório que o segredo está mesmo no coletivo. A vitória em Chaves este fim-de-semana, frente a um adversário com o objetivo assumido de subir de divisão e com vários jogadores com passado de Primeira liga, é sinónimo disso mesmo. O golo madrugador dos flavienses, que até poderia indicar uma má tarde para o Covilhã, acabou por se traduzir numa reação forte, pensada e muito bem gerida emocionalmente pelos homens da Serra, que conseguiram virar o jogo e vencer. O significado desta vitória ganha ainda maior expressão se virmos que o Covilhã vinha precisamente da sua primeira derrota na época, o que poderia também levar a algum desânimo, que não se verificou em momento algum. Maturidade é a palavra que mais define este Covilhã.
A pergunta que se impõe é: Até onde pode chegar o Covilhã? Numa Segunda Liga muito competitiva com GD Chaves, CD Feirense, CD Nacional, Estoril SAD ou Académica como alguns dos candidatos mais fortes à subida, a verdade é que é o Covilhã que neste momento lidera e com toda a justiça. A Segunda Liga é uma maratona de jogos e uma autêntica montanha russa de resultados, de momentos de forma, de estados emocionais. Será o Covilhã capaz de manter-se de pé? Uma coisa é certa: não será fácil derrotar os “Leões” da Serra.
Foto de Capa: SC Covilhã
Revisto por: Jorge Neves









