Publicidade

5 clubes (extra-grandes) que surpreenderam na Europa no século XXI

Miguel Simões · 9 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Além das já habituais prestações europeias de FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, outros clubes portugueses têm conseguido classificações interessantes no campeonato ao longo dos últimos anos, algo que lhes tem permitido diversas (e até inéditas) experiências entre os melhores clubes da Europa. Os recursos técnicos e financeiros estão longe de serem os mais equilibrados, sendo natural que esse seja um fator a impossibilitar tantas surpresas, mas a verdade é que as mesmas têm acontecido, ainda que de forma esporádica.

Duas mãos não chegam para contar as equipas extra-grandes que já foram às competições europeias no presente século. Foram 15! Desde presenças na Intertoto e participações inéditas em eliminatórias e fases de grupo da Liga Europa… a eliminatórias históricas em fases mais adiantadas das competições e jogos a contar para a Liga dos Campeões.

  • CD Santa Clara, UD Leiria, GD Estoril Praia, Rio Ave FC e FC Arouca tiveram as suas primeiras aventuras diante de clubes europeus.
  • CS Marítimo, CF Belenenses, Leixões SC, CD Nacional, Vitória FC e Académica OAF voltaram a pisar grandes palcos da Europa, dando continuidade ao histórico já alcançado no século anterior.
  • Boavista FC, Vitória SC, SC Braga e FC Paços de Ferreira, além do percurso na Liga Europa, chegaram mesmo a entrar em campo a ouvir o hino da Champions.

Nesse sentido, apresentamos uma lista das cinco equipas que mais surpreenderam com as suas prestações europeias.

Nota: Os cinco clubes da lista não foram selecionados e ordenados de acordo com o número de presenças europeias no século XXI, mas sim tendo em conta o grau de “surpresa” das respetivas prestações perante as circunstâncias do momento.

5.


CD Nacional – Fruto de algumas classificações interessantes nos lugares cimeiros da tabela classificativa da Primeira Liga, o conjunto da Choupana esteve presente em várias eliminatórias de acesso à fase de grupos da Liga Europa, tendo alcançado esse objetivo por uma ocasião.

Na altura da designada Taça UEFA, com o formato de uma só ronda a anteceder a fase de grupos, o Nacional da Madeira não conseguiu ultrapassar essa barreira diante do Sevilla FC (2004/05) e do FC Rapid Bucaresti (2006/07), mas viria a consegui-lo no play-off de acesso à fase de grupos em 2009/10. Nessa época, a equipa de Manuel Machado alcançou o feito de eliminar o FK Zenit (vencedor da Liga Europa e da Supertaça Europeia, em 2008) numa eliminatória emocionante até ao último segundo. Após o triunfo por 4-3 no Funchal, Rúben Micael seria o herói dos alvinegros ao marcar o golo do empate (1-1) na Rússia, precisamente ao cair do pano.

A fase de grupos foi igualmente surpreendente. Os insulares marcaram golos em todos os jogos: golearam o FK Austria Wien com chapa 5, pontuaram diante do Athletic Club e ainda fizeram frente ao SV Werder Bremen. Contudo, apesar da excelente campanha, ficariam pelo caminho no 3.º lugar do grupo.  Desde então, o Nacional chegou a estar em mais quatro eliminatórias – três em 2011/12 (caindo em Birmingham) e ainda no play-off em 2014/15 (frente ao FK Dinamo Minsk) –, mas perdeu sempre às portas da Europa.

4.


GD Estoril Praia – Diretamente da Segunda Liga para um inesperado 5.º lugar no principal escalão do futebol português, o Estoril teve então a oportunidade de se estrear nas competições europeias em 2013/14.

Depois de deixar pelo caminho o Hapoel RG e o FC Pashing, a equipa de Marco Silva acabou por ficar num grupo muito complicado, onde, apesar de tudo, deu luta e isso percebeu-se também nas derrotas (todas elas pela margem mínima). Empataram nos dois jogos frente ao SC Freiburg, alcançaram novo empate na deslocação à casa do Sevilla (que seria o vencedor da competição) e ainda assustaram o FC Slovan Liberec. Era difícil fazer mais e melhor, mas esta não seria uma participação isolada da equipa da Linha…

