Portimonense SC: uma equipa esquizofrénica

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O Portimonense SC é, indiscutivelmente, uma equipa que tem dado nas vistas durante esta época. Tem sido uma equipa exemplar no que toca a confrontos diretos com os grandes do futebol português e não é por acaso que se encontra em oitavo lugar na tabela classificativa.

Ao início da época, as coisas nem estavam a correr muito bem para os lados de Portimão, mas parece que a nuvem negra de que falei na altura desvaneceu um pouco. O bom futebol que é praticado pela equipa de António Folha é notório, bem como a qualidade dos jogadores que o Portimonense tem no seu plantel, dos quais Nakajima leva claro destaque. Mas nem tudo tem sido um mar de rosas como vamos poder analisar mais à frente neste artigo.

A equipa algarvia tem mostrado máxima competência em jogos muito difíceis como os duelos com o Sporting CP e SL Benfica, por exemplo, mas a verdade é que também tem vacilado em jogos teoricamente mais fáceis. Principalmente para uma equipa que tem jogado olhos nos olhos com adversários como os de que falei há pouco.

Depois de derrotar os “encarnados” por 2-0, o Portimonense perdeu com o Marítimo por 2-1, uma equipa que já não ganhava um jogo, vejam bem, desde 2 de setembro de 2018! Mas claro que este desaire não tinha tanto impacto se não víssemos que, também depois de derrotar o Sporting por 4-2, o Portimonense viu-se derrotado pelo Cova da Piedade por 2-1, num jogo a contar para a Taça de Portugal.

Se quisermos ir ainda mais longe, ainda na pré-época, podemos recordar também que o Portimonense conseguiu ganhar ao FC Porto por 2-1 e acabou por perder, mais uma vez, o jogo a seguir frente ao Lille. Ainda que seja o Lille, e ainda que se trate de um adversário totalmente diferente do Marítimo ou do Cova da Piedade, não deixa de ser interessante analisar esta estatística e esta atitude algo esquizofrénica por parte da equipa de Portimão, que tem sido capaz do pior e do melhor no espaço temporal de apenas uma semana.

Se contarmos com a pré-época, o Portimonense já venceu os três grandes. No entanto, perderam sempre o jogo seguinte
Fonte: Portimonense SC

Cada jogo é um jogo, é verdade, e também sei que jogos com os três grandes devem ter uma motivação extra para alguns jogadores, mas será que a abordagem a confrontos contra equipas mais modestas é feita com uma maior displicência por parte da equipa? E será que é por isso que se seguem as derrotas após jogos irrepreensíveis frente aos três grandes? Dá-me ideia que sim. Bem sei que o nível de exigência física para se jogar com uma equipa que tem um orçamento de milhões pode condicionar a condição física desses mesmos jogadores na semana seguinte. E agora pergunta: será, então, isto sustentável? Fica a questão.

Esta última derrota frente ao Marítimo pautou-se pela particularidade de o Portimonense ter tido três ausências de peso. Nakajima, de que falei há pouco, não pode jogar nos Barreiros e, como era de esperar, os algarvios sentiram, e muito, a falta do extremo japonês que é exímio a desequilibrar na frente de ataque. Jackson Martinez e Bruno Tabata também não fizeram parte das contas de António Folha e, sem dúvida, que isso dificultou muito a vida ao técnico português.

Só não digo que os poucos dias de descanso entre o jogo de quarta e de sábado possam ter influenciado o resultado, pois o Marítimo também teve uma deslocação difícil a Braga no mesmo curto espaço de tempo. Sendo assim, não há propriamente nenhum clube beneficiado quanto a isto.

O Portimonense vive um momento delicado quanto à gestão do plantel e os próximos encontros, frente ao SC Braga e ao Boavista FC, não vão ser nada fáceis para os algarvios. Resta-nos esperar então para ver como é que a equipa e o próprio técnico vão reagir às adversidades. Pelo menos os alvinegros já nos conseguiram mostrar, mais do que uma vez, que do pouco se consegue fazer muito. Falta é, na minha opinião, alguma consistência quanto a isto.

Foto de Capa: Portimonense SC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Inês Marques Santos
Inês Marques Santoshttp://www.bolanarede.pt
A Inês é licenciada em Jornalismo. A experiência do Bola na Rede veio juntar duas coisas de que gosta de fazer: escrever e ver futebol. Desde nova que quer entrar no mundo do jornalismo desportivo e espera um dia conseguir marcar o seu lugar no mesmo.

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