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A nova vida de Fábio Coentrão: análise individual e tática

Ruben Brêa Marques · 4 min

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Protagonista de uma das transferências mais surpreendentes do último defeso, o regresso de Fábio Coentrão ao Rio Ave FC tem-se revelado mais que acertado, tanto para ele, para a equipa, como para o nosso campeonato.

Com apenas 30 anos, o internacional português por mais de 50 ocasiões (52 jogos, cinco golos pela seleção Nacional), rescindiu com o atual tricampeão da Europa e bicampeão mundial, Real Madrid CF, e assinou por uma época com o clube que o formou e lançou a nível sénior.

Trajeto

Coentrão deu nas vistas logo na sua primeira época de sénior. Aposta de João Eusébio, na II Liga Portuguesa, Fábio marcava a diferença pelas suas arrancadas pela esquerda, atuando como extremo esquerdo. De drible fácil, veloz e bastante atrevido, o miúdo das Caxinas começou logo a ser cobiçado pelos três grandes e, logo no verão de 2007, com apenas 19 anos, Coentrão assina pelo SL Benfica a troco de 900 mil euros.

Para surpresa de muita gente, o jovem talento conseguiu convencer Fernando Santos e ficou no plantel até janeiro, realizando 7 jogos. Depois seguiu-se um empréstimo muito bem sucedido ao CD Nacional, onde se afirmou rapidamente e conseguiu quatro golos em 16 jogos.

Na época seguinte, Coentrão foi extremamente cobiçado e, sem a garantia de ser uma aposta recorrente na Luz, acabou por rumar à Liga Adelante para reforçar o Real Zaragoza de Marcelino Toral (atual técnico do Valencia CF). Foi um fiasco, tendo realizado apenas um jogo e saindo logo em janeiro para o Rio Ave CF, onde voltou a destacar-se.

Fábio Coentrão regressou esta época à equipa que o viu ‘nascer’ para o futebol
Fonte: Rio Ave FC

A carreira de Coentrão começa a engrenar no caminho do estrelato na época 2009/2010, com Jorge Jesus. O mítico técnico português apostou em Coentrão não a extremo esquerdo, mas sim a defesa esquerdo. Considerado irreverente e até ‘indisciplinado taticamente’, esta adaptação foi surpreendente, mas fez furor e mudou a vida do jogador. Em duas épocas pelo SL Benfica, Coentrão fez 90 jogos oficiais e marcou 8 golos, saindo, no verão de 2011, para o Real Madrid CF por 30 milhões de euros.

Lutando com Marcelo pela titularidade, Coentrão conseguiu jogar com regularidade nas duas primeiras épocas pelos ‘Merengues’, perdendo espaço nas duas épocas seguintes. Seguiu-se um empréstimo ao AS Mónaco, regresso ao Real Madrid CF e novo empréstimo, na época passada, ao Sporting CP. Atuando sempre na ala esquerda, Fábio, em todas estas temporadas, alinhou quase exclusivamente a defesa esquerdo, sendo utilizado pontualmente a extremo.

Novas funções com José Gomes

No dia 31 de agosto era anunciado o regresso de Fábio Coentrão a Vila do Conde. Dispensado por Julen Lopetegui do Real Madrid CF e descartado pelo Sporting CP, Fábio decidiu voltar ao seu clube de berço. Eram muitos os céticos que o definiam como acabado e sem soluções, mas, a verdade, é que o internacional português tem dado uma ‘chapada de luva branca’ aos críticos.

Disponível há apenas dois jogos, Coentrão saltou de imediato para o onze inicial, somando 65 minutos contra o Boavista FC e 82 contra o SC Braga. Em ambos os jogos, Coentrão foi utilizado como extremo direito, com funções e movimentações muito peculiares, que o têm permitido brilhar através da sua classe e talento, sobretudo contra o SC Braga, onde já deu outra resposta a nível físico.

Jogando pela direita raramente veremos Coentrão a ganhar a linha através do seu drible e velocidade e sacar um dos seus cruzamentos como faz pela esquerda, porque, como todos sabemos, o seu pé direito é totalmente ‘cego’. Portanto, a sua função no Rio Ave CF de José Gomes é totalmente diferente.

Aos 30 anos, Coentrão experimenta uma nova posição e função sob a batuta de José Gomes
Fonte: Rio Ave

Sempre a pisar terrenos interiores, Coentrão joga próximo do ponta de lança e de Diego Lopes, procurando futebol apoiado, através de combinações e tabelas, permitindo a Eliseu Nadjack ter a linha para atacar a profundidade à sua vontade.

Foi recorrente, sobretudo com o SC Braga, e é exemplo o lance do golo de Gelson Dala, a procura de zonas interiores de Coentrão, criando superioridade no miolo e permitindo à equipa vila condense apanhar a equipa de Abel Ferreira várias vezes ‘com as calças na mão’. Na segunda parte, com o desgaste físico de Coentrão, foi-se diluindo este efeito e o desequilíbrio no corredor central começou a ser corrigido pelo SC Braga.

De cabeça levantada, com a pedalada de anos e anos de experiência ao mais alto nível (não esquecer, que Coentrão tem no CV duas ligas dos Campeões, dois campeonatos Mundiais, duas Ligas Espanholas e uma Liga Portuguesa), o internacional português vai ser uma das figuras da Liga, jornada após jornada, e, se o impacto de Coentrão já é este e nem pré época fez, imaginemos a influência e o rendimento que ele terá daqui a um ou dois meses.

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Ruben Brêa Marques

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