Publicidade

Vitória FC – Em busca de um melhor fim

Tiago Serrano · 6 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol Nacional

O Vitória Futebol Clube é um dos clubes com mais histórias no futebol português. Com 3 Taças de Portugal e uma Taça da Liga no seu museu, e prestações dignas no campeonato e nas competições europeias, sendo também um clube com uma forte ligação ao seu povo, aos seus sócios e adeptos.

No entanto, nos últimos anos tem sido frequente ver o Vitória a realizar épocas de sobressaltos, com constantes fugas à despromoção. Apesar das grandes limitações financeiras que assolam o clube há anos, o Vitória FC tem conseguido permanecer no convívio entre os grandes desde 2004/2005, muito graças à crença e ao espírito de sacrifício dos sadinos.

A época passada foi mais uma época complicada para os sadinos. Sob o comando técnico de Quim Machado, a equipa setubalense até realizou uma primeira volta positiva, mas na segunda, a equipa ressentiu-se da perda do seu goleador (Suk transferira-se para o FC Porto) e só conseguiu garantir a manutenção na última jornada, terminando o campeonato num aflito 15º lugar.

De modo a evitar mais aflições, o presidente Fernando Oliveira apostou no regresso de José Couceiro para levar a equipa a voos mais altos. O técnico lisboeta iria então fazer a sua terceira estadia no Vitória de Setúbal, até porque a este estão associadas algumas das melhores épocas do clube sadino neste século.

Na primeira em 2004/2005, realizou uma primeira volta sensacional que valeu a sua transferência para o FC Porto a meio da época, levando o Vitória FC a marcar presença nos lugares cimeiros da tabela classificativa e formou as bases da equipa que conquistaria a final da Taça de Portugal no final da época. Regressaria à cidade do Sado no decorrer do campeonato 2013/2014, substituindo José Mota após a sétima jornada com o clube na penúltima posição, conseguindo fazer crescer a equipa, com esta a terminar o campeonato num tranquilo sétimo lugar.

Foi no vitória de Setúbal que José Couceiro foi mais bem sucedido na carreira Fonte: Vitória Futebol Clube
Foi no vitória de Setúbal que José Couceiro foi mais bem sucedido na carreira
Fonte: Vitória FC

Na terceira estadia do ex-treinador do Sporting CP, as coisas também parecem remar a favor da maré, com o clube sadino a ocupar neste momento o oitavo lugar (em igualdade pontual com o Boavista FC) e a praticar um futebol positivo que agrada os adeptos, mas sabendo também jogar em contenção quando necessário, como se viu por exemplo nas recepções ao FC Porto e ao SL Benfica. Conseguiu também o apuramento para a Final Four da Taça da Liga.

Época após época, o plantel do Vitória de Setúbal é sempre um dos mais nacionais do campeonato. E de certa forma, as limitações financeiras do clube contribuem para isso. A nível da política de jogadores, o Vitória FC é um clube que se mantém fiel à sua tradição de apostar e valorizar o produto nacional, doseando a aposta na juventude (sejam formados no clube ou emprestados por algum dos grandes), com a contratação de jogadores oriundos de divisões inferiores, tais como Costinha, Vasco Costa e João Amaral.

Na baliza, Bruno Varela é o habitual titular. O guarda-redes titular da selecção de esperanças tem-se afirmado como um dos bons valores das balizas nacionais, destacando-se pelos reflexos apurados e pela presença entre os postes. Pedro Trigueira, ex-guarda-redes da Académica, foi aposta nas Taças e nalguns jogos do campeonato, cumprindo o seu papel quando é opção.

Na lateral-direita, André Geraldes era dono e senhor da posição, mas a polémica com o Sporting após o confronto para a Taça da Liga que levou ao seu retorno, fez com que a aposta de José Couceiro recaísse na adaptação do congolês Arnold. Toni Gorupec e o recém-contratado Luís Felipe são as alternativas, mas ainda não somaram minutos neste campeonato.

