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4 equipas que se «salvaram» na secretaria

João Reis Alves · 4 min

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Terminada a temporada 2019/2020, voltam a ser notícia as movimentações na secretaria que podem alterar quem desce e quem se mantém, com o Vitória FC debaixo de fogo e a arriscar cair para o Campeonato de Portugal, enquanto o Portimonense SC pode ficar salvo na Primeira Liga depois de não conseguir evitar a descida desportivamente.

No entanto, esta está longe de ser uma situação única no futebol português e o Bola na Rede mostra-lhe quatro clubes que alcançaram a manutenção pela via administrativa.

4.

GD Chaves (1997/1998) – Recuamos aos finais dos anos noventa para encontrar uma salvação fora de horas para o conjunto azul-grená. Na temporada 1997/1998, o Desportivo de Chaves ficou no antepenúltimo lugar e tinha garantida a descida à Segunda Liga mas, após a época terminar, eis que surge o castigo para o tão badalado «Caso Guímaro» que acaba por condenar o Leça FC.

O caso remonta à época 1992/1993, quando o árbitro José Guímaro recebeu um cheque de 500 contos do presidente do Leça FC, Manuel Rodrigues, que serviu para ajudar os leceiros a vencer o Académico Viseu FC na primeira jornada da fase de subida da Segunda Liga, com o árbitro a assinalar um penálti duvidoso a favor do Leça FC.

José Guímaro acabou condenado por corrupção passiva e afastado da arbitragem, enquanto o Leça FC desceu oficialmente de divisão por corrupção a 23 de julho de 1998, uma decisão que manteve o GD Chaves na Primeira Liga.

3.

Gil Vicente e Belenenses encerram ‘caso Mateus’ e minhotos podem subir à I Liga em 2019/20: Gil Vicente e Belenenses assinaram hoje um princípio de acordo sobre o ‘caso Mateus’, que permite aos gilistas a subida administrativa à I Liga… https://t.co/Cz7pmkpLr3 #dnoticias pic.twitter.com/ogLsbXu1SV

— dnoticias.pt (@dnoticiaspt) December 12, 2017

CF “Os Belenenses” (2005/2006) – Passamos para outro tão badalado caso do futebol português: em 2005/2006, o Gil Vicente FC garantiu a manutenção na Primeira Liga ao vencer o Belenenses por 1-0 na última jornada, resultado que acabou por condenar os azuis à descida numa época em que quatro equipas caíram de divisão.

Porém, os gilistas já estavam a contas com a justiça desportiva por causa do «Caso Mateus», em que o emblema de Barcelos era acusado de ter utilizado indevidamente o extremo angolano. Isto porque os regulamentos diziam que um jogador que passasse de profissional para amador teria de ficar um ano inteiro nessa condição. Porém, o Gil Vicente contratou Mateus aos amadores do Lixa antes que esse ano fosse cumprido.

A decisão final acabou por ser a descida dos gilistas e a salvação do Belenenses, mas a polémica acabou por durar mais de dez anos até o caso ser definitivamente resolvido em 2018, com a readmissão do Gil Vicente na Primeira Liga.

2.

FPF paga ao Boavista e encerra Apito Douradohttps://t.co/ywXeQIpjxw pic.twitter.com/3h1TiKHJ1f

— maisfutebol (@maisfutebol) February 29, 2016

 

FC Paços Ferreira (2007/2008) –  Depois de uma inédita qualificação europeia, a temporada 2007/2008 do Paços Ferreira foi desastrosa, com os castores a passarem de um sexto lugar para penúltimo e despromovido sob orientação de José Mota.

À partida, ficava por aqui a estadia pacense na Primeira Liga, mas eis que, no final da temporada, explodem as sentenças de um dos casos mais polémicos do século no futebol português: o Apito Dourado.

Durante quatro anos, FC Porto, Boavista FC e os dirigentes Pinto da Costa e Valentim Loureiro – então fora da presidência dos axadrezados – foram escrutinados num processo de corrupção de árbitros, que terminou com a perda de seis pontos dos dragões e a descida administrativa do Boavista FC.

Muita tinta correu com a queda na secretaria dos axadrezados, mas quem se salvou definitivamente foi o Paços Ferreira, que se manteve na Primeira Liga e, na época seguinte, chegou mesmo à final da Taça de Portugal.

1.

CF “Os Belenenses” (2008/2009) – Um repetente nesta lista, o Belenenses foi o último clube da Primeira Liga a ser salvo da descida por ordem administrativa, agora com o Estrela Amadora a ser o visado com a despromoção.

Estávamos no auge das dificuldades financeiras dos estrelistas, com salários em atraso, dívidas por pagar e o fantasma da insolvência a serem notícia diariamente. Já dentro de campo, a época até correu bem para o CF Estrela Amadora, com um 11.º lugar e uma ida até às meias-finais da Taça de Portugal, mas as dificuldades de tesouraria levaram a melhor sobre os amadorenses.

No final da temporada, o então presidente da Liga de Clubes, Hermínio Loureiro, anunciou a exclusão do Estrela Amadora das competições profissionais por «não cumprir os pressupostos financeiros». Salvou-se o Belenenses, que ficou mais um temporada na Primeira Liga, apesar de vir mesmo a descer desportivamente em 2009/2010.

Artigo revisto por Joana Mendes

João Reis Alves

Redação Bola na Rede · ver artigos