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SC Braga | Em busca de uma identidade

Tiago Serrano · 2 min

Sporting Clube de Braga António Salvador
Foto: SC Braga

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O SC Braga já conta com o quarto treinador nesta temporada. Depois do despedimento de Ricardo Sá Pinto na pausa do Natal, o grande impacto causado por Rúben Amorim, com a conquista da Taça da Liga e oito vitórias em nove jogos no campeonato, levou o presidente do Sporting CP Frederico Varandas a pagar a sua cláusula de rescisão fixa em 10 milhões de euros, fazendo de Rúben Amorim o treinador mais caro da história do futebol português.

Para o seu lugar, Custádio Castro seria promovido da equipa B, sendo assim o terceiro treinador do clube arsenalista na temporada 2019/2020. Estas mudanças demonstram uma dificuldade que o clube da cidade dos arcebispos apresenta: a dificuldade em estabilizar um processo de jogo.

Neste século, o Sporting de Braga afirmou-se como a principal ameaça aos três grandes na luta pelo pódio em cada época. A isto, junta ainda a conquista de uma Taça de Portugal e duas Taças da Liga e ainda algumas boas prestações nas competições europeias, sobretudo a chegada à final da Liga Europa em 2010/2011.

Neste aspecto, o presidente António Salvador merece todo o mérito e mais algum pelo facto de colocar o clube da cidade dos arcebispos a um nível nunca antes visto. Porém, este crescimento poderia ser ainda mais acentuado, se o mesmo estivesse assente num processo e numa ideia de jogo positiva.

Fonte: SC Braga

Todos sabemos que o SC Braga tem menos recursos e menos fontes de receitas que os três grandes e que com isso, torna-se mais difícil segurar uma espinha dorsal no plantel e também um treinador que mostre resultados e qualidade de jogo no clube. A questão aqui é que dá por várias vezes ao longo da sua presidência, António Salvador apostou em treinadores que se revelaram como claros erros de casting.

José Peseiro, Jorge Paixão, Jorge Simão e Ricardo Sá Pinto são só alguns exemplos de trabalhadores que fracassaram redondamente em terras arsenalistas. Mas mais do que as más escolhas, o problema é que em muitos dos casos, os treinadores substitutos têm ideias e modelos de jogo completamente diferentes dos seus antecessores, o que demonstra falhas no planeamento de uma época.

Mas por esse mesmo motivo, agora, a coragem de António Salvador também merece ser enaltecida. Rúben Amorim é um treinador que ainda está em formação, mas mostrou ter ideias mais positivas do que muitos treinadores de nível IV que por aí andam. E a aposta em Custódio para a sucessão, apesar da polémica devido ao curso, também parece caminhar no mesmo sentido.

Numa altura em que o SC Braga começa a revelar cada vez mais talentos na formação, é necessário que o clube aposte num treinador capaz de os aproveitar e potenciar, apostando num modelo de jogo que privilegie a sua evolução. E caso o clube se mantenha fiel a esta identidade, o clube poderá estar mais perto de chegar ao tão sonhado título.

 

Tiago Serrano

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