No centro da defesa, a dupla Frederico Venâncio e Vasco Fernandes tem sido a mais utilizada. O central vice-campeão europeu de sub-21 já é o capitão de equipa e já apontou três golos neste campeonato. Já o central guineense (internacional sub-21 português), ainda só falhou dois jogos do campeonato e tem um golo apontado. Fábio Cardoso também tem sido opção regular no centro da defesa, com 14 jogos realizados. Na lateral esquerda, Nuno Pinto tem sido titular indiscutível, falhando apenas um jogo até ao momento.

No meio campo, José Couceiro apostou inicialmente num duplo pivôt defensivo com Fábio Pacheco como médio mais recuado, formando dupla com Mikel Agu ou Nenê Bonilla, e com Costinha como médio mais ofensivo. A partir da 11ª jornada, com a entrada de Ryan Gauld no onze inicial, José Couceiro apostou num meio-campo mais ofensivo, com o nigeriano Mikel Agu a trinco, voltando a utilizar o duplo pivot defensivo apenas no jogo contra o SL Benfica na 19ª jornada.

Como médios de características mais ofensivas, Costinha tem sido indiscutível, sendo actualmente o jogador mais utilizado por José Couceiro, com 21 jogos disputados. Ao adoptar esta táctica, Ryan Gauld foi inicialmente a aposta para ocupar a terceira vaga no meio-campo, mas com a sua devolução ao Sporting CP, a opção recaiu sobre a adaptação de João Amaral, até o clube sadino garantir a cedência de João Carvalho. O médio de 19 anos formado no Benfica, que estava a ser a figura de proa na equipa B dos encarnados, é assim mais um jovem que o clube sadino procura desenvolver e potenciar antes de regressar à “casa-mãe”, como já fez com outros jogadores como João Mário, Rúben Semedo e André Horta.

João Carvalho foi contratado para dar criatividade ao jogo dos sadinos Fonte: Vitória FC
João Carvalho foi contratado para dar criatividade ao jogo dos sadinos
Fonte: Vitória FC

No ataque, durante a primeira metade da época, José Couceiro alternava entre a aposta em André Claro como falso 9, ou na utilização de alguém com mais presença na área adversária como Edinho ou Thiago Santana. Com a saída de André Claro para o Estoril Praia, José Couceiro apostou definitivamente em ter um homem de área no ataque, com Edinho a ocupar o lugar. O avançado internacional português é mesmo o melhor marcador da equipa com 5 golos na Liga, e apontou também o golo que apurou os sadinos para a Final Four da Taça da Liga. O veterano Meyong também é uma alternativa no ataque. O internacional camaronês marcou o golo dos sadinos no jogo da última jornada em Paços de Ferreira e é uma peça importante no balneário.

Entre os extremos, João Amaral tem sido o mais utilizado. O jogador contratado ao FC Pedras Rubras tem sido uma das revelações do campeonato com 21 jogos e quatro golos marcados. Entre as outras opções, surgem nomes como André Claro (embora esta jogasse mais a ponta-de-lança), Nuno Santos, Zé Manuel e Vasco Costa.

Neste momento, o Vitória Futebol Clube tem 29 pontos conquistados, sendo que a esta altura da época passada, o Vitória FC ocupava a décima posição com 27 pontos conquistados, tendo até ao final do campeonato conquistado apenas mais três pontos, perdendo 11 dos 12 jogos restantes. Como tal, existe também uma certa curiosidade e apreensão por ver se a equipa sadina irá decair de forma como se sucedeu na época passada. No entanto, acredito que nesta época, os indícios serão mais positivos, e que José Couceiro consiga levar o clube a um “Bonfim”.

Apesar do clube ter perdido alguns jogadores importantes, como Zequinha, André Horta e o capitão Paulo Tavares, José Couceiro conseguiu construir uma equipa que pratica bom futebol. Se o técnico lisboeta assentar a sua carreira no Vitória de Setúbal -as suas más experiências noutros clubes podem contribuir para tal -, ele pode conseguir levar o clube sadino a voos mais altos, aproximando-o dos resultados que tornaram o Vitória FC um histórico do futebol português.

Foto de capa: Vitória FC

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos