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3 jogadores que poderiam inspirar um documentário

Diana Oliveira · 4 min

Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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São várias as personalidades cujas vidas poderiam inspirar um documentário. Seja pelos projetos que se associam, pela maneira de encarar cada dia com uma abordagem “fora da caixa”, ou até pelas dificuldades que passaram até finalmente encontrarem o sucesso, estas pessoas têm uma história particularmente interessante e, muitas vezes, inspiradora. Também no futebol conseguimos encontrar alguns casos de jogadores que se encaixariam neste perfil e cujo percurso muitos de nós gostaríamos de ver retratado nos ecrãs. O Bola na Rede reuniu três jogadores a atuar na Primeira Liga (ou que atuaram na época que terminou recentemente) que poderiam inspirar um documentário.

Tarantini

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Ricardo Monteiro, mais conhecido no mundo do futebol como “Tarantini”, tem um percurso particularmente singular. O médio apresenta-se no seu website como “Futebolista Profissional, Orador, Autor e Investigador” e, só por aqui, já percebemos que a sua visão do presente vai muito para além do futebol. Tarantini escolheu ser diferente da maioria dos futebolistas que preferem viver a sua carreira sem projetar o que será a sua vida no fim desta e, desde cedo, começou a estudar e a perceber a importância da educação não só para o seu futuro, mas para melhorar enquanto futebolista.

Concluiu duas licenciaturas, uma em Ciências do Desporto e outra em Educação Física e Desporto Escolar, um mestrado na área do futebol e pretende, ainda, terminar o doutoramento – sobre as transições na carreira do desporto – enquanto jogador de futebol. Já lançou um livro e é autor do projeto “A minha causa”, que visa ajudar a consciencializar os profissionais do desporto de alta competição para a importância de planearem o seu futuro.

Tornou-se orador motivacional, porque acredita que o seu percurso “possa servir de inspiração para outros transformarem os seus sonhos em intenções” e é frequente dar palestras em escolas, clubes, academias, universidades e até empresas. Pelo trabalho realizado, ganhou em 2018 o prémio “Ética Desportiva” na 23ª Gala do Desporto da Confederação do Desporto de Portugal.

Jackson Martínez

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

A história de vida do colombiano entrelaçou-se em vários momentos com o nosso país. Jackson Martínez chegou a Portugal pela primeira vez em 2012 para atuar ao serviço do FC Porto, clube no qual se notabilizou como um goleador mortífero e se tornou um ídolo dos adeptos.

O “salto” esperado deu-se para o país vizinho, mais concretamente, para o Club Atlético de Madrid onde, todavia, nunca se conseguiu impor como nos dragões e nesse mesmo ano saiu para os chineses Guangzhou Evergrande FC. Foi ainda no clube da capital espanhola que começou o calvário do avançado ao contrair uma lesão crónica no tornozelo que o levaria mais tarde a afastar-se dos relvados durante dois anos.

Dois anos de muito sofrimento, entre cirurgias e vários outros tratamentos para tentar contrariar ou minimizar a dor que o fez até equacionar terminar a carreira. Contudo, o Portimonense SC “deu a mão” ao colombiano e apostou nele numa altura em que nem o próprio conseguia garantir se estava apto para voltar a jogar.

Seguiram-se duas épocas no clube algarvio marcadas sobretudo por muita dor, espírito de sacrifício e resiliência, uma vez que a lesão nunca permitiu que voltasse a ser o jogador que outrora brilhara no nosso país.  O avançado assumiu que acordava todas as noites com dores, mas afirmou que, para ele, “a maior dor seria não voltar a jogar”. Terminou agora o vínculo com o Portimonense para ir cumprir o sonho de acabar a carreira no clube onde tudo começou, no CD Independiente Medllín, na Colômbia.

Hugo Vieira

Provavelmente já será conhecido por muitos o momento trágico que marcou a vida do avançado natural de Barcelos. Hugo Vieira viveu uma bonita história de amor ao lado de Edina Carvalho que terminou abruptamente quando esta perdeu a luta contra uma doença oncológica, depois duma longa batalha naturalmente vivida com muita intensidade pelo avançado, que chegou ainda a equacionar parar de jogar.

Na altura do diagnóstico tinham acabado de se mudar para Espanha, onde Hugo passou a atuar pelo Real Sporting de Gijón, por empréstimo do SL Benfica. Seguiram-se vários clubes onde, fruto da sua vida atribulada entre os relvados e o hospital, nunca se conseguiu afirmar.

Após o acontecimento aterrador que o marcaria para a vida, Vieira conseguiu “renascer” para o futebol nos sérvios Estrela Vermelha, afirmando-se como o goleador do clube e tornando-se um herói entre adeptos. Esta enorme capacidade de superação atribuiu-a à falecida noiva, afirmando que “foi isto que prometi à Edina”. É também neste país que conhece a sua atual companheira e mãe da sua filha, mais um sonho realizado para o avançado e que se tornou a sua maior motivação. Atualmente, conseguimos vê-lo a notabilizar-se ao serviço do Gil Vicente FC, clube da sua terra natal e para o qual voltou na época passada, depois de algumas passagens pelo emblema de Barcelos no passado. Hugo Vieira renovou recentemente o vínculo com o clube e assumiu o desejo de se tornar o melhor marcador da história do clube, ele que está a dois golos desse objetivo.

Artigo revisto por Joana Mendes

 

Diana Oliveira

Redação Bola na Rede · ver artigos