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Tribuna VIP: As bolhas do futebol

Redação BnR · 3 min

futebol verão pedro afonso

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TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.

É difícil escrever sobre futebol. Um desporto tão simples, com regras fáceis de aprender, mas cheio de variantes emocionais, mentais, físicas e químicas. Contudo, é um desporto de massas, que parece ter sido feito para o mundo esquecer os seus problemas diários e desfrutar de 90 minutos que nos respondem àquela pergunta: “Qual é o sentido da vida?”.

Já perceberam por esta introdução que sou intitulado por muitos como membro do grupo dos românticos do futebol. Nada disso. Acredito que podemos todos falar de futebol de uma forma racional e apaixonadamente pragmática. Para isso, temos de fugir das bolhas.

Na nossa sociedade há muitas bolhas. Lembram-se do mítico anúncio de uma marca de “iogurtes salvadores” que nos punha dentro de uma bolha protetora? Pois bem, atualmente há bolhas dessas, cheias de pessoas que usam a mesma linguagem, têm todas os mesmos interesses e até o mesmo estilo de roupa. No futebol, caminhamos para um desporto cheio de preconceitos, formas de jogar predefinidas e frases feitas para caracterizar táticas e ideias de jogo. E quando aparece alguém diferente, ouvimos muito esta frase: “Não sei como é que esta pessoa pertence ao mundo do futebol”.

Só conseguimos fugir destas bolhas se tivermos três fatores: educação, cultura e história. Se andarmos sempre à procura deles, vamos conseguir viver um futebol construído com base nas glórias do passado (história), com um olhar crítico do agora (cultura) e com uma visão para o futuro (educação). Quem está agarrado a conceitos ultrapassados, ainda não percebeu o que vem aí nesta década que agora começou.

Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Olhemos para Portugal, um país tipicamente conservador. Quando olho para tudo o que nos rodeia, sinto que ainda vivemos numa bolha situada a um canto da Europa. Já conseguimos fazer alguns furos nessa redoma, mas ainda estamos longe de respirar ar puro. Quem tem o privilégio de trabalhar fora desta redoma, percebe o que andamos a perder. Há todo um mundo de possibilidades e aqui continuam-nos a dizer que só existe uma forma de ganhar, de comunicar, de planear e de jogar.

Essas bolhas não beneficiam ninguém. É tempo de furarmos a bolha. Os clubes estão a perder dinheiro como nunca perderam e vão ter de mudar. Não, isto não é só uma consequência da pandemia, isto mostra o desinteresse por este negócio, por esta indústria quando outras plataformas estão a crescer e a roubar público ao futebol. A derrota nas audiências em certos jogos dos três grandes para as novelas mostra que este modelo já não vence sempre. Temos de jogar para as pessoas. Temos de educar os nossos adeptos, temos de dar referências, exemplos de vida àqueles que nos acompanham todos os dias e que dão alma aos clubes. Os clubes portugueses têm de perceber que temos de dar mais e receber menos.

O que se passou no pós-jogos da final-four da Taça da Liga, em Leiria, foi só mais um excelente exemplo. Em três partidas, só tivemos oficialmente duas conferências de imprensa, porque na verdade, só os treinadores interessam. Quem é que sai beneficiado disto tudo? O futebol não é certamente. E por isso pergunto a jogadores, treinadores, dirigentes e até a jornalistas: querem continuar a viver nesta bolha?

Artigo de opinião de Pedro Afonso,
jornalista ELEVEN


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