Nova época, nova qualificação europeia…e desta vez fruto de um fantástico 4.º lugar! Tal feito valeu o acesso direto à fase de grupos da equipa que passou a ser comandada por José Couceiro. Os canarinhos voltaram a ter derrotas pela margem mínima e ficaram a apenas três pontos de passar à fase seguinte: superiorizaram-se ao Panathinaikos FC (vitória e empate), pontuaram diante do PSV Eindhoven (num incrível 3-3 com as duas partes a serem jogadas em dias diferentes devido ao mau tempo que se fez sentir em Lisboa por essa altura) e por pouco não tiraram pontos ao FC Dynamo Moscow. A derrota na jornada inaugural frente aos holandeses acabou por ser crucial nas contas finais do grupo. Foi por pouco que não se fez (ainda mais) História no Estádio António Coimbra da Mota!

3.


Vitória SC – O percurso dos vimaranenses nas provas europeias tem sido marcado por uma “irregularidade regular”. Olhando para a última década, a equipa do Berço nunca esteve dois anos seguidos na Liga Europa, apenas de dois em dois anos. Mas vamos primeiro ao que está para trás!

Na época 2005/06, depois de eliminar o Wisla Kraków SSA, o Vitória apanhou Zenit, Sevilla, Besiktas JK e Bolton Wanderers FC num grupo disputado por cinco equipas a uma mão. Marcou em todos os jogos, mas não ganhou nenhum. Na mesma década (em 2008/09), o hino da Champions até chegou a ser uma realidade em Guimarães, mas depois de eliminada polemicamente pelo FC Basel, a formação de Manuel Cajuda caiu aos pés do Portsmouth FC na ronda de acesso à designada Taça UEFA.

Em 2011/12, foi o Club Atlético de Madrid a impedir nova qualificação vimaranense para a fase de grupos, até que essa fase começou a ser mais regular no Estádio D. Afonso Henriques, com algumas surpresas, mas na qual os detalhes fizeram diferença nas contas finais. A temporada 2013/14 até começou com uma goleada ao HNK Rijeka e um empate no reduto do Olympique Lyonnais, mas as derrotas pela margem mínima com o Real Bétis Baliompé deitaram tudo a perder para o conjunto de Rui Vitória.

Nas duas últimas aventuras europeias (2017/18 e 2019/20), o maior objetivo não foi cumprido, mas as surpresas não deixaram de acontecer! Em ambas, os conquistadores pontuaram contra todas as equipas. Em 2017/18, além dos empates frente a FC Red Bull Salzburg e IH Konyaspor, o Vitória SC de Pedro Martins também derrotou o Olympique de Marseille. Na temporada passada, após um percurso de goleadas e de clean sheets frente a AS Jeunesse Esch, FK Ventspils e FCSB, a equipa de Ivo Vieira quase surpreendeu no reduto do Arsenal FC – com infeliz reviravolta após estar a ganhar até aos 80’ – e, além do empate caseiro frente aos gunners, pontuaram ainda frente ao Standard de Liège e venceram no reduto do Eintracht Frankfurt. Uma caminhada de mais de 20 golos e com belas surpresas, mas que se ficou pelo “quase”…

2.


Boavista FC – O inédito campeonato português conquistado no virar do milénio permitiu que os axadrezados voltassem a figurar entre os maiores clubes europeus, com nova participação na fase de grupos da Liga dos Campeões em 2001/02.

Nessa altura, o formato da competição obedecia a duas fases de grupos a anteceder os “quartos” da competição e a verdade é que o Boavista de Jaime Pacheco conseguiu grandes exibições e resultados nessas etapas. No primeiro grupo, o emblema do Bessa destacou-se pelos dois empates frente ao Liverpool FC e pelas vitórias caseiras sobre o BVB Dortmund e o FK Dynamo Kiev. Já no segundo, a superioridade frente ao FC Nantes (vitória e empate), o empate com o FC Bayern Munich e as derrotas expressivas frente ao Manchester United FC não permitiram mais do que o terceiro lugar no grupo para as panteras negras.

Precisamente na época seguinte, em virtude do 2.º lugar na Liga Portuguesa, os axadrezados voltaram a poder ouvir o hino da Champions no Bessa (em eliminatórias de acesso diante do Hibernians FC e da AJ Auxerre), mas acabaram por “cair” para a Taça UEFA. E nem por isso se deixou de fazer História… Passo a passo, o Boavista foi derrotando todos os adversários que ia defrontando: eliminou o Maccabi Tel Aviv FC com goleada, afastou o Anorthosis Famagusta FC, seguiu-se o Paris Saint-Germain FC numa eliminatória renhida e o mesmo aconteceu com o Hertha BSC (nestas duas últimas com os golos fora a fazerem toda a diferença).

