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A “Força Aérea”

Diogo Pires Gonçalves · 4 min

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Cabeçalho Futebol NacionalJá há muito tempo que os lances de bola parada deixaram de ser olhados como ”um molho onde o mais alto resolve”. Hoje em dia e já há algum tempo, o futebol é analisado ao mais ínfimo pormenor, o que leva as equipas técnicas a preparar os jogos com maior grau de atenção às bolas paradas porque pode estar aí o momento de desbloqueio de um jogo ou até de definição de um resultado. A tática sempre esteve presente em livres laterais ou pontapés de canto para que deles se tire o máximo proveito; a colocação da bola num determinado ponto da área, por exemplo, ou os chamados ”bloqueios” ao jogador adversário, permitindo que outro colega de equipa alcance a bola sem oposição.

Olhando para o campeonato português e tendo analisado as primeiras oito jornadas dos 3 grandes na época 2017/18, os números, que não ganham jogos, mostram que, como no futebol a preto e branco, dá jeito ter ”um par de homens lá atrás” que dominem o jogo pelo ar. As médias de alturas dos defesas dos 3 grandes parecem não ajudar a esta velha máxima mas os próprios ajudam (FC Porto ≈  182cm, Sporting CP ≈ 187cm, SL Benfica ≈ 183 cm).

Os dragões são a equipa mais concretizadora da prova, até ao momento, e conseguem juntar a isso o facto de serem também a menos batida. Até à oitava jornada, marcaram 19 golos, 4 deles de cabeça, e sofreram apenas 3, nenhum de cabeça. Ao longo destas jornadas, o FC Porto já teve de defender-se por 33 vezes de pontapés de canto (4,125 cantos / jogo) e o jogo em que mais teve de o fazer foi na última jornada, em Alvalade (10 cantos contra).

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Felipe e Marcano têm aprendido bastante juntos e hoje são a dupla de eleição para comandar os céus do Dragão. Exemplares no jogo aéreo, beneficiam, sem dúvida, da presença de Danilo e da segurança que têm em Casillas. Com estes 4 nomes a barrar a baliza azul e branca e para marcar pelo ar, cabe aos adversários encontrar uma brecha naquilo que parece ser uma defesa de betão.

Os leões não andam longe dos registos do líder e apresentam uma lista de golos que satisfaz qualquer adepto. Marcaram 16 golos, 1 deles de cabeça, e sofreram apenas 4, 1 deles também de cabeça. Com 29 pontapés de canto direcionados à sua área neste campeonato (3,625 cantos / jogo), o Sporting CP sofreu 1 golo de cabeça, em Santa Maria da Feira, mas foi na primeira jornada, na vila das Aves, que mais vezes se defendeu (6 cantos contra). A dupla de centrais preferida de quase todos os adeptos leoninos foi formada apenas este ano mas entendem-se muito bem e no capítulo do jogo aéreo são autoritários.

Coates e Mathieu chegam e sobram para as ”encomendas aéreas” mas se tal não acontecer estão protegidos por Sir William e na baliza têm só o guarda-redes campeão europeu. À semelhança dos rivais do norte, a equipa de Alvalade protege a sua baliza de forma exemplar e com nomes de luxo. Para marcar pelo ar, será preciso um bom executante de cabeça. E que os há, há.

As águias não tiveram o arranque de campeonato desejado mas a fome de golos que as caracteriza há alguns anos segue inalterável. Nas primeiras oito jornadas, marcaram 16 golos, 1 de cabeça, e dos 6 que já sofreram, apenas um foi de cabeça, num lance de bola corrida, na mais recente jornada, na Madeira. O SL Benfica teve de proteger a sua baliza de pontapés de canto por 25 vezes (3,125 cantos / jogo) e o jogo mais atarefado, nesse aspeto, foi em Chaves, na segunda jornada (5 cantos contra). A esta altura, a dupla de centrais mais utilizada pelos tetracampeões é também a mais experiente; Luisão e Jardel, ambos um pouco para lá dos 30 anos, comandam a defesa encarnada que promete defender a baliza à guarda de uma jovem esperança portuguesa ou de outro(!) brasileiro também muito experiente.

Podem até ter sofrido mais golos que os rivais crónicos candidatos ao título mas pelo ar estão em igualdade com o de Lisboa e ligeiramente abaixo do do Norte. A experiência parece ser suficiente para manter controlados os ataques aéreos à baliza dos da Luz mas já houveram incursões no onze inicial de ”pilotos” mais jovens (Lisandro ou Rúben Dias) e o resultado foi o mesmo. Seja qual fora a dupla escolhida, não será problema limpar as bolas que vêm pelo ar.

Fonte: SL Benfica
Fonte: SL Benfica

É conhecida a ”fome” com que os clubes que defrontam os 3 grandes se aproximam da área para bater livres laterais ou pontapés de canto. Fazem subir no terreno os seus jogadores mais altos e encorpados, contratados precisamente para estes propósitos, e põem em prática jogadas estudadas. Está claro que à oitava jornada é permaturo avaliar o sucesso e a influência do jogo aéreo nas contas do título, lugares europeus ou de descida, mas serve este artigo para alertar o leitor para os duelos aéreos que se travam constantemente nas áreas deste campeonato. E no final do mesmo, os números serão ainda mais esclarecedores.

A produção ofensiva destes clubes não é, nem perto, refém do jogo aéreo. São os criativos como Brahimi, Gelson ou Pizzi, entre muitos(!) outros, que vão abrilhantar o jogo das suas equipas, marcando golos ou produzindo jogadas para ver e rever. Mas no final, o jogo aéreo terá uma pequena mas vincada influência nos resultados das equipas, como atestarão essas máquinas de fazer golos; Aboubakar, Bas Dost ou Jonas.

Foto de Capa: Sporting CP

Diogo Pires Gonçalves

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