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A precocidade da terceira jornada

André da Silva Amado · 3 min

A precocidade da terceira jornada
Foto: Liga Portugal

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Numa altura em que o mercado de transferências está prestes a encerrar e os plantéis ainda podem sofrer mexidas com entradas e saídas de jogadores. Em que todos os clubes da Liga, à exceção do Vitória SC, não têm sequer um mês de competição oficial. Em que estiveram apenas nove pontos em disputa no campeonato. Em que os processos de jogo, na maioria dos casos, precisam de ser aprimorados e se encontram longe dos ideais para se enfrentar uma época longa e competitiva. Em que se ouve muito a frase: “isto não é como começa, é como acaba’’. Em que os adeptos não resistem a fazer as suas previsões sobre quem vai ser bem ou mal sucedido. Em que muitos adeptos ainda vão a banhos nas praias de Norte a Sul do país, enquanto outros já marcam presença nos estádios. Ou seja, tudo isto significa que estamos no final de agosto e ainda faltam nove meses de competição. Nove meses em que muitas coisas vão acontecer. Reviravoltas, emoções, frustrações – tudo a que o adepto tem direito.

É precisamente por estarmos no princípio da temporada que os clubes devem estabelecer os seus objetivos – no fundo, saber exatamente aquilo que pretendem e empreender um plano de ação. É muito importante compreender a forma de lidar com eventuais obstáculos, como reagir aos erros e como se preparar mentalmente para os desafios. Numa altura em que existem arestas por limar, o objetivo é “diminuí-las’’ à medida que as semanas passam.

Naturalmente, existem equipas com melhores performances do que outras, mas até essas podem não vir a corresponder às expectativas criadas por um arranque positivo. Bastam poucos jogos e já existe quem comece a traçar destinos como já se tivesse visto tudo, talvez por possuírem uma bola de cristal, só disponível para alguns. O exemplo recente mais flagrante é o do SL Benfica campeão na temporada transata, algo impensável para muitos a meio da mesma.

O Belenenses de Silas ainda não marcou nesta Liga
Fonte: Site Belenenses SAD

Remetendo para esta época, observa-se o FC Famalicão como a equipa sensação do campeonato ao fim de três rondas. No sentido oposto, existem cinco equipas que ainda não triunfaram e duas destas não marcaram sequer um golo – Belenenses SAD e Vitória FC. Tudo isto são factos, mas é importante perceber que é algo variável, pois estamos numa fase precoce desta caminhada. Não vale muito a pena traçar-se já um futuro risonho para quem arrancou bem e um futuro ensombrado para quem não arrancou da melhor maneira. Encontrar-se uma equipa no topo da classificação após três jogos não significa necessariamente que a Liga vá correr de forma tranquila, assim como quem se encontra na cauda da tabela, não quer dizer que o resto do trajeto seja tenebroso.

A imprevisibilidade no mundo do futebol é muita e isso também o torna espetacular. Relembro que há duas épocas, o GD Chaves tinha apenas um ponto e era um dos últimos ao fim da terceira jornada e terminou o campeonato na sexta posição. Na temporada passada, o CD Feirense era um dos líderes da Liga por esta altura e terminou na última posição.

Ainda muita história terá de ser escrita e acredito que FC Famalicão e Belenenses SAD, por exemplo, têm condições para realizar uma boa campanha, mas só numa fase mais adiantada é que será possível ter uma melhor perceção e definir com maior clareza o futuro de todos os clubes, sendo, porém, uma previsão sempre difícil de fazer.

Termino com um comparativo das últimas três Ligas relativamente a alguns dados no final da terceira jornada. Em agosto de 2016, ao fim de três rondas, foram marcados 61 golos, sendo que havia um líder destacado só com vitórias e quatro equipas ainda sem triunfos, duas delas só com derrotas. Em agosto de 2017, contabilizavam-se 69 golos e quatro formações com nove pontos, sendo que sete ainda não tinham vencido e uma delas registava três desaires. No verão seguinte, assistiu-se a uma “chuva de golos’’ em três jornadas (85) e nenhuma equipa tinha logrado o pleno de êxitos, embora todas já tivessem pontuado. Esta época, um pouco à semelhança da anterior, ninguém efetuou o pleno e todas já pontuaram, embora tivessem sido marcados muito menos golos em igual período (65), apesar de ainda haver uma partida por disputar.

Foto de capa: Liga Portugal

 

André da Silva Amado

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