Após várias etapas e clubes de relevo ultrapassados, o conjunto liderado por Jaime Pacheco defrontou o Málaga CF nos “quartos” da competição e aí a dificuldade foi ainda maior. A derrota por 1-0 em Espanha obrigava os boavisteiros a nova cambalhota na eliminatória (à semelhança do que tinha acontecido nas duas rondas anteriores, também decididas no Bessa) e, na reta final, um golo de Luiz Cláudio levou mesmo o jogo para prolongamento e só depois as emocionantes grandes penalidades a cair para a equipa portuguesa. Nas “meias” da competição (onde também estava o FC Porto, vencedor da prova), o Boavista até arrancou um empate na Escócia, mas seria mesmo eliminado em casa pelo Celtic FC já no último um quarto de hora. Desde então, os axadrezados nunca mais regressaram aos palcos europeus, algo que não apaga a História que foi escrita!

1.


SC Braga – E eis que chegamos à equipa (retirando da equação os “grandes” portugueses) que mais tem contribuído para a subida de Portugal no ranking. Neste século, o Braga já fez muito mais em termos europeus do que havia feito no século anterior, o que merece um natural destaque.

Analisando as 15 ocasiões que o emblema do Minho teve para participar nas competições europeias, apenas 5 clubes travaram a possibilidade de chegar à fase de grupos: Heart of Midlothian FC (2004/05), FK Estrela Vermelha (2005/06), IF Elfsborg (2009/10), CS Pandurii (2013/14) e FK Zorya (2018/19). Nas restantes, quer através de eliminatórias, quer de qualificações diretas, os arsenalistas estiveram sempre nas fases de grupo da Liga Europa e, por duas ocasiões, na Liga dos Campeões!

Na primeira década, os arsenalistas não só venceram a Taça Intertoto de 2008 (numa final a duas mãos diante do Sivasspor Kulubu), como alcançaram os “oitavos” da Liga Europa em 2006/07 e 2008/09. Pelo caminho, conseguiram derrubar o Parma Calcio e o Standard de Liège nos 16-avos, passando antes por alguns grupos com grandes clubes (como o Sevilla, Bayern e AC Milan), mas acabariam eliminados pelo Tottenham Hotspur FC e pelo Paris SG, respetivamente.

Na época 2010/11, em virtude do 2.º lugar na Liga Portuguesa, os guerreiros conseguiram eliminar o Celtic e o Sevilla, chegando assim, pela primeira vez, à fase de grupos da Liga dos Campeões. Aí, venceu duas vezes o FK Partizan e derrotou ainda o Arsenal, porém, as derrotas com o FK Shakhtar atiraram o clube para a Liga Europa…onde se fez História mais uma vez! O conjunto de Domingos Paciência passou por KKS Lech Poznan, Liverpool, Dynamo Kiev e SL Benfica, chegou à final, mas viu o FC Porto erguer o troféu. Ainda assim, dois anos mais tarde, o Braga de José Peseiro voltaria à carga na Champions, onde, depois de eliminar a Udinese Calcio no play-off, seria último num grupo com Manchester United, Galatasaray e CFR Cluj.

Nas últimas cinco épocas, o emblema da Pedreira esteve por quatro vezes na fase de grupos da Liga Europa e passou à fase seguinte em três ocasiões (a surpreendente eliminação em 2016/17 foi a exceção). Com Paulo Fonseca ao leme, o Braga foi apenas eliminado nos “quartos” em 2015/16 pelo Shakhtar, após ter eliminado clubes como o FC Sion e o Fenerbahçe. Já em 2017/18 e 2019/20, o Olympique de Marseille e o Rangers FC trataram de pôr fim ao sonho da formação minhota em ir além dos 16-avos, isto depois de os arsenalistas terem defrontado e vencido clubes como o Wolverhampton Wandereres FC ou o TSG 1899 Hoffenheim nessas fases de grupos (onde passaram com distinção). Um século XXI recheado de grandes conquistas para os arsenalistas!

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Miguel Simões